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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

UM LIVRO POR SEMANA

Timothy Garton Ash lançou em Lisboa a tradução do seu livro “Free World – a América, a Europa e o Futuro do Ocidente” (Alêtheia, 2006). Num momento de encruzilhada e de muitas dúvidas, o professor da Universidade de Oxford, que há um pouco mais de dez anos participou entre nós nos Encontros Internacionais de Sintra, vem lançar um conjunto de pertinentes desafios a fim de que a Europa possa desempenhar um papel importante na cena internacional como factor de paz, de equilíbrio e de desenvolvimento.

UM LIVRO POR SEMANA
De 15 a 21 de Maio de 2006

Timothy Garton Ash lançou em Lisboa a tradução do seu livro “Free World – a América, a Europa e o Futuro do Ocidente” (Alêtheia, 2006). Num momento de encruzilhada e de muitas dúvidas, o professor da Universidade de Oxford, que há um pouco mais de dez anos participou entre nós nos Encontros Internacionais de Sintra, vem lançar um conjunto de pertinentes desafios a fim de que a Europa possa desempenhar um papel importante na cena internacional como factor de paz, de equilíbrio e de desenvolvimento. Longe das terríveis simplificações, como a perigosa profecia do “choque das civilizações”, Garton Ash vem-nos dizer que a Europa tem de compreender exactamente o curso dos acontecimentos e as novas ameaças. E não pode confundir-se com um “clube cristão”, devendo ser fiel à antiga tradição de encontro e de diálogo. Precisamos de muçulmanos europeus, como da componente laica, tanto como dos cristãos, dos judeus. Numa “sociedade aberta” é urgente a participação activa dos cidadãos (e a Internet deve ser bem aproveitada) e que se façam ouvir vozes calmas, moderadas, com sentido de equilíbrio. A tirania dos “sound-bites” é inimiga da racionalidade e do bom senso. Infelizmente, muita gente prefere fazer previsões irresponsáveis, de quanto pior melhor, para depois dizer que teve um papel profético, esquecendo-se da renúncia própria a uma acção positiva e humanizadora, apenas contribuindo para a multiplicação dos erros e dos disparates. O “mundo livre” exige liberdade e sentido de responsabilidade, o que obriga a que haja cooperação e compromisso cívico. Ora, o terrorismo, a fome e a miséria, a destruição do meio ambiente, as diversas ameaças à paz, as migrações, a emergência das novas economias asiáticas, a dependência energética exigem cooperação e planeamento a médio e longo prazos. Daí a necessidade de mais vontade política europeia e da importância de uma reaproximação consistente e honesta entre os Estados Unidos e a Europa. Como disse um dia Kennedy a Monnet, é indispensável seguir a lógica de uma parceria entre iguais – é uma questão de atitude que tem de ser cumprida e respeitada. Timothy Garton Ash criticou severamente a “aventura iraquiana” e o tempo tem-lhe dado razão e insiste na importância de um projecto europeu sólido e aberto, com envolvimento britânico. Com Raymond Aron, defende que os intelectuais devem envolver-se na vida pública como “espectadores comprometidos”. E, como historiador, considera ser indispensável que sejam abertos caminhos de interpretação e de evolução, mais do que tentar fazer previsões, sempre com a cautela de evitar a cegueira das perspectivas sectárias. E há dias afirmava que, num continente com muitos países pequenos, se torna indispensável fazer funcionar a partilha de soberanias, a coordenação cosmopolita e a interdependência, levando esses Estados a pensar grande, para além do imediato e das preocupações provincianas…

Guilherme d'Oliveira Martins