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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
Em “Paul Ricoeur, L’Unique et le Singulier”, entrevista de Edmond Blattchen, na colecção « Noms de Dieux » (Éditions Alice, 1999), o filósofo francês fala-nos do enigma com que a filosofia se confronta, ligado à multiplicidade dos nomes de Deus. Heráclito referia-o em ligação com o dia e a noite, o Inverno e o Verão, a guerra e a paz, a saciedade e a fome… Platão criticava os deuses de Homero, Kant demarcou-se dos clássicos em geral e Nietzsche pôs Deus em xeque, anunciando a sua morte. Paul Ricoeur (1913-2005) começa por recordar, nesta entrevista, a dialéctica entre Moisés e Aarão, e fá-lo invocando a obra de Schoenberg – onde o Deus imutável entra em tensão com os deuses múltiplos. E estamos perante o episódio do “Bezerro de ouro”. Moisés sobe à montanha, para o face a face com Deus, que o desliga do povo. Foi esse facto que perturbou o músico austríaco, na sua experiência de uma escrita musical inaudível para os outros, quando estava também atraído pelos ritmos populares. Enquanto Moisés via Deus, não via o povo. Mas Aarão estava em contacto com esse povo, que não via Deus…
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“Adolfo Casais Monteiro – Uma Outra Presença” (Biblioteca Nacional de Portugal, 2008) é mais do que um catálogo da excelente exposição organizada aquando do centenário do nascimento do autor presencista, é um conjunto de estudos e documentos elaborados e escolhidos com critério e competência. A exposição da Biblioteca foi comissariada por Carlos Leone com a participação de Fátima Lopes na pesquisa e no catálogo. Pode dizer-se que Casais Monteiro (1908-1972) é uma das figuras mais importantes do seu tempo, pela sua singularidade, pela independência de espírito que assumiu e pela capacidade única que revelou de compreensão das tendências fundamentais da cultura. É um caso especial no panorama cultural português: foi um heterodoxo que quis perceber a modernidade pela “autenticidade”, não se deixando aprisionar em cânones neo-realistas ou outros, entendendo a revista “presença” como orientada para a abertura de horizontes e procurando compreender o fenómeno poético contemporâneo como tal, enquanto libertação e “nova consciência na qual o homem se reconheça livre da era das ilusões e cativo da incapacidade de transformar o mundo”.
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Na passada sexta-feira, na Junta de Freguesia de S. João de Brito, por iniciativa do Forum Abel Varzim, com o apoio do Centro Nacional de Cultura, com o empenhamento incansável de Manuel Bidarra de Almeida, teve lugar a invocação do cinquentenário de dois documentos fundamentais assinados por católicos no ano de 1959, nos meses de Fevereiro e Março de 1959, intitulados “As relações entre a Igreja e o Estado e a liberdade dos católicos” e “Carta sobre os serviços de repressão do regime”, a que estiveram ligados, entre outros, activistas e fundadores do Centro Nacional de Cultura. Na ocasião, Nuno Teotónio Pereira referiu, muito justamente, uma obra fundamental, onde tais textos podem ser lidos na íntegra – “Católicos e Política – De Humberto Delgado a Marcello Caetano”, com edição e apresentação de José da Felicidade Alves, s.d. (1969).
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“O Último Eça” de Miguel Real (QuidNovi, 2006) é mais do que uma obra sobre Eça de Queiroz, uma vez que cuida de uma reflexão global sobre a Geração de Setenta, a propósito da qual correm diversas simplificações e até caricaturas, com as mais diversas marcas, desde as que insistem no decadentismo ou no vencidismo, tantas vezes confundido com aceitação do atraso como fatalidade, até aos que preferem salientar um suposto nacionalismo, em ruptura com as primeiras manifestações de uma geração inconformista e iconoclasta. Afinal, a grande pergunta que se põe é a de saber se há coerência ou descontinuidade no percurso ideológico de um dos grupos intelectuais mais influentes de toda a história da cultura portuguesa. Estamos, assim, perante uma investigação que permite compreender qual a real importância de Eça e dos seus amigos na transição para o século XX.
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“The Vertigo Years – Europe, 1900-1914” (Weidenfeld & Nicolson, 2007; Basic Books, 2008) de Philipp Blom é um retrato inteligente e muito vivo de um período inusitadamente rico da história europeia e do mundo, que muita gente confundiu com o anúncio de um período longo de progresso e de paz. Os sinais de avanço científico e tecnológico, o cosmopolitismo vivido nos grandes centros e pelas classes mais cultas e abastadas, tudo parecia apontar para algo de muito diferente do que veio a acontecer no mundo depois de 1914, com a eclosão de uma guerra que muitos julgaram evitável ou pelo menos muito rápida. Nada do que se pensava se verificou. A guerra tornou-se inexorável. Não funcionaram as ligações de sangue entre as famílias reinantes, nem o internacionalismo sonhado pelo movimento operário, que julgava não poder haver guerra contra a solidariedade proletária. O conflito não só foi muito longo, contra a ideia errada e ingénua de que algumas semanas o resolveriam, mas também lançou o mundo no conflito mais sangrento da história, que só se resolveria provisoriamente trinta anos depois.
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“Indagações sobre uma Vida Melhor” (Civilização Brasileira, 1986) de Dom Hélder Câmara, o arcebispo mítico de Olinda e Recife, merece ser recordado no momento em que assinalámos a 7 de Fevereiro o primeiro centenário do nascimento do autor, para quem “o verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus”. Ao lado de Alceu Amoroso Lima, foi um dos agitadores dos espíritos no sentido da liberdade e da justiça, crente de que a maneira de ajudar os outros é provar-lhes que são capazes de pensar.
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“Obra Completa – 1969-1985” de Nuno Bragança (Dom Quixote, 2009) é um acontecimento literário, uma vez que se faz regressar ao grande público, com esta publicação, um escritor e uma obra maiores que marcaram e marcam, no sentido de uma profunda renovação, a literatura portuguesa. E a verdade é que ainda está por fazer-se o reconhecimento da importância e do valor de Nuno Bragança no nosso panorama cultural, tantas vezes fechado sobre si mesmo e avesso às transformações que vão para além da superfície. O século XX português teve o abanão do “Orpheu”, no entanto os conformismos constituíram-se em regra e esse episódio foi excepcional. Foi contra um estado de coisas acomodatício que Nuno Bragança se afirmou, e é de elementar justiça referir o seu extraordinário talento renovador.
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A VIDA DOS LIVROS
Edgar Morin é um velho amigo do CNC e nosso sócio honorário. As suas reflexões constituem peças fundamentais no pensamento contemporâneo para além das fronteiras europeias. “Mon Chemin”, que acaba de ser publicado (Entrevistas com Djénane Kareh Tager, Fayard, 2008), permite-nos conhecer melhor o autor, que nos revela na primeira pessoa, com grande lucidez, o seu percurso de cidadão e de humanista. E o mais importante é que nos fala, com grande coragem, da sua vida, das suas emoções e paixões e da sua própria experiência da vida, do amor, da poesia, da velhice e da morte. Podemos, assim, seguir uma vida que atravessou o século XX, e que viveu na carne e no espírito as angústias dum tempo de barbárie e de esperança.
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