Notícias

Ana Luísa Amaral (1956-2022)

Os poetas vão sempre mais longe: viajam sempre, no chegar e no partir.

Um Céu e Nada Mais

Um céu e nada mais — que só um temos,
como neste sistema: só um sol.

Ana Luísa Amaral

Quanta gratidão! por tão bem saberes que o poema não é um sonho.

Teresa Bracinha Vieira


O Centro Nacional de Cultura homenageia a grande amiga, que connosco esteve com grande generosidade, em diversas ocasiões, designadamente no Centenário de Sophia.

A Poeta recentemente galardoada com o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero Americana, deixou-nos esta sexta feira, tendo o seu livro “O Olhar Diagonal das Coisas” sido considerado, há dias, pelo CNC como uma das obras de referência do ano 2022.

Ana Luísa Amaral foi a terceira autora portuguesa a receber o prémio Rainha Sofia, depois de Sophia de Mello Breyner (2003) e Nuno Júdice (2013), e a quarta escritora lusófona a ser distinguida, numa lista que inclui o brasileiro João Cabral de Melo Neto (1994).

Nascida em Lisboa, em 5 de abril de 1956, a escritora e professora jubilada da Universidade do Porto, Ana Luísa Amaral vivia em Leça da Palmeira desde os 9 anos, tendo recebido múltiplas distinções ao longo da carreira, sendo das mais recentes o Prémio Vergílio Ferreira e o galardão espanhol Leteo. Ana Luísa Amaral, “uma das mais relevantes poetisas da atualidade”, aborda, na sua obra, traduzida para diversas línguas, “a memória e afirmação do feminismo português”, como considerou, no final do ano passado, o júri do prémio Vergílio Ferreira 2021, presidido pelo espanhol Antonio Sáez Delgado. Este considerou Ana Luísa Amaral ainda como “uma das mais importantes vozes das letras portuguesas das últimas três décadas”. Ana Luísa Amaral construiu “uma obra que se desdobra, em paralelo, na poesia (sede central do seu universo literário) através do teatro, do ensaio, da narrativa para adultos ou infantil e da tradução”, referiu o também professor da Universidade de Évora, no artigo centrado no mais recente livro da escritora portuguesa, “What’s in a Name”, em que a autora “retoma algumas das suas preocupações fundamentais”. A obra “habita um território poético que toma como elemento central a tensão entre a observação da realidade quotidiana e a capacidade de expressão e compreensão através da palavra escrita”, assinalou.

Também no ano passado, a associação das Livrarias de Madrid atribuiu-lhe o prémio Livro do Ano, na área de Poesia, pela publicação em Espanha de “What’s in a name”. Doutorada em Literatura Norte-americana pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde foi professora, tem dezenas de títulos de poesia publicados desde “Minha Senhora de Quê” (1990), para além de teatro e ficção, incluindo vários livros para a infância. A sua obra encontra-se traduzida e publicada em várias línguas e países, tendo obtido diversos prémios, como o Prémio Literário Correntes d’Escritas, o Premio Letterario Poesia Giuseppe Acerbi e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. Admiradora e estudiosa de Emily Dickinson, Ana Luísa deixa um lugar inesquecível na cultura da língua portuguesa. A sua obra poética tem sido editada em Portugal pela Assírio & Alvim.

O CNC apresenta sentidas condolências a familiares e amigos.

Subscreva a nossa newsletter