© Manuelvbotelho/ CC BY-SA 4.0
Morreu o Pintor Ricardo Cruz-Filipe, um dos pintores de referência da criação artística contemporânea. Cruz-Filipe licenciou-se em Engenharia pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, onde foi professor assistente. Iniciou a sua atividade artística em 1955, com trabalhos que recorrem à colagem de recortes com pintura sobre tela. Mais tarde, passou a utilizar telas fotossensíveis como suporte, em obras que apresentou pela primeira vez em 1970, na Galeria 111. Esta técnica, inicialmente usada na indústria publicitária, foi introduzida nos meios artísticos no âmbito do Pop norte-americano, nomeadamente pela mão de Andy Warhol, no início dos anos 60.
O Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian reúne diversas obras da autoria de Cruz Filipe, que teve um papel importante no processo de reprivatizações nos anos oitenta e noventa do século XX.
Entre outras obras, os quatro Mares da coleção do CAM foram realizados a partir de uma mistura de fotografia e pintura sobre tela fotossensível. Para produzir estes trabalhos, o artista recorta e monta fotografias – seja da sua autoria, seja provenientes de revistas ou jornais –, construindo uma composição através de um trabalho manual que remete para o universo cinematográfico. De seguida, fotografa esta montagem em negativo, a preto e branco, e transpõe-na para a tela fotossensível, extremamente absorvente. A tela, com a imagem fotográfica fixada, é por fim trabalhada com tinta acrílica.
Estas obras têm o mar como elemento principal. Dentro do mar, um outro mar, enquadrado por um retângulo, quadrado ou coluna, onde a linha do horizonte traça um elemento comum às quatro obras. Mas estas também partilham a efabulação, através da sobreposição de imagens que referenciam o real, de paisagens marítimas inexistentes, mas contudo próximas do nosso imaginário.
O Centro Nacional de Cultura apresenta sentidas condolências à família e amigos.



