A Europa Nostra, a principal rede europeia da sociedade civil dedicada ao património, representada em Portugal pelo Centro Nacional de Cultura, divulgou hoje a lista dos 7 locais patrimoniais mais ameaçados da Europa para 2026, no âmbito do seu Programa 7 Mais Ameaçados (7 Most Endangered), realizado com o apoio do Instituto do Banco Europeu de Investimento (BEI). Desde o seu lançamento em 2013, este programa baseado em nomeações tornou-se uma iniciativa fundamental da sociedade civil dedicada à preservação do património europeu em risco, atuando como um catalisador para mobilizar conhecimentos especializados, impedir desenvolvimentos inadequados e/ou garantir apoio público e privado, incluindo financiamento, entre outras formas de assistência. Cada caso incluído na lista final é elegível para receber uma subvenção do BEI no valor de 10 000 euros, destinada a apoiar ações de preservação. , a principal rede europeia da sociedade civil dedicada ao património, representada em Portugal pelo Centro Nacional de Cultura, divulgou hoje a lista dos 7 locais patrimoniais mais ameaçados da Europa para 2026, no âmbito do seu Programa 7 Mais Ameaçados (7 Most Endangered), realizado com o apoio do Instituto do Banco Europeu de Investimento (BEI). Desde o seu lançamento em 2013, este programa baseado em nomeações tornou-se uma iniciativa fundamental da sociedade civil dedicada à preservação do património europeu em risco, atuando como um catalisador para mobilizar conhecimentos especializados, impedir desenvolvimentos inadequados e/ou garantir apoio público e privado, incluindo financiamento, entre outras formas de assistência. Cada caso incluído na lista final é elegível para receber uma subvenção do BEI no valor de 10 000 euros, destinada a apoiar ações de preservação.
Esta é a lista dos 7 locais patrimoniais mais ameaçados da Europa para 2026:
- Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, Seixal, PORTUGAL
- Vila de Katapola e Cidade Antiga de Minoa, GRÉCIA
- Moinho de água de Fábri, Feked, HUNGRIA
- Complexo industrial Blower Hall, Esch-sur-Alzette, LUXEMBURGO
- Quartel Britânico em Fort Chambray, Gozo, MALTA
- Igreja de Sântămăria Orlea, ROMÉNIA
- Fábrica de cerveja Weifert, Pančevo, SÉRVIA
A lista deste ano inclui uma grande variedade de sítios patrimoniais – desde as ruínas de uma cidade antiga na Grécia até uma estrutura monumental do património industrial do início do século XX no Luxemburgo – que enfrentam grandes desafios, tais como projetos de desenvolvimento inadequados, negligência ou falta de financiamento. Os 7 sítios foram selecionados com base na sua importância europeia e no seu valor cultural e social, bem como no grave perigo que enfrentam. O nível de envolvimento das comunidades locais e/ou o empenho das partes interessadas públicas e privadas em salvar estes locais foram considerados como um valor acrescentado crucial. Outro critério de seleção foi o potencial de cada um dos locais para atuar como motor do desenvolvimento socioeconómico sustentável.
Após o Convento de Jesus em Setúbal ter feito parte, em 2013, da lista da primeira edição dos 7 mais ameaçados, Portugal integrou em 2014 a segunda edição do programa com os Carrilhões do Palácio Nacional de Mafra e torna agora, em 2026, a integrar a lista final do programa com mais um local em risco, desta vez um excecional conjunto de património industrial.
Os 7 locais foram selecionados pela Direção da Europa Nostra entre os catorze casos de património em risco previamente pré-selecionados pelo Painel Consultivo do Programa 7 Mais Ameaçados. As nomeações para o Programa 7 Mais Ameaçados 2026 foram feitas por organizações públicas e privadas ativas no domínio do património ou por membros individuais dessas organizações, provenientes de um Estado-Membro do Conselho da Europa, com o apoio de uma Organização Membro ou Associada da Europa Nostra.
A lista dos 7 Mais Ameaçados de 2026 foi revelada num evento online que contou com a participação de representantes de alto nível da Europa Nostra, do Instituto BEI e da Comissão Europeia, bem como dos proponentes e representantes dos locais incluídos na lista.
O vice-presidente da Europa Nostra, Guy Clausse, afirmou: «Ao listar os locais patrimoniais mais ameaçados da Europa, a Europa Nostra reforça o seu compromisso em garantir que a preservação do património não só honra o passado mas também contribui ativamente para a construção de comunidades mais sustentáveis, inclusivas e democráticas em todo o nosso continente. O património cultural e natural deve ser reconhecido como uma força viva que impulsiona o crescimento, a sustentabilidade e a coesão e, por conseguinte, deve ser colocado no centro das estratégias, das políticas e dos orçamentos europeus.”
Os especialistas que representam a Europa Nostra, incluindo antigos quadros do BEI que se voluntariam para apoiar o Programa dos 7 Mais Ameaçados, juntamente com as organizações e indivíduos que nomearam os 7 locais selecionados, formarão equipas dedicadas a cada local. Estas equipas irão recolher informações, reunir-se com as principais partes interessadas e realizar missões no local para avaliar as condições no terreno. As conclusões serão apresentadas num relatório com recomendações de ação e apoiarão o desenvolvimento de um projeto personalizado para cada local, a ser implementado nos próximos dois anos com o apoio da subvenção do BEI para o património, marcando o início de uma cooperação a longo prazo com as partes interessadas locais.

Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, Seixal, Portugal
A Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços é um dos conjuntos de produção de pólvora negra mais completos e autênticos da Europa e encontra-se hoje num ponto de viragem crítico. Localizado no município do Seixal, numa zona altamente urbanizada a sul de Lisboa, na margem esquerda do estuário do rio Tejo, o sítio, com 13,4 hectares, preserva um conjunto excecional de edifícios industriais, maquinaria e infraestruturas instaladas entre o final do século XIX e o início do século XX. Tendo-se mantido em funcionamento até 2002, alimentada a vapor ao longo de toda a sua vida útil, a fábrica representa um caso raro de extraordinária longevidade industrial. Apesar de estar classificada como Monumento de Interesse Público com Zona de Proteção Especial, enfrenta atualmente uma deterioração estrutural significativa, alvo de vandalismo e ameaçada por vegetação descontrolada, fatores que colocam este conjunto único — incluindo a sua maquinaria insubstituível — em sério risco, tornando essencial uma ação urgente e coordenada para garantir o seu futuro e o seu potencial como modelo de reutilização pós-industrial sustentável.
A Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços distingue-se pela excecional preservação do seu património móvel integrado in situ, de que se destaca uma máquina a vapor e as suas caldeiras, que forneciam energia através de um sistema de transmissão por cabo aéreo com mais de 515 metros de extensão, a oito oficinas especializadas dedicadas às sucessivas fases da produção de pólvora negra, cada uma delas conservando a sua maquinaria original.
O conjunto inclui também uma oficina de carbonização, um secador solar, um poço, armazéns e paióis, e uma linha férrea tipo Decauville, da qual dois terços sobrevivem in situ. A sua disposição arquitetónica e tecnológica reflete os rigorosos princípios de segurança inerentes ao fabrico de pólvora negra, com edifícios dispersos separados por zonas tampão arborizadas que hoje constituem uma área de importância ecológica. O sítio patrimonial, rodeado por zonas de desenvolvimento urbano em expansão, acolhe uma biodiversidade significativa, com 682 espécies inventariadas desde 2020. A combinação do carácter industrial do sítio com o seu valor ambiental torna-o particularmente distinto no panorama do património pós-industrial da Europa.
Apesar da sua autenticidade excecional, a fábrica enfrenta sérias ameaças. Décadas de envelhecimento dos materiais, explosões acidentais no passado, intervenções estruturais insuficientes e manutenção irregular levaram a uma deterioração generalizada.
O colapso dos telhados, as fissuras estruturais das paredes, a infiltração de humidade e a corrosão dos materiais colocam agora em risco tanto os edifícios como as máquinas, em particular na central energética e nas oficinas históricas. Episódios de vandalismo, danos causados por incêndios e inundações e crescimento descontrolado da vegetação invasora agravaram ainda mais a situação, colocando este conjunto único em risco crítico.
As autoridades públicas locais e as instituições culturais têm desempenhado um papel decisivo na salvaguarda da Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços. A iniciativa de preservar a fábrica foi liderada pela Câmara Municipal do Seixal, de início em cooperação com o antigo proprietário privado, permitindo a transferência do património móvel integrado para a propriedade pública e a sua incorporação no Ecomuseu Municipal do Seixal. O Ecomuseu também desenvolveu parcerias de investigação nacionais e internacionais e projetos de valorização da biodiversidade, nomeadamente com a Associação Vita Nativa.
O Painel Consultivo do Programa 7 Mais Ameaçados afirmou: «A Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços possui um significado tecnológico, histórico e ambiental excecional. Como um ecossistema industrial raro, preserva maquinaria original e uma história social rica que documenta a transição da energia a vapor para a química moderna. No entanto, o estado de deterioração do seu património estrutural e mecânico requer uma intervenção urgente e sistemática. Para além da preservação local, o conjunto fabril oferece um imenso potencial para ser integrado na região de Lisboa e do Vale do Tejo, tirando partido do desenvolvimento pós-industrial e orientado para a cultura que está atualmente a revitalizar toda a bacia de Lisboa.»
O Centro Nacional de Cultura, organização membro da Europa Nostra, nomeou a Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços para o Programa 7 Mais Ameaçados 2026 e apoia uma estratégia abrangente centrada na reabilitação arquitetónica, musealização e integração do local segundo um planeamento abrangente urbano e ambiental.


