Ver um Jacarandá é olhar o mundo e compreender a nossa relação com a natureza. Acabam de florescer os primeiros jacarandás. Em breve as avenidas e as alamedas de Lisboa estarão cobertas das flores do jacarandá. Foi Félix Avelar Brotero (1744-1828) , diretor do Jardim Botânico da Ajuda de 1811 a 1826 que introduziu uma árvore tão popular na cultura de Lisboa e de Portugal, ainda antes do regresso da Corte do Brasil. Tendo-lhe sido enviadas do outro lado do Atlântico sementes de Jacarandá de cor lilás, ele guardou-as num chapéu, encarregou-se não só de mandar plantar pela cidade de Lisboa e no seu Jardim, mas também de entregar aos seus amigos para que eles promovessem a plantação em toda a cidade de uma árvore tão bela e tão vistosa. O grande botânico reconhecido internacionalmente, ombreando com Lineu, deu especial atenção aos jacarandás, como exemplo da generosidade da natureza. Amigo de Filinto Elísio, com quem esteve em Paris para se proteger das atitudes de intolerância política e religiosa, Brotero é uma referência, cuja biografia lança as grandes pistas para o novo espírito em que ciências e humanidades se aliam naturalmente. Um jacarandá em Lisboa reserva-nos uma extraordinária surpresa, uma vez que tem duas florações – uma, agora em Maio, que corresponde ao efeito da Primavera; e outra em Outubro, pois a memória da Primavera brasileira (outono aqui) continua a funcionar, apesar da distância… A natureza tem segredos espantosos, e o jacarandá (de madeira sublime) é um símbolo inesquecível.
Por estes dias podemos usufruir da sua beleza, nas encostas do Restelo, no centro da cidade, no Largo do Rato, em S. Bento e S. Mamede. É inesquecível este cenário paradisíaco.



