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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

José Carlos de Vasconcelos vence Prémio Vasco Graça Moura

José Carlos Vasconcelos, de 76 anos, distinguido com o Prémio Vasco Graça Moura - Cidadania Cultural, foi apontado pelo júri do galardão como "um raro exemplo de persistência na imprensa portuguesa de âmbito cultural".

O júri presidido por Guilherme d’Oliveira Martins, foi ainda constituído por Maria Alzira Seixo, José Manuel Mendes, Manuel Frias Martins, Maria Carlos Gil Loureiro, Liberto Cruz e, ainda, por José Carlos Seabra Pereira, em representação da editora Babel e Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, pela Estoril Sol.

Vasconcelos, natural de Freamunde, no concelho de Paços de Ferreira, iniciou cedo a atividade jornalística e cultural na Póvoa de Varzim e, em 1960, publicou o primeiro livro de poemas. Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra, onde se destacou como dirigente associativo. Enquanto universitário foi presidente da assembleia magna da Associação Académica, chefe de redação da Via Latina, fundador e presidente do Círculo de Estudos Literários, ator no Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra, membro da direção do cineclube local e chefe de redação da revista Vértice.

Terminada a licenciatura em Direito, Vasconcelos ingressou na redação do Diário de Lisboa, foi dirigente sindical e presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa.

"Como advogado, defendeu presos políticos e jornalistas", adiantou fonte da Estoril Sol, que promove o galardão, em parceria com o grupo editorial Babel. Após o 25 de Abril de 1974, José Carlos Vasconcelos fez parte da direção do Diário de Notícias e da direção de informação da RTP, onde fez o programa literário Escrever É Lutar.

Foi um dos fundadores do semanário O Jornal e seu diretor, assim como da revista Visão, da qual fez parte da direção editorial, presidiu à assembleia geral do Sindicato e do Clube dos Jornalistas, assim como à direção deste último.

"De salientar que participou em iniciativas cívicas contra a ditadura [anterior ao 25 de Abril de 1974] e, após a revolução de Abril, fez parte da Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista. Foi deputado à Assembleia da República e presidiu à Comissão Parlamentar Luso-Brasileira", disse a mesma fonte.

Entre os vários organismos aos quais pertenceu, refira-se a Comissão de Honra dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil, o conselho geral da Fundação Calouste Gulbenkian e o Conselho das Ordens Honoríficas Nacionais, foi comissário do Encontro Internacional Língua Portuguesa, promovido pela União Latina.

Atualmente faz parte do conselho geral da Universidade de Coimbra, dos conselhos consultivos para a Língua Portuguesa da Fundação Gulbenkian e do Instituto Camões, e é sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa.

Vasconcelos publicou dez livros de poesia, três infanto-juvenis, um de entrevistas chamado Conversas com José Saramago e outro intitulado Lei de Imprensa/Liberdade de Imprensa.

O poeta, jurista e jornalista recebeu já "todos os prémios de carreira do jornalismo português" e o Prémio Cultura, da Fundação Luso-Brasileira.

O Prémio Vasco Graça Moura - Cidadania Cultural, no valor de 40.000 euros, é uma iniciativa da Estoril Sol, em parceria com o grupo editorial Babel e é conhecido no dia em que o poeta e ensaísta completaria 75 anos. No ano passado, o distinguido foi o ensaísta Eduardo Lourenço.

 

Notícia in jornal Público | 4 de janeiro de 2017

Foto: CM Póvoa de Varzim