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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
UM LIVRO POR SEMANA
Hoje falo de um livro e de um filme. A obra clássica que refiro, um livro de contos de Camillo Boito (1836-1914), foi publicada em 1883 com título “Senso e Altre Storielle Vane” (Garzanti Libri, 1990) e foi com base nela que Luchino Visconti realizou uma das suas obras-primas e uma das grandes referências da história do cinema. Quando, há tempos, num documentário sobre João Bénard da Costa me pediram para escolher um filme lembrei-me dessa extraordinária representação de Alida Valli… Filmes inesquecíveis?
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UM LIVRO POR SEMANA
“Em Busca da Lisboa Árabe” da autoria de Adalberto Alves (CTT, Correios, 2007) é um roteiro que permite tomarmos contacto com as reminiscências árabes de uma cidade cuja história só pode ser compreendida pela consideração dessa influência marcante. E é muitas vezes surpreendente verificar em que medida encontramos marcas e sinais que permitem demonstrar como o “cadinho” cultural português abarca uma grande diversidade de factores e elementos, entre os quais avultam as componentes cristã, muçulmana, moçárabe e judaica.
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UM LIVRO POR SEMANA
“Os Vencidos da Vida” (Fronteira do Caos, 2006) é uma antologia de textos de e sobre onze personalidades marcantes da vida nacional que nos últimos doze anos do século XIX se evidenciaram na tentativa de regeneração de Portugal. Normalmente, o seu exemplo é apontado como um sinal de desalento e de impossibilidade, mas se nos ativermos aos elementos mais marcantes do grupo – Eça de Queiroz, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão – poderemos verificar que há, no essencial, uma recusa de fatalismo e de qualquer ideia de condenação inexorável e trágica do país ao atraso.
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UM LIVRO POR SEMANA
Em “Valsas nobres e sentimentais” de Frederico Lourenço (Cotovia, 2007) estamos diante de uma reunião de crónicas extraordinariamente estimulantes. Com inteligência e humor, podemos usufruir de testemunhos e reflexões, desde a música ao modo de dizer, passando pela literatura e pelos escritores e, naturalmente, pela antiguidade clássica.
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UM LIVRO POR SEMANA
Hoje referimo-nos a Jan Patocka (1907-1977), um dos grandes filósofos checos do século XX, cujo centenário ocorre dentro de dias, a propósito de um conjunto de doze ensaios publicados sob o título «L’Écrivain, son ‘objet’» (Presses Pocket, 1992). Nascido em Turnov, viveu a maior parte da sua vida de estudioso, como um dos mais fecundos seguidores da escola fenomenologista, na cidade de Praga, com excepção de curtos períodos em Paris, no final dos anos vinte, e em Berlim e Friburgo no início da década de trinta.
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UM LIVRO POR SEMANA
“Ser Professor” de Rómulo de Carvalho, organizado por Nuno Crato (Gradiva, 2006) é uma antologia de textos de pedagogia e didáctica que merece ser lida com especial atenção por todos, a começar pelos educadores. Num tempo em que há muitas dúvidas sobre o ensinar e o aprender, em virtude de haver mudanças radicais no mundo que nos cerca e nas responsabilidades das escolas, é fundamental ouvir um professor experimentado, com uma forte preocupação com o rigor e a exigência, a dizer-nos que a relação entre quem ensina e aprende apenas pode ser eficaz se houver trabalho, disciplina e clareza nos objectivos e nos métodos.
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UM LIVRO POR SEMANA
“Corte na Aldeia” (1619) de Francisco Rodrigues Lobo é uma obra na qual se retrata a situação vivida em Portugal durante a união pessoal com a Espanha (em ebook *). De um modo subtil mas nítido, o autor faz sentir aos leitores do seu tempo a subalternidade a que os portugueses de facto estavam votados em virtude de a independência ser, cada vez mais, apenas formal. Rodrigues Lobo era natural de Leiria, onde nasceu em data incerta, à volta de 1580, devendo ter tido ascendência judaica.
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UM LIVRO POR SEMANA
“Unicórnio, Etc.” foi publicado por ocasião da recente mostra documental da Biblioteca Nacional (2007) sobre as chamadas “antologias de inéditos de autores portugueses contemporâneos” organizadas por José-Augusto França entre 1951 e 1956. Era, naturalmente, uma revista, mas a necessidade de trocar as voltas à censura (“de um país não-legal”) levou o seu principal animador a usar esse subterfúgio de falar de “antologias” e de mudar de título todos os números (“por ideia macaca, de manguito às instituições”), com periodicidade aliás propositadamente irregular. O volumezinho, agora dado à estampa, recorda uma iniciativa que merece especiais atenções.
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