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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
“Antero de Quental – Fotobiografia” de Ana Maria Almeida Martins (Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2008) é uma obra elaborada com um grande cuidado no conteúdo, no grafismo e na escolha iconográfica, permitindo conhecer melhor não só a vida e a personalidade do grande poeta dos “Sonetos” mas também a geração de que foi mentor. Estamos perante uma feliz revisão do livro publicado há vinte anos (1986), e agora ampliado, sendo de realçar a descoberta de novas fotografias de Antero, nas quais encontramos o magnetismo e o carisma do extraordinário poeta micaelense. Deve dizer-se, aliás, que, na nova obra, aparece a aura do biografado com muito maior intensidade e as novas descobertas sobre a sua biografia são devidamente enquadradas e apresentadas, a benefício de um melhor conhecimento da época e das suas personagens marcantes.
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“A Leitura Infinita – Bíblia e Interpretação” (Assírio e Alvim, 2008) de José Tolentino Mendonça é uma reunião de ensaios sobre teologia e exegese bíblicas que, longe de ser um conjunto hermético e dificilmente compreensível para o leitor comum, é uma agradável oportunidade para uma reflexão não apenas religiosa, mas também sobre as raízes da nossa civilização. Se é certo que há uma perigosa ignorância sobre a razão de ser de muitas atitudes e valores culturais ligados à sociedade e à história em que vivemos e de que somos fieis depositários, não é menos verdade que estamos confrontados com o desafio necessário e obrigatório de sabermos mais sobre de onde vimos e para onde vamos como sociedade e como cultura. E esta obra permite-nos tomar contacto com um manancial muito rico de elementos, servidos por uma escrita extraordinariamente clara e belíssima, que nos permitem saber muito do que devemos saber, muito para além da superficialidade com que tantas vezes somos servidos, em domínios tão sérios como estes…
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“Maomé, o Islão e o Extremismo Islamita – As Sementes” de Francisco Corrêa Guedes (Edições For, 2008, com Prefácio de Manuel de Lucena) é um estudo de história e de estratégia, que se debruça sobre um tema difícil, que aqui é tratado com serenidade e rigor, mas sem a tentação de iludir os temas e os problemas, que a cada passo se levantam. Muitas vezes existe ou receio na abordagem do assunto ou desconhecimento dos complexos pressupostos em que assenta. Na circunstância, o autor deste pequeno livro sentiu necessidade de reunir informação fidedigna e conseguiu chegar a um resultado que se revela de grande utilidade quer para leigos quer para especialistas.
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Cento e vinte anos depois do nascimento de Fernando Pessoa (1888-1935) podemos dizer que o autor dos heterónimos se tornou um mito cultural na Europa contemporânea. Apesar de ter morrido praticamente esquecido, o certo é que se impôs, de um modo fulgurante e surpreendente, como um símbolo e um intérprete excepcional e fidelíssimo de um século paradoxal de violências e suspeitas. Hoje escolhemos o “Livro do Desassossego” de Bernardo Soares (Edição de Richard Zenith, Assírio e Alvim, 1998) como pretexto para uma glosa que pretende interpretar a razão de ser deste carisma póstumo, que tornou Pessoa hoje, surpreendentemente, porventura mais vivo do que quando existiu fisicamente.
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O "Diário" de Etty Hillesum (1914-1943) acaba de ser editado entre nós pela Assírio e Alvim (2008, tradução do holandês de Maria Leonor Raven-Gomes). Trata-se de um livro surpreendente, escrito por uma holandesa de origem judaica, que partilha connosco a sua experiência humana (desde os afectos até um intenso misticismo). João Bénard da Costa acaba, aliás, de dizer (e com inteira razão) que este é o livro mais importante saído em Portugal este ano. Inserido na nossa bem conhecida colecção Teofanias, coordenada por José Tolentino Mendonça, este testemunho revela-nos uma mulher emancipada e livre, de uma grande sensibilidade, como afirmou Primo Levi, que exprime com uma perturbadora lucidez os sentimentos de quem se vai aproximando, pelo gosto da vida, do limiar da morte num tempo em que a barbárie dos “campos de trabalho” e o genocídio se contrapunham à civilização. E é esse caminho trágico e extraordinário que o diário nos apresenta.
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“Rituais de Apaziguamento – Escritos sobre Relações Internacionais” de Luís Moita (Universidade Autónoma de Lisboa, 2008) é um conjunto de textos que cobrem duas décadas, de 1985 a 2007, desde os tempos do CIDAC até à intervenção cívica e à vida académica mais recentes do autor. E há quatro domínios a considerar: “em busca de um sentido para a globalidade”, “as guerras já não se ganham?”, “notas dispersas” e “recuperar a memória dos anos oitenta”. E assim encontramos leituras da vida internacional por parte de quem reflecte sobre os acontecimentos fora da perspectiva resignada da correlação de forças ou da realpolitik, dando aos princípios um papel crucial.
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“Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa (1949-1997)” da autoria de Miguel Real (Quidnovi) foi lançado no dia de anos do autor de “Labirinto da Saudade” e de “Portugal como Destino” e constitui uma excelente oportunidade para recordarmos um percurso intelectual complexo e para reflectirmos sobre a sua influência na nossa cultura. E o certo é que importa ler Eduardo Lourenço, aceitando os seus desafios exigentes, seguindo o seu percurso heterodoxo e aprendendo a entender melhor Portugal como identidade difícil e heterogénea.
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“Vozes Íntimas” de António Osório (Assírio e Alvim, 2008) é um conjunto de tocantes invocações, sempre poéticas, dotadas de lucidez e de uma especial hospitalidade. Reencontramos em cada página, em cada linha, o poeta que bem conhecemos – permanente interrogador sobretudo das pessoas. Aliás, este livro é uma obra com pessoas e recordações. E logo na dedicatória, sente-se que a memória é a matéria-prima fundamental que vamos encontrar. Heliodoro Caldeira, António Bustorff Silva, Joel Serrão e Francisco de Albuquerque Veloso estão bem presentes, vivos, fonte de exemplo e de experiência, que António Osório quis destacar, apresentando-os nesta sentida visita ao Santo dos Santos da sua existência.
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