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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, acaba de publicar “1810-1910-2010 Datas e Desafios” (Assírio e Alvim, 2009), reunindo um conjunto de ensaios de diferentes proveniências, que ganham aqui uma especial coerência, pelo que constituem uma excelente oportunidade para realizarmos uma reflexão sobre o cristianismo e a história portuguesa. Com argúcia e inteligência, o autor parte do seu ofício original de historiador para deambular, com segurança, por um conjunto bastante diversificado de temas, invariavelmente ligados à procura da relação entre o cristianismo e a nossa identidade, como referenciais abertos, ancorados em raízes profundas, que são analisadas de um modo atraente e motivador. Confirmando o que já lhe conhecemos na desenvoltura da palavra e na capacidade de exprimir com clareza e ritmo as ideias, temos nesta obra um exemplo de boa exposição e de boa pedagogia.
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A VIDA DOS LIVROS
Acaba de ser publicada a edição portuguesa das “Cartas, 1941-1943” de Etty Hillesum (Assírio e Alvim, 2009, tradução de Ana Leonor Duarte e de Patrícia Couto). Trata-se do complemento (há muito esperado, ansiosamente) do “Diário, 1941-1943”, também inserido na colecção Teofanias, dirigida por José Tolentino Mendonça. João Bénard da Costa foi uma das pessoas que, entre nós, primeiro tomou consciência da força desta autora, e do seu testemunho e exercício extraordinário de diálogo e de amor, colocando-a ao lado de Cristina Campo e de Simone Weil. E temos de recordar esse facto, certos de que este livro seria sem dúvida o tema de uma das suas próximas crónicas, não fora ter-nos deixado inesperadamente. Cada uma a seu modo, as três pensadoras abriram as janelas do pensamento e da mística para os ventos contraditórios do século trágico em que viveram, no qual as situações limite revelaram a força e a fraqueza de uma humanidade em busca de sentido, perante o caos, o absurdo, a violência e o nada e marcada tragicamente pela “solução final”, por um genocídio e pela negação do espírito.
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A VIDA DOS LIVROS
“Portugal – Percursos de Interculturalidade” (2009) é uma obra coordenada por Mário Ferreira Lages e Artur Teodoro de Matos e corresponde a um projecto levado a cabo pelo CEPCEP (Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa) da Universidade Católica Portuguesa, com o apoio do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), com o objectivo de apresentar aos estudiosos e interessados nos complexos temas ligados ao diálogo entre culturas um manancial de investigação, reflexão e informação que nos conduza pelas veredas inesgotáveis das identidades nacionais, das fronteiras entre povos e culturas e das interacções entre comunidades diferentes. Estamos, assim, perante quatro substanciosos volumes que nos permitem, em vários registos, colher os elementos indispensáveis para nos conhecermos melhor como cultura e povo e descobrir as pistas de enriquecimento mútuo em razão dos intercâmbios gerados no seio do “melting pot” que constituímos: Raízes e Estruturas; Contextos e Dinâmicas; Matrizes e Configurações e Desafios à Identidade.
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“Nós, os vencidos do catolicismo” (Tenacitas, 2003) de João Bénard da Costa é o pretexto para falarmos de quem não podemos esquecer e que deveria ainda estar connosco, para continuar a contar as suas histórias deliciosas e a exercer a sua sabedoria e o seu talento. Os textos que constituem este pequeno livro precioso são apenas um aperitivo daquilo que deveriam ser as suas memórias e que apenas nos foram dadas (esparsa, mas suculentamente) nas suas crónicas em várias “casas encantadas” que encantavam os seus leitores. E se houve quem insistisse por estes dias no seu amor pelo cinema, que foi indiscutível, devo dizer que o João foi muitíssimo mais do que essa ligação fantástica. Era um homem de uma sensibilidade artística única, um escritor dotadíssimo, e era um deleite para todos, os que tiveram a graça de o ler, de o ouvir, podendo gozar do cuidado e do amor que punha na interrogação e na descoberta dos pequenos mistérios das obras de arte (desde a natureza à pintura, à música e, naturalmente, ao cinema…).
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Rafaelle Romanelli reuniu um conjunto de ensaios sobre a história política no livro “Duplo Movimento” (Livros Horizonte, 2008), inserido na colecção Estudos Políticos, dirigida por Pedro Tavares de Almeida. Nesta obra somos colocados perante a génese moderna do Estado e da nação, bem como em face de um processo de vai-e-vem entre as concepções teóricas e a realidade vivida pelos cidadãos na organização das sociedades políticas. Numa primeira parte, fala-se do Estado, da representação política e da cidadania, da comunidade ao império, partindo da formação dos Estados nacionais e chegando a uma nova emergência da ideia imperial. Numa segunda trata-se de estudar o caso específico da nação italiana, a começar nos generosos anacronismos do patriotismo italiano (“Fare gli italiani”) e a continuar no papel da nobreza, nas relações entre centro e periferia e na afirmação do ideal republicano como lugar de memória na Itália contemporânea. E em ambos os textos, defrontamo-nos com o duplo movimento, isto é, a um percurso histórico de dois sentidos entre a identidade local e o espaço nacional.
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A VIDA DOS LIVROS
Regressado de Chemnitz, onde participei na Congresso Internacional “Ideas of / for Europe”, invoco Denis de Rougemont, cujas ideias recordei. E falo-vos de um pequeno livro, que dá conta do percurso intelectual deste cidadão europeu, tantas vezes mal compreendido, um visionário que ainda hoje merece ser lido e recordado. “Denis de Rougemont, Introduction à Sa Vie et Son Oeuvre” de François Saint-Ouen (Georg Editeur, Centre Européen de la Culture, 1995) dá-nos o itinerário de um europeísta, que nos permite procurar perceber por que razão o autor de “L’Amour et l’Occident” se tornou uma referência dos ideais pan-europeus, para além dos circunstancialismos imediatos ou das lógicas burocráticas…
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A última sessão das “Encruzilhadas da Democracia” suscitou um debate muito animado sobre a democracia e a cidadania em que tive o gosto de participar com José Neves e Miguel Serras Pereira (infelizmente, Helena Roseta não pôde juntar-se a nós). Nesse confronto de ideias citei as “Lettres Persanes” de Montesquieu (1ª edição, 1721), que hoje aqui invoco, pretexto para falar de alguns dos temas ligados à cidadania que abordámos. E se falo das “Cartas Persas” faço-o por considerá-las uma obra fundamental, que antecipa as concepções sociais e políticas dos últimos dois séculos. De modo inesperado para o seu tempo, Montesquieu faz aí uma crítica desassombrada da sociedade em que vive, com se fosse um olhar externo, que assim poderia exercer o sentido crítico com maior acutilância.
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A epistolografia de Antero de Quental é um marco essencial da cultura portuguesa. A publicação em três volumes das “Cartas”, com prefácio, organização e notas de Ana Maria Almeida Martins (Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2009) é um acontecimento editorial que deve ser saudado. Estamos perante um trabalho minucioso e persistente de pesquisa rigorosíssima, onde se nota o empenhamento de uma vida e um afecto muito especial por parte da organizadora, o que não perturba minimamente a probidade científica posta neste labor, antes lhe dando um extraordinário valor acrescentado, que decorre do facto de ser, com provas sobejamente dadas, a nossa melhor especialista na vida e obra de Antero de Quental.
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