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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
22 Dez 2008 - "Consciência Histórica e Nacionalismo – Portugal, séculos XIX e XX" de Sérgio Campos Matos (Livros Horizonte, 2008) é uma colectânea de ensaios sobre Portugal nos dois últimos séculos, que permite conhecer como se formou a ideia de identidade nacional, a partir de abordagens diferentes que desaguam nas ideias contemporâneas que temos sobre o País em que vivemos. E o certo é que no século XX o nosso imaginário foi influenciado pelo exacerbamento de concepções geradas um século antes, numa síntese, nem sempre fácil de entender, entre as concepções tradicionalistas e o pensamento liberal. Daí que o republicanismo intelectual, por exemplo, tenha bebido de diferentes fontes, que vão do positivismo inicial às diferentes pistas abertas pela “Renascença Portuguesa”, desde Pascoaes a Pessoa, passando por Cortesão, Sérgio e Proença, mas também por Leonardo Coimbra.
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15 Dez 2008 - “A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações” de António Alçada Baptista (Presença, 2003) merece ser relido nestes dias em que sentimos a necessidade de falar de “um sussurro de saudade”, como ele sentiu na morte do seu grande amigo Alexandre O’Neill. Neste livro, deparamo-nos com memórias, reflexões, invocações e ensaios que prosseguem aquilo a que António Alçada Baptista nos habituou. Aqui se sente a continuação da “Peregrinação Interior” e também a explicação de como o “escritor dos afectos” foi muito mais do que isso – foi o cristão no tempo, pondo as palavras ao serviço do amor das bem-aventuranças e de um sentido profético da vida.
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08 Dez 2008 - “Lisboa, História Física e Moral” de José-Augusto França (Livros Horizonte, 2008) é uma obra de minúcia, muito bem escrita por um conhecedor profundo da cidade de Lisboa e das suas histórias paralelas, sobrepostas e cruzadas. E se é certo que o autor se afirma “contemporanista”, a verdade é que aquilo que nos é dado neste livro de cerca de 870 páginas é uma leitura de quem sabe que apenas se pode entender uma cidade se soubermos as suas raízes e o caminho seguido - povoado de vidas e de espírito, de realidades físicas e morais. Antes de entrar na obra, importa fazer uma referência ao editor, Rogério Moura (1925-2008), que nos deixou há poucos dias e que foi um animador desta que viria a ser a sua última publicação. Em boa hora insistiu com o autor, e o resultado é largamente positivo. Havia que contribuir para que o público conhecesse melhor a cidade, não a partir de considerações académicas, mas segundo uma análise rigorosa que pusesse ao dispor de todos uma obra informada e culta de um erudito que se apresenta como experimentado e acessível peregrinador olisiponense.
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30 Nov 2008 - “Sob um Falso Nome” de Cristina Campo (Assírio e Alvim, 2008) é formado por diversos ensaios sobre temas muito diversos, unidos por um fio condutor que tem a ver com “uma atenta leitura da realidade e da arte”, isto é, “uma leitura total, em planos múltiplos: poético, humano, espiritual, religioso e simbólico”. Com esta obra, servida por uma muito boa tradução de Armando Silva Carvalho, podemos ter novo contacto com a autora de “Os Imperdoáveis”, livro também publicado na colecção “Teofanias”, biblioteca deslumbrante, que agora nos traz mais este tesouro. Os ensaios abordam, sempre com brilhantismo e profundo sentido poético, desde a liturgia cristã a Truman Capote, passando por Simone Weil, Djuna Barnes, Virgínia Wolf, Katherine Mainsfield, Jorge Luís Borges, D’Annunzio e Shakespeare. E a cada passo sentimos a densidade espiritual e a capacidade de encantamento que a escrita de Cristina Campo sempre contém.
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23 Nov 2008 - Há quatro séculos, nasceu em Lisboa D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666), o autor dos celebradíssimos “Apólogos Dialogais” (publ. 1721) e do “Auto do Fidalgo Aprendiz” (publ. 1676), que segundo alguns inspirou Molière no seu “Le Bourgeois Gentilhomme”. Foi um dos grandes cultores da língua portuguesa, mas também da língua castelhana. No “século de ouro” dos Áustrias ombreou com Quevedo, e Menendez Pelayo considerou-o como referência fundamental – “o homem de mais engenho que produziu a Península no século XVII, depois de Quevedo”. É estranho, no entanto, que haja um tão grande silêncio em torno desta efeméride. Dir-se-ia que, passados os séculos, ainda continua a persistir uma incompreensível maldição em torno desta personalidade multifacetada e genial, cuja leitura e existência ainda hoje nos entusiasma e pode motivar.
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17 Nov 2008 - “Correspondência, volume I, Cartas a Alberto Sampaio”, com organização, introdução e notas de Emília Nóvoa Faria e António Martins (Campo das Letras, 2008) é uma obra que nos revela, através dos seus amigos (já que só no volume II o teremos na primeira pessoa) a personalidade multifacetada de Alberto Sampaio, uma das figuras menos conhecidas da sua Geração, mas nem por isso de pouca importância. Alberto Sampaio (1841-1980), que nasceu em Guimarães e morreu na sua quinta de Boamense (em Vila Nova de Famalicão), singularizou-se como um dos criadores da moderna historiografia económica portuguesa. Escreveu “As Vilas do Norte de Portugal” e “Póvoas Marítimas do Norte de Portugal” (in “Estudos Históricos e Económicos”, 1923), obras ainda de leitura indispensável para conhecer as raízes portuguesas e a razão de ser da evolução do povoamento do território.
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10 Nov 2008 - A reedição de “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares” de Antero de Quental, com prefácio de Eduardo Lourenço (Tinta da China, 2008) merece ser assinalada, pela qualidade da obra e pela sua evidente oportunidade. A conferência proferida por Antero no Casino Lisbonense, no longínquo dia 27 de Maio de 1871, chegou até nós envolta em roupagens de celebridade, mas também de mito. E pode dizer-se que nessa reflexão o autor quis ser revolucionário; e marcou, por isso, claramente as gerações intelectuais que se seguiram. E, se é verdade que o caso Dreyfus iniciou na Europa o envolvimento activo dos intelectuais nos debates políticos, temos de lembrar que em Portugal uma geração de jovens, que iniciara os seus passos de ruptura em Coimbra, na senda dos ventos que vinham da Europa, antecipou essa necessidade de compromisso.
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03 Nov 2008 - “A Vida num Sopro” de José Rodrigues dos Santos (Gradiva, 2008) é o corolário de um percurso do autor no campo da ficção, onde se nota uma procura de maturidade que vem desde “A Ilha das Trevas” (2002) e começa a desenhar-se com “A Filha do Capitão” (2004) e sobretudo com “Codex 632” (2005), encontrando-nos neste último caso perante um exercício atraente de resposta ficcional para um enigma histórico. Já “A Fórmula de Deus” (2006) e “O Sétimo Selo” (2007) situaram-se num território em que o jornalista ocupou lugar do ficcionista. No entanto, essas obras permitiram que o autor pudesse dar novos passos no sentido de um melhor domínio da narrativa e da escrita. Com o novo romance, temos o início de uma nova fase na vida literária do autor, num caminho de exigência que, estou certo, irá prosseguir.
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