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Joana Lopes (1938-2026)

Morreu Joana Lopes, antiga dirigente do Centro Nacional de Cultura e lutadora de toda a vida pela causa democrática.

Nascida a 11 de outubro de 1938 em Lourenço Marques, Joana Lopes fez o liceu em Portugal e frequentou o primeiro ano da licenciatura em matemática. Aos 18 anos partiu para a Bélgica, onde se licenciou e doutorou em Filosofia em Lovaina. Deu aulas de Lógica e outras disciplinas no departamento de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mas acabou por se dedicar à programação informática enquanto engenheira de sistemas da IBM portuguesa, sendo a primeira mulher a integrar o conselho executivo do ramo português da multinacional, tendo regressado à Bélgica para dirigir um departamento da IBM. Foi em Lovaina que começou a contactar com a atividade política anticolonial, na sequência do processo de independência do Congo Belga, com dirigentes do MPLA residentes em Paris. Num depoimento para o ciclo “Mulheres de Abril”, relatou como regressada a Portugal em 1962, mergulhou imediatamente no mundo dos chamados «católicos progressistas», em “O Tempo e o Modo” e em publicações clandestinas contra a guerra colonial animadas por Nuno Teotónio Pereira. Participou na Ação Católica, em que integrou a Junta Central. Durante a visita do papa Paulo VI, foi Joana Lopes e outro membro da Junta Central da Ação Católica que ficaram encarregados de entregar um documento a “um mensageiro seguro” da comitiva papal sobre a situação política e social no país, que consideravam contrária aos ensinamentos da igreja católica. Em 1969, com José Manuel Galvão Teles fez parte da Direção do Centro Nacional de Cultura.  Quatro anos antes da vigília da capela do Rato, Joana Lopes esteve na igreja de São Domingos, no último dia de 1968, onde se ouviu pela primeira vez a “Cantata da Paz”, com letra de Sophia de Mello Breyner e música de Francisco Fernandes, cantada por Francisco Fanhais. Da luta clandestina contra a ditadura deixou registo no livro “Entre as Brumas da Memória – Os Católicos Portugueses e a Ditadura”, editado pela Âmbar em 2007. Desse livro nasceu o blog com o mesmo nome, que além de complementar a temática do livro com novos testemunhos serviu para marcar presença no debate público com comentários a temas da atualidade, o que fez até às últimas semanas de vida.

O Centro Nacional de Cultura apresenta sentidas condolências a familiares e amigos de Joana Lopes.

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