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MORREU JOSÉ SARAMAGO

O escritor português e Prémio Nobel da Literatura em 1998, morreu aos 87 anos em Lanzarote, no dia 18 de Junho de 2010.


José Saramago (1922-2010)


O escritor português e Prémio Nobel da Literatura em 1998, José Saramago,
morreu aos 87 anos em Lanzarote.


O autor português encontrava-se doente mas em estado “estacionário”, mas a situação agravou-se, explicou o seu editor, Zeferino Coelho.


Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, na Golegã, a 16 de Novembro de 1922, e apesar da mudança com a família para Lisboa, com apenas dois anos, o local de nascimento seria uma marca constante ao longo da sua vida, como referiria em 1998, aos 76 anos, no discurso perante a Academia Sueca pela atribuição do Nobel da Literatura.


Em 1939 termina o estudos de Serralharia Mecânica e emprega-se nas oficinas do Hospital Civil de Lisboa. A paixão pela literatura é alimentada de forma autodidacta, nas noites passadas nas Bibliotecas do Palácio das Galveias.


A primeira obra publicada, “Terras do Pecado”, surge em 1947. O título original, “Viúva”, foi alterado por imposição do editor da Minerva, que o considerava pouco comercial, e essa é uma das razões pela qual Saramago resistia a incluí-lo na sua bibliografia.


in PÚBLICO | 18 de Junho de 2010

José de Sousa Saramago (1922-2010), escritor português galardoado em 1998 com o Nobel da Literatura. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Nasceu na província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento.


Saramago, conhecido pelo seu ateísmo, é membro do Partido Comunista Português e foi director do Diário de Notícias. Casado com a espanhola Pilar del Río, Saramago vivia em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.


OBRA
Saramago é conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional (aparentemente incorrecta aos olhos da maioria). Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas “sentenças” ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores. Apesar disso o seu estilo não torna a leitura mais difícil, os seus leitores habituam-se facilmente ao seu ritmo próprio.


Estas características tornam o estilo de Saramago único na literatura contemporânea: é considerado por muitos críticos um mestre no tratamento da língua portuguesa. Em 2003, o crítico norte-americano Harold Bloom, em seu livro Genius: A Mosaic of One Hundred Exemplary Creative Minds (“Génio: um mosaico de cem mentes criativas exemplares”), considerou José Saramago “o mais talentoso romancista vivo no mundo actual” (tradução livre de the most gifted novelist alive in the world today), referindo-se a ele como “o Mestre”. Declarou ainda que Saramago é “um dos últimos titãs de um género literário que se está desvanecendo”.


OBRAS PUBLICADAS


Poesia
Os poemas possíveis, 1966
Provavelmente alegria, 1970
O ano de 1993, 1975


Crónica
Deste mundo e do outro, 1971
A bagagem do viajante, 1973
As opiniões que o DL teve, 1974
Os apontamentos, 1976


Viagens
Viagem a Portugal, 1981


Teatro
A noite, 1979
Que farei com este livro?, 1980
A segunda vida de Francisco de Assis, 1987
In Nomine Dei, 1993
Don Giovanni ou O dissoluto absolvido, 2005


Contos
Objecto quase, 1978
Poética dos cinco sentidos – O ouvido, 1979
O conto da ilha desconhecida, 1997


Romance
Terra do pecado, 1947
Manual de pintura e caligrafia, 1977
Levantado do chão, 1980
Memorial do convento, 1982
O ano da morte de Ricardo Reis, 1984
A jangada de pedra, 1986
História do cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio sobre a cegueira, 1995 (Prémio Nobel da literatura 1998)
A bagagem do viajante, 1996
Cadernos de Lanzarote, 1997
Todos os nomes, 1997
A caverna, 2001
O homem duplicado, 2002
Ensaio sobre a lucidez, 2004
As intermitências da morte, 2005
As pequenas memórias, 2006
A Viagem do Elefante, 2008
O Caderno, 2009
Caim, 2009


in Sapo Saber

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