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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
“Vozes Íntimas” de António Osório (Assírio e Alvim, 2008) é um conjunto de tocantes invocações, sempre poéticas, dotadas de lucidez e de uma especial hospitalidade. Reencontramos em cada página, em cada linha, o poeta que bem conhecemos – permanente interrogador sobretudo das pessoas. Aliás, este livro é uma obra com pessoas e recordações. E logo na dedicatória, sente-se que a memória é a matéria-prima fundamental que vamos encontrar. Heliodoro Caldeira, António Bustorff Silva, Joel Serrão e Francisco de Albuquerque Veloso estão bem presentes, vivos, fonte de exemplo e de experiência, que António Osório quis destacar, apresentando-os nesta sentida visita ao Santo dos Santos da sua existência.
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A VIDA DOS LIVROS
“Humberto Delgado – Biografia do General Sem Medo” da autoria de Frederico Delgado Rosa (Esfera dos Livros, 2008) passa a ser uma obra de referência não apenas quanto à figura do General Delgado, mas também relativamente à compreensão do Estado Novo, especialmente no seu período final. Com efeito, a candidatura presidencial de 1958 e o que se segue permitem compreender aspectos importantes do regime surgido em 1926 e do seu desenvolvimento: o carácter heterogéneo do movimento inicial, a sua ambiguidade, a tensão entre isolamento e abertura potenciada pela Segunda Grande Guerra, a influência norte-americana, o atlantismo, a necessidade de tirar consequências da vitória dos aliados, os efeitos da modernização, as divisões no seio do Estado Novo e as contradições da oposição…
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A VIDA DOS LIVROS
“Portugal e os Portugueses” da autoria do actual Bispo do Porto, Manuel Clemente, (Assírio e Alvim, 2008) é constituído por um conjunto de ensaios, escritos em alturas e períodos diferentes, que formam um todo coerente, ao longo do qual temos oportunidade não só de tomar contacto com um especialista consagrado em história religiosa, mas também para procurar responder às velhas questões sobre identidade, memória e futuro – sobre o que há muitos contributos e dúvidas que convirá aprofundar. As interrogações têm pelo menos mil anos. Quem somos, como povo e como pessoas? Que relação temos com Portugal? E se essa relação é normalmente difícil, a verdade é que nos deparamos a cada passo com a comparação histórica, com distância geográfica dos centros, com o confronto entre as ilusões e as desilusões, com a ironia e o remorso.
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“Culture et Barbárie Européennes” (Bayard, 2005) de Edgar Morin é um livro constituído por três conferências proferidas na Biblioteca Nacional François Mitterrand de Paris sobre o fenómeno da barbárie no mundo contemporâneo, ao longo das quais o pensador fala dos perigos que nos espreitam, concluindo que “nada é irreversível e as condições democráticas humanistas devem sempre regenerar-se, sob pena de degenerarem. A democracia tem necessidade de se recriar em permanência. Daí que contribuir para regenerar o humanismo obrigue a pensar a barbárie. E por isso a resistir-lhe”. Mas, resistir à barbárie obriga a estarmos de sobreaviso, sem cair na tentação fácil de considerar que a liberdade e a democracia, a paz e a felicidade são realidades definitivamente adquiridas. Não são. E o certo é que a indiferença cívica, o egoísmo, o comodismo, o conformismo e o imediatismo podem dar origem a condições que conduzem à decadência.
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O número 21 da revista “Relâmpago” (Outubro de 2007, dir. Paulo Teixeira) insere um importante dossiê sobre Jorge de Sena (1919-1978), quando se completam, em Junho próximo, trinta anos depois do seu falecimento. Trata-se de uma justa invocação que a revista da Fundação Luís Miguel Nava faz com o objectivo de recordar um dos grandes poetas portugueses que, no século XX, teve “um pensamento forte acerca do fenómeno poético”, num momento “em que parece acentuar-se uma espécie de comprazido e confortável conformismo em relação ao que alguns entendem ser uma perda de importância da poesia no espaço público”. Ora, quem conhece a obra e a personalidade de Sena, sabe bem que a necessidade de combater a tendência para a acomodação esteve sempre na primeira linha das preocupações do poeta e ensaísta. Daí que a fidelidade a esse espírito mereça atenção.
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“O Padre António Vieira e as Mulheres – O Mito Barroco do Universo Feminino” (Campo das Letras, 2008) da autoria de José Eduardo Franco e de Maria Isabel Morán Cabanas analisa, de um modo contrastante e com sereno rigor, as representações da mulher nos “Sermões” do pregador seiscentista. A um tempo, encontramos não só considerações nitidamente influenciadas pelo espírito do tempo, mas também, para além delas, observações que nos fazem pensar, e que colocam o Padre António Vieira numa atitude que se demarca dos lugares comuns da sua época e que projecta um entendimento que vai ao encontro do valor universal da dignidade da pessoa humana. Se olharmos a enumeração dos temas da obra, podemos facilmente ver que o sermonista procura, antes de mais, uma identificação com os destinatários da sua oratória.
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“A Escola do Paraíso” de José Rodrigues Miguéis (1901-1980), cuja 1ª edição saiu a lume no ano de 1960 (edição actual da Estampa), é um romance autobiográfico, onde o autor invoca as suas raízes lisboetas. Nasceu na Rua da Saudade, em Alfama, e descreve com mestria o ambiente de um país e de uma cidade (do início do século passado) de contrastes, de incertezas, de disparidades e injustiças. Apesar de cedo ter emigrado para a Bélgica primeiro, e depois para Nova Iorque, Miguéis nunca deixou as fortes recordações das suas origens, que descreve como ninguém e que o levaram a dizer que essa era a maneira “de continuar a viver em Portugal sem lá estar”. Infelizmente, o grande romancista parece esquecido, apesar de a sua obra e o seu exemplo cívico serem dos mais significativos no panorama cultural português do século XX. Com efeito, basta lermos o que escreveu, para percebermos bem que estamos perante um dos nossos autores formal e substancialmente mais ricos.
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“Convergências e Afinidades – Homenagem a António Braz Teixeira” (Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa e Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 2008) é constituído por um conjunto de sessenta e três textos de diversa índole, onde é analisado o lugar do pensamento filosófico na cultura portuguesa, a partir do magistério e da influência de António Braz Teixeira. Trata-se de um volume de dimensões apreciáveis (968 páginas) que, pela riqueza dos contributos, passa a constituir um precioso auxiliar para quem queira conhecer uma componente significativa do pensamento português contemporâneo.
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