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Edgar Morin – 105 Anos

A 8 de julho, Edgar Morin completaria 105 Anos

Na mensagem que nos deixou através de sua mulher, Sabah Abouessalan-Morin, pediu-nos a seus amigos que não celebrássemos o seu nascimento, mas a sua obra. Por isso, foi criada uma aplicação para partilha de testemunhos edgar-morin-8-juillet.netify.app.

Relendo e ouvindo Edgar Morin compreendemos que o humanismo significa o respeito e a consideração que qualquer ser humano merece. Vivemos na nossa aventura coletiva diversas crises: ambiental, económica, democrática e da mundialização. Contudo, as democracias têm perdido força. Um país como a China dispõe de meios tecnológicos que controlam os indivíduos e a sua vida, mercê das tecnologias de informação e do reconhecimento facial, numa lógica perigosa de domínio. Os ataques russos na Ucrânia traduzem-se em verdadeiros crimes de guerra. Importa devermos estar de sobreaviso com os países que cultivam um despotismo de fachada democrática. A mundialização levou ao surgimento do racismo, da intolerância, do medo das diferenças. As guerras em curso comportam grandes perigos para além das destruições, das mortes, dos massacres em todos os campos e do risco da destruição de recursos alimentares e agrícolas e do património cultural. Um novo conflito mundial está em curso. Assim, Edgar Morin afirmou nos últimos anos de vida que temos de saber escolher entre a barbárie e a solidariedade, compreendendo o diálogo entre “polemos”, o debate de ideias, “eros”, a importância do amor, e “tanatos”, a consciência da morte. Temendo o risco da regressão, acreditava no pensamento e na esperança que as ideias criadoras representam. E contar com o inesperado é também acreditar na prevalência da dignidade humana como fator de respeito e de paz.

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