Os Portugueses ao Encontro da sua História

Afonso de Albuquerque e o Golfo Pérsico

31 de agosto a 12 de setembro de 2009
Guia: Dr. Anísio Franco

Itinerários de Afonso de Albuquerque

Textos selecionados por Dr. Anísio Franco

Muscate

Mascate he huma Cidade grande, muito bem povoada, cercada da banda do sertão de serras mui altas, e da banda do mar bate a agoa nella, e detrás nas costas contra o sertão tem hum campo tamanho, como o Rossio de Lisboa, todo feito em marinhas de sal, não que a maré chegue ali, mas a agoa, que nelle nasce, he salgada, e torna-se em sal: e aqui perto tem muitos poços dagoa doce, donde bebiam os moradores: tinha pumares, ortas, palmeiras com poços pera regar, que se tira agoa delles com engenho de bois. O porto he pequeno, de feição de huma ferradura, abrigado de todos os ventos, e he escapola principal do Reyno de Ormuz, onde todas as nãos, que navegam por estas partes, de necessidade hão de entrar, por se afastarem da outra costa dalém, que he de muitos baixos: he escapola antiga de carregação de cavalos, e de tâmaras: he lugar muito gracioso de casas muito boas, vem-lhe do sertão muito trigo, milho cevada, e tâmaras pêra carregarem quantas nãos quiserem. Esta Cidade de Mascate he do Reyno de Ormuz, e o sertão de hum Rey, que se chamava o Benjabar, o qual tinha outros dous irmãos, entre os quaes era repartida esta terra, que se estende até Adem, e da banda do Norte vem dar na ribeira do mar da Pérsia, e dali até cerca de Meca: e a este sertão chamam os Mouros a Ilha de Arábia, porque o mar da Pérsia volve lá contra o mar Roxo, de maneira, que fica esta terra redonda cercada toda de mar, a saber, o mar Roxo, e do mar da Pérsia. He terra muito pequena, e por isso lhe chamam os Mouros Ilha de Arábia. Foi toda senhoreada de hum Rey, que se chamava o Benjabar, e este teve três filhos, e por sua morte deixou a terra repartida por todos três, e que o mais velho se chamasse sempre Benjabar, como o pai, e os dous o reconhecessem por Semhor. E este Benjabar tem seu senhorio sobre Fartaque, Dofar, Calayate, e Mascate, e vai confinar com a terra do Xeque de Adem: Os outros dous jazem sobre a ribeira do mar da Pérsia, e hum delles tinha tomado ao Rey de Ormuz a Ilha de Baharem, onde se pésa o aljofre, que está cinco dias de navegação da Ilha de Ormuz; e assi lhe tinha tomado Catife, huma Ilha, que o Rey de Ormuz tinha na costa da Arábia. Nesta terra, que os lavradores criam pêra vender: tem muita abastança de trigo, milho, e cevada: tem grandes criações de gado, são grandes caçadores de falcão, que serão do tamanho dos nossos nebris, e tomam com elles humas alimárias mais pequenas que gazelas, e trazem galgos muitos ligeiros pêra ajudarem os falcões a tomar estas alimárias.”

In: Comentários de Afonso de Albuquerque, Part. I, cap. XXIV  

Ormuz

(…) assentáram todos, que avendo de fazer fortaleza naquellas partes, que devia de ser dentro em Ormuz, porque ali era mais serviço delRey de Portugal fazer-se, que nos outros lugares, que Cogeatar apresentava. (…)

Fez Mestre desta obra hum bombardeiro, que se chamava Fernão Dalvarez, bom official deste officio, e ordenou que os Capitães de dous em dous tivessem cuidado de trazer pedra da pedreira pera a obra. Ordenadas todas estas cousas, foi-se Afonso Dalboquerque a terra com toda a gente da Armada, e começou a abrir os aliceces da torre da menagem a vinte e quatro dias do mês de Outubro do anno de mil quinhentos e sete; e porque esta torre avia de ser tão alta, que podesse ser vista de toda a terra firme da banda da Pérsia, mandou fundar os aliceces muito largos, e da mesma maneira mandou fundar os muros da fortaleza, a que pos nome Nossa Senhora da Vitoria. Começada a obra, deu Afonso Dalboquerque grande pressa a se acabar a torre, porque sua determinação era, vindo o mês de Janeiro, ir dar huma vista ao mar Roxo, e queria deixar esta torre no primeiro sobrado, porque dali se podiam defender os Portugueses a toda a gente da Pérsia que viesse, até elle tornar a Ormuz; e porque os oficiaes trabalhavam de melhor vontade, além de lhes pagar cada dia o que Cogeatar tinha assentado que lhes pagassem, mandou dar a todos os trabalhavam agoa, e tâmaras quantas quisessem de graça; e andavam todos tão contentes com isto, que muitos vinham trabalhar na obra sem os Cogeatar mandar; e com isto, e com diligencia, que os Capitães, e Fidalgos tinham na serventia, começou a obra a crecer muito em pouco tempo, o portal principal desta torre mandou fazer de três ancoras de pedra, que foram da náo Meri, que se ali tomou, e davam os Mouros por ellas muito dinheiro; mas Afonso Dalboquerque as não quis dar, e mandou-as assentar no portal da torre, porque ficasse memoria pêra sempre daquella grande vitoria, que os Portugueses ali tiveram.”

 In: Comentários de Afonso de Albuquerque, Part. I, cap. XXXVIII 

Mar Vermelho

“He terra quente: chamam os Mouros a este estreito do mar Roxo em sua linguagem Bahar Queixum, que quer dizer na nossa, Mar encerado, e a meu parecer, não tratando das opiniões dos que escrevêm a historia da India, (seguindo nisto a opinião de Afonso Dalboquerque, que foi o primeiro, depois della descuberta, que entrou das portas do estreito pêra dentro,) este nome mar Roxo, ou mar Vermelho lhe convem mais que outro nenhum, e soube-lho bem pôr quem no assim primeiro nomeou, porque todo o estreito do mar Roxo he cheio de muitas manchas vermelhas como sangue. E estando Afonso Dalbuquerque com toda a sua Armada surto nas pontas do estreito, no porto dos ponentes, já de torna viagem pera a India, vio do capiteo da sua náo desembocar pela boca do estreito fora huma vea de mar muito vermelha, e corria contra Adem, e estendia-se por dentro do estreito, quanto hum homem podia alcançar com a vista. Espantado Afonso Dalbuquque disto, perguntou aos Pilotos Mouros, que vermelhidão era aquella tamanha no mar? Elles lhe disseram, que se não espantasse, porque o revolvimento, que a maré fazia nas aguas, por ser mais aparcelado, e de pouco fundo, com montante, e juntamente eram cousa daquella vermilhidão, principalmente na jusante, que as aguas correm pêra fora mais tezas, porque no estreito não havia corrente de aguas; e quando os ventos são tezos, corria a agua hum pouco com vento, principalmente quando são ponentes, que correm as aguas mais rijo pêra fora do estreito, e então he ainda o mar mais vermelho. Parecerem bem estas rezões a Afonso Dlboquerque, e assentou ser alli, e que a causa disto seria o terreno do fundo do mar. Do cabo deste estreito, que he Suez, ao mar de levante he muito curto caminho, e segundo os Mouros tem por suas escrituras, quando Alexandre conquistou esta terra, teve pensamento de romper este mar com o de levante pelo rio Nilo; e os Mouros, com que Afonso Dalbuquerque falou, lhe disseram, que havia caminho de deserto de arêa, que vai do Cairo pêra Jerusalém, a que os Mouros chamam Ramilá.

(…)

Duas cousas grandes tinha Afonso Dalbuquerque em seu pensamento determinado fazer, se a morte não atalhára, (ou por melhor dizer, se ElRey D. Manuel, aconselhado de seus imigos, o não mandára vir da India:) A primeira cortar huma serra muito pequena, que corre ao longo do rio Nilo, na terra do Preste João, pera lançar as correste delle por outro cabo, que não fossem regar as terras do Cairo, e pera isso mandou muitas vezes pedir a ElRey D. Manuel, que lhe mandasse oficiaes da Ilha da Madeira, que cortavam as serras pera fazerem levadas, com que se regam as cannas do açúcar, e pudera-se isto fazer levemente, porque o Preste João o desejava muito, e não teve maneira pera o fazer; e se isto se fizera, como creio que pudera ser, se Afonso Dalbuquerque vivêra, a terra do Cairo fora de todo destruída; porque se os Alarves, que vivem nos desertos entre Caná, e Coçaer, eram poderosos pera romper as crescentes do Nilo, cada vez que se enfandavam do Grão Soldão, claro está que muito mais levemente pudera fazer Afonso Dalbuquerque com a ajuda do Preste João. A outra era, que tornando a entrar o estreito de Méca, (como esperava em Deos de fazer muito cedo,) determinar de levar quatro centos cavallos em teforeas, e desembarcar no porto de Liumbo, e correr a casa de Méca, e roubar todos os thesouros que havia nella, que eram muitos, e o corpo do seu máo Profeta, e trazendo pera com elle se resgatar a Casa Santa de Jerusalém: e pudera-se fazer muito bem, porque em hum dia e meio podiam ir a Midina, onde os seus ossos estam, o qual he um lugar pequeno, e não há nelle outra gente, senão huns Mouros, que elles tem por sanctos, com as unhas alfenadas, que se mantem de esmolas, que lhe vem do Cairo, e do Xerife Parcati, que era Senhor daquella terra: e com trezentos de cavallo, que tinha Alarves sem armas, não houvera de ousar de cometer os nossos, e pera lhes vir socorro do Cairo, não podia ser senão em trinta, ou quarenta dias, porque era necessário fazer-se quarenta dias, porque era necessário fazer-se grande apercebimento da cáfilas de camelos pera trazerem agua, e mantimentos pêra a gente, porque tudo são áreas desertas, e sem agua: quanto mais que quando se soubesse no Cairo que a nossa gente era entrada em Midina, já então haviam se ser tornados ao porto de Liumbo, e embarcados.”

[In: Comentários de Afonso de Albuquerque, Part. IV, cap. VII]

:: Programa

Segunda, 31 AGO | LISBOA – MASCATE (Sultanato de Omã)
05h00 – Aaeroporto – Terminal 1 para check-in no voo LH 4537
07h05 – Partida com chegada às 11h00 a Frankfurt (Lufthansa)
12h10 – Partida do voo LH 616 com destino a Mascate (paragem para abastecimento em Abu Dhabi) 
22h20* – Transfer, check-in e jantar no hotel Shangri La Al Waha *****
* hora local

Terça, 1 SET | MASCATE
07h30 – Pequeno-almoço no hotel Shangri La Al Waha
Visita à Grande Mesquita Sultão Qabous e Museu Bait al Zubair  
12h30 – Almoço no hotel Shangri La Al Waha 
16h00 – Visita ao  ao centro histórico de Mascate e Mutrah (Matara) e souks
20h00 – Jantar no restaurante Samba (dentro do hotel)
Alojamento no hotel Shangri La Al Waha

Quarta, 2 SET | MASCATE – QUYRIYAT (Curiate) – SOHAR – MASCATE
07h30 – Pequeno-almoço no hotel Shangri La Al Waha 
08h00 – Partida com destino a Quriyat (Curiate)
09h30 – Visita em Quyriyat (Curiate)
10h30 – Partida com destino a Sur
13h30 – Almoço no Sur Plaza Hotel
15h00 – Visita ao centro histórico de Sur
17h00 – Regresso a Mascate com paragem no “olho do Diabo”, ou “Blue Hole”, para banho de mar
20h00 – Jantar no hotel Shangri La Al Waha 

Quinta, 3 SET | MASCATE – NIZWA – MASCATE
07h30 – Pequeno-almoço no hotel Shangri La Al Waha
08h00 – Partida em autocarro na direcção de Nizwa com paragem, ainda em Mascate, para visitar o mercado de peixe
12h30 – Almoço no Hotel Golden Tulip, junto a Nizwa
14h30 – Visita ao forte e aos souks de Nizwa
16h00 – Regresso a Mascate, com paragem para conhecer os fortes de Bahla e Jobrin
19h00 – Jantar iftar no restaurante Sherazad, no hotel Shangri La Al Waha

Sexta, 4 SET | MASCATE – MUSANDAM (Sultanato de Omã)
08h00 – Pequeno-almoço e check-out do hotel Shangri La Al Waha
09h00 – Transfer ao aeroporto
10h45 – Partida do voo WY 521
11h50 – Chegada, transfer, check-in e almoço no hotel Golden Tulip*****
16h00 – Visita a Buhla e aldeia de Tiwi
19h00 – Jantar no restaurante Esra
Alojamento no hotel Golden Tulip

Sábado, 5 SET | MUSANDAM
08h00 – Pequeno-almoço no hotel Golden Tulip
08h30 – Visita ao castelo de Khasab
Visita de barco aos fjords com visita à vila de Khumzar
Almoço no barco fornecido pelo hotel Golden Tulip
Regresso ao hotel
19h00 – Jantar e alojamento no hotel hotel Golden Tulip

Domingo, 6 SET | MUSANDAM (Sultanato Omã) – RAS-AL-KHAIMAH e DUBAI (Emirados Árabes Unidos) – BAHREIN
08h00 – Pequeno-almoço e check-out do hotel Golden Tulip
08h30 – Partida em autocarro até ao Dubai com paragem em Ras-al-Khaimah para visitar o Museu.
13h00 – Almoço em Ras-al-Khaimah, no Hilton*****
Continuação da viagem até Dubai
17h00 – Transfer ao aeroporto para voo GF 567 às 18h50 com chegada ao Bahrein às 19h05. 
Transfer, check-in, jantar e alojamento no hotel Sheraton*****

Segunda, 7 SET | BAHREIN – PETRA (Jordânia)
07h00 – Pequeno-almoço e ckeck-out do hotel Sheraton
08h00 – Visita matinal a forte no Bahrein
10h00 – Transfer ao aeroporto
11h45 – Partida no voo GF 971 com destino a Amman (Jordânia) 
14h20 – Transfer directo em autocarro para Petra
20h30 – Chegada, check-in, jantar e alojamento no Hotel Movenpick*****

Terça, 8 SET | PETRA
07h00 – Pequeno almoço no hotel Movenpick
Visita a Petra
12h00 – Almoço no restaurante Basin
16h00 – Tempo livre. Continuação da visita em Petra
20h00 – Jantar no hotel Movenpick

Quarta, 9 SET | PETRA – CAIRO (Egipto)
08h00 – Pequeno-almoço e check-out do hotel Movenpick
08h30 – Partida em autocarro com destino a Aqaba
10h00 – Paragem em Wadi Rum para incursão em jipes pelo deserto, incluindo chá em tenda beduína
12h30 – Partida do autocarro para Aqaba
13h30 – Almoço e tempo livre no hotel Movenpick de Aqaba
16h45 – Transfer ao aeroporto internacional de Aqaba
18h20 – Voo RJ 303 para o Cairo, com chegada às 19h05 a Amã 
20h35 – Voo MS 702 para Cairo
21h05 – Chegada, transfer, check-in, jantar e alojamento no Hotel Sofitel

Quinta, 10 SET | CAIRO
08h30 – Pequeno-almoço no hotel Sofitel
09h00 – Visita ao Museu do Cairo
13h30 – Almoço no restaurante Felfela
Regresso ao hotel
Tempo livre
18h00 – Recepção oferecida pela Senhora Drª. Mona Zaki, na sua residência
Jantar e alojamento no hotel (restaurante El Kababgi, dentro do hotel Sofitel)

Sexta, 11 SET | CAIRO
07h00 – Pequeno-almoço no hotel Sofitel
07h30 – Partida em autocarro com destino a Memphis e pirâmides de Saqqara
12h00 – Almoço Hotel Meridien Pyramids
13h30 – Visita às pirâmides de Gize e Esfinge
15h00 – Regresso ao hotel
19h00 – Recepção oferecida pelo Senhor Dr. Carlos Pires, Encarregado de Negócios da Embaixada de Portugal no Cairo
20h00 – Jantar Sehour de despedida no restaurante Abu el Sid
Alojamento no hotel Sofitel

Sábado, 12 SET | CAIRO – LISBOA
11h00 – Check-out e brunch no hotel Sofitel
12h00 – Transfer ao aeroporto
15h45 – Voo Cairo – Lisboa, LH 583 via Frankfurt (Lufthansa) – escala às 20h05 para o voo LH 4536 que parte às 21h45 com destino final e chegada a Lisboa às 23h40
~ Fim da viagem ~

Crónicas de viagem

Oiça aqui as crónicas de Guilherme d’Oliveira Martins, também publicadas pela Rádio Renascença

Crónica I – O início da viagem

Crónica II – Mascate, capital do Omã

Crónica III – Ormuz

Crónica IV – O forte português do Bahrein

Registos fotográficos


Apoio: Presidência do Conselho de Ministros

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