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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
01 Set 2008 - “Cidades e Paisagens” de Jaime Magalhães de Lima (Porto, 1889) é hoje recordada no momento em que partimos para a “embaixada cultural” à Polónia e à Rússia. Singularmente, o ciclo “Os Portugueses ao Encontro da Sua História” vem à Europa Oriental, com que temos relações antigas, desde que os nossos comerciantes se estabeleceram na Flandres e no Mar do Norte, chegando ao contacto da Liga Hanseática e dos povos do Oriente europeu. Em Cracóvia de Copérnico, sentiu-se desde cedo a influência de matemáticos portugueses, como Pedro Nunes, na corte de S. Petersburgo afirmou-se o célebre Doutor António Ribeiro Sanches, junto de CatarinaII, a Grande. Mas, por todos, lembramos um texto muito significativo, uma carta de admiração e de afecto, de Jaime Magalhães de Lima ao seu mestre Lev Tolstoi.
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25 Ago 2008 - “Histórias do Bom Deus” de Rainer Maria Rilke (tradução de Sandra Filipe, edições Quasi, 2008) é uma reunião de textos autónomos e encadeados, escritos por um dos grandes artistas da literatura europeia dos alvores do século XX. Trata-se de uma obra-prima de génio e subtileza. Esta publicação insere-se numa iniciativa de férias de grande mérito do “Diário de Notícias”, de apoio à leitura, abrangendo pequenas obras (com cerca de cem páginas) de autores referenciais como Cervantes, Tolstoi, Dostoievski, Tchekov, Kafka, Dickens, Wilde, Flaubert ou Conrad e muitos outros. Num tempo em que, muitas vezes, não há cuidado suficiente com a qualidade das obras distribuídas gratuitamente com os jornais, merece especial elogio esta colecção pelo equilíbrio, interesse e exigência postos nela pelos seus organizadores editoriais. E o sentido educativo é evidente, estando ao alcance de jovens e adultos.
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18 Ago 2008 - A publicação do primeiro volume das “Obras Completas” de Manuel Teixeira-Gomes (INCM, 2007) constitui um acto de serviço público que deve ser assinalado e saudado. Trata-se de uma iniciativa levada a cabo com os cuidados necessários da Imprensa Nacional, com prefácio de Urbano Tavares Rodrigues (o melhor conhecedor do autor e da sua obra) e notas deste e de Helena Carvalhão Buescu e Vítor Wladimiro Ferreira. Estamos perante uma edição de referência (que retoma e aprimora as últimas edições disponíveis) que deverá ter lugar obrigatório na rede de leitura pública e nas bibliotecas escolares. Como afirma Tavares Rodrigues: Teixeira-Gomes, “mergulhando no naturalismo e no decadentismo, recupera, ao mesmo tempo, as graças verbais de um Frei Manuel Bernardes, de um D. Francisco Manuel de Melo, e a elegância de Garrett, o domínio da língua de um Camilo Castelo Branco”. Este primeiro volume reúne “Inventário de Junho” (1899), “Cartas sem Moral Nenhuma” (1903) e “Agosto Azul” (1904).
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12 Ago 2008 - “Luz e Sombras no Século XIX em Portugal” de António M. Machado Pires (INCM, 2007) é um conjunto de ensaios sobre a cultura portuguesa do final de oitocentos, a partir das referências intelectuais mais marcantes, em especial, da Geração de 70. A obra que, surpreendentemente, passou algo despercebida no momento em que saiu é de um extraordinário interesse não só pelas sínteses que apresenta, correspondentes a uma reflexão muito séria por parte de um dos nossos melhores especialistas na história da cultura portuguesa contemporânea, mas também pela ligação que procura fazer com o século XX e com as leituras actuais sobre a identidade portuguesa. Saliente-se, entre os textos agora dados à estampa, a publicação de “O ensino de Cultura Portuguesa (fundamentos de uma cadeira)”, texto da última lição de Machado Pires na Universidade dos Açores, que merece atentíssima leitura – onde se recorda a lição essencial de Vitorino Nemésio, para quem “Cultura” é “uma perspectiva convergente e unitária de vários ramos do saber”.
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04 Ago 2008 - “A Guerrilha Literária Eça de Queiroz – Camilo Castelo Branco” (Parceria A. M. Pereira, 2008) de A. Campos Matos corresponde à resposta a um desafio da editora a um dos nossos maiores cultores da memória queiroziana no sentido de tratar de um tema difícil mas ainda actual – a polémica entre os dois mais celebrados romancistas de oitocentos e os seus admiradores. Sendo certo que ainda hoje existem duas agremiações antagónicas e irredutíveis entre camilianos e queirozianos, não é menos verdade que muito poucos conhecem os termos exactos como se processaram as relações entre os dois autores, que pertenceram a duas gerações diferentes (separadas por vinte anos) e tiveram mil e um motivos para se travarem de razões.
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28 Jul 2008 - “Ensaios sobre a Educação” de António Sérgio, com prefácio de Manuel Ferreira Patrício (2008), e “O Essencial sobre António Sérgio” de Carlos Leone (2008) são duas das mais recentes publicações da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (IN-CM), que constituem obras muito oportunas e adequadas para o melhor conhecimento de uma das mais significativas referências culturais e cívicas da primeira metade do século XX. Através destes textos retoma-se o contacto com alguém que não pode ser esquecido. Como diz Carlos Leone, o estigma intelectual do «carácter de “mito da razão”, que Eduardo Lourenço lhe atribuiu» num célebre texto de 1969 em “O Tempo e o Modo”, determinou desconfiança perante o ensaísta, sendo certo que a “diminuição do estatuto intelectual e simbólico que a imputação de uma natureza mítica causou ao racionalismo de Sérgio foi imediata, profunda e duradoura”. No entanto, depois desse primeiro impacto, com efeito evidente nos últimos quarenta anos, estamos em condições de redescobrir o lugar importante que Sérgio ocupa na cultura portuguesa contemporânea.
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21 Jul 2008 - “A Primeira Aldeia Global – Como Portugal mudou o Mundo” de Martin Page (Casa das Letras, 2008) é um livro surpreendente. Antes do mais por ser escrito por um não português, que demonstra um grande apego às nossas coisas e à nossa História, e depois por ser escrito por um não especialista, jornalista de profissão, que, no entanto, demonstra erudição bastante a que se soma uma curiosa intuição na apresentação da tese segundo a qual um pequeno povo pôde, de modo inesperado, mudar o mundo.
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14 Jul 2008 - “A Oposição Católica ao Estado Novo – 1958-1974” de João Miguel Almeida (Edições Nelson de Matos, 2008) é um repositório de grande interesse sobre uma das componentes fundamentais (a político-religiosa) do fim do regime anterior. Como dizia há dias, no debate sobre o livro que teve lugar no CNC, sob organização do Centro de Reflexão Cristã, o Arquitecto Nuno Teotónio Pereira, se é verdade que não podemos esquecer os opositores de sempre, o certo é que o surgimento de uma oposição católica nos anos cinquenta alterou de modo significativo o estado de coisas político do momento. A “frente nacional” em que se baseava o Estado Novo precisava do apoio claro quer das Forças Armadas quer da Igreja. E em 1958 (há cinquenta anos!) o que aconteceu foi que surgiram duas brechas de tomo nessas duas instituições, que começaram a pôr em causa as bases do salazarismo – por um lado a candidatura de Humberto Delgado e por outro a chamada carta (ou “pro memoria”) do Bispo do Porto ao Presidente do Conselho.
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