Crónicas de Viagem

Índia, da costa do Coromandel à costa do Malabar – Crónica V [5set2019]

Dia mágico com incursão aos templos hindus. Os europeus, pelo menos desde Marco Polo, sabem que a Costa do Coromandel é rica em monumentos do hinduísmo de uma extraordinária beleza e qualidade na arquitetura e na escultura… Tudo é surpreendente o que aqui se encontra. Trabalhos em pedra gigantescos, em materiais que se assemelham à pedra rolada. Animais diversos em baixos-relevos – elefantes, macacos, búfalos, gatos…, tudo. É a fascinante narrativa do hinduísmo que aqui está desenvolvida.

O mais impressionante, no extraordinário campo de Mahabalipuram, é a bola gigante (de 250 toneladas, com seis metros de altura), numa posição instável. No testemunho de Anísio e de Bárbara, muitos dos membros do grupo do CNC manifestaram a sua incredulidade. Como é possível estar uma pedra assim há pelo menos 1200 anos sem que se mova, apesar de parecer que vai rolar a todo o momento? Por que razão esta bola gigante (Krishna’s Butter Ball) não se despenha? Não é fácil a explicação, mas trata-se de um complexo jogo das forças da gravidade… Um geólogo, um matemático, um economista, um médico, discutiram… Cada um deu os seus argumentos, e o melhor a que conseguiram foi chegar à conclusão de que a pedra não se mexe de facto, mas um dia qualquer vai ter de se mover. Sabemos que em 1908, há mais de 110 anos, um governador da região tentou mover a pedra, com a ajuda de diversos elefantes, mas não o conseguiu. De então para cá todas as tentativas continuaram a ser infrutíferas…

Quanto às esculturas e à arquitetura, Anísio Franco lembrou que a representação da luta de Shiva com o touro enfurecido se assemelha ao Mosaico de seixos, que se encontra no Museu Nacional de Nápoles, representando “Alexandre na Batalha de Isso ou na Batalha de Gaugamela”.  E referiu as diversas influências que a arte da Índia projeta no período helenístico, mas também no próprio românico e gótico, sobretudo pensando nos animais fantásticos, nos híbridos e na representação simbólica do movimento. E se este paralelismo é apresentado, também Bárbara Assis Pacheco chama a atenção para o caráter inacabado de alguns grupos escultóricos e colunas, que aparecem apenas esboçados, mas não completos.

É a mitologia hindu em todo o seu esplendor. Os exemplos são múltiplos neste vasto campo nas margens do Índico. Arjuna, figura épica do Mahabarata é aqui referência, sendo representado com extrema elegância, num movimento circular extraordinariamente belo e perfeito. As cinco rathas, os sete pagodes de granito, de que hoje resta o “Shore Temple”, as mandapas de Krishna – tudo se encontra nestas margens do Índico, como testemunho de uma civilização antiga com a qual, ainda antes da chegada dos portugueses à Índia, os europeus tomaram intenso contacto e tiveram significativas influências…

E Bárbara lembrou com especial ênfase e entusiasmo o jantar magnífico num Hotel das Mil e Uma noites, digno dos melhores filmes de Bolliwood…

Crónicas de Anísio Franco e Bárbara Assis Pacheco:

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