Os Portugueses ao Encontro da sua História

Fernão de Magalhães: Uruguai, Argentina e Chile

No âmbito do Ciclo “Os portugueses ao encontro da sua História”, o CNC organiza, de 28 de novembro a 12 de dezembro próximos, uma viagem ao Uruguai, Argentina e ao Chile.

:: 28 NOV a 12 DEZ 2020
Guia: Fernando António Baptista

Navegare necesse est,
vivere non est necesse

Assinalando os 500 anos da expedição de Fernão de Magalhães, que mudou o mundo para sempre com a primeira viagem de circum-navegação do globo, o CNC propõe uma viagem ao Uruguai, Argentina e ao Chile, navegando pelo Estreito de Todos os Santos, ou Estreito de Magalhães. Acompanhados por Fernando António Baptista Pereira, pretendemos celebrar a maior e mais significativa viagem marítima alguma vez feita, visitando Montevideu e Colónia do Sacramento, atravessando o rio da Prata para Buenos Aires e viajando para Sul, percorrendo a costa da Patagónia, até Porto Desejado, Porto de San Julian e Punta Arenas, pelo Estreito de Magalhães. Terminaremos evocando Neruda e Gabriela Mistral em Santiago do Chile.

(…) Desde o início que Magalhães, ao procurar anexar as novas províncias, recorreu preferencialmente ao trato cordial e aos acordos do que ao sangue a à violência. Em comparação com todos os outros conquistadores da sua época, nada há que confira uma superioridade moral tão invulgar à figura de Magalhães como essa sua vontade inabalável de humanidade. Pessoalmente, Magalhães era de uma natureza agreste dura, e manteve a frota sob uma disciplina férrea, sem contemplações nem indulgência, – o seu comportamento durante o motim comprovou-o. Mas embora fosse implacável, deve ser-lhe feita justiça por nunca ter sido cruel; a sua memória não se viu desonrada por nenhuma daquelas barbaridades que mancharam para sempre os grandes feitos de um Cortez ou de um Pizarro, como a queima dos cassiques e a tortura dos Goatamozin; o seu triunfo não foi aviltado por nenhum perjúrio, contrariamente aos outros conquistadores que se consideravam totalmente autorizados a faltar à palavra dada, tratando-se dos “pagãos”. Até à hora da sua morte, Magalhães observou estrita e lealmente qualquer pacto estabelecido com qualquer chefe indígena; esta integridade foi a sua melhor arma, e ficará para sempre a sua maior glória. (…)

In “Magalhães – o homem e o seu feito”, de Stefan Zweig, Assírio & Alvim

“O elogio de Fernão de Magalhães pelo grande escritor Stefan Zweig só peca por fazer sistematicamente a sua comparação com os conquistadores espanhóis. Ele não é um conquistador de territórios como Pizarro ou Cortéz. Associando a sua formação ao lado de Albuquerque, no Oriente, como navegador e comandante de frotas e de homens, ele é, sobretudo, um Descobridor de novas rotas, aquele que coroa esse Ciclo notável, iniciado no século anterior no Atlântico e prosseguido no Índico, com o reconhecimento do Estreito que tomaria o seu nome e com a travessia do Pacífico à primeira! Chegado às Filipinas, onde um infeliz recontro com os locais o vitimou, a viagem de descobrimento estava completada, o regresso foi feito por rotas conhecidas…
Esta viagem vai procurar revisitar e experienciar essa travessia do Estreito, conhecer as culturas com as quais a expedição contactou e finalmente entrever o Oceano que Magalhães atravessou logo à primeira!”

Fernando António Baptista Pereira

Programa completo brevemente disponível.
Pode manifestar o seu interesse nesta viagem através do e-mail info@cnc.pt

As viagens Magalhânicas do CNC continuarão em AGO/SET de 2021 em direção ao Oriente.


Ciclo Os Portugueses ao Encontro da sua História

Nestas viagens – que decorrem desde 1985 – o objetivo é ir ao encontro dos vestígios dos séculos XVI e XVII deixados pelos portugueses pelo mundo fora, realizando na atualidade novas formas de relacionamento com base nessa história comum. Contam sempre com o acompanhamento de um especialista na área da História e com um criador cultural da área da literatura ou das artes visuais.

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