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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
“O Mundo sem Regras” (Difel, 2009) de Amin Maalouf é uma obra que resulta de uma longa e cuidada reflexão do escritor de origem libanesa que esteve entre nós há pouco para apresentar o seu livro e o seu pensamento. O tema das identidades há muito preocupa Maalouf, tendo escrito “Identidades Assassinas” (1998), que constituiu um alerta premonitório, a que infelizmente muita gente não deu ouvidos. A indiferença, o isolamento, a auto-suficiência, os egoísmos nacionais e tribais, a ilusão uniformizadora, o vazio de valores – tudo isso faz parte do actual caldo de cultura, que caracteriza a sociedade contemporânea e que serviu de ponto de partida para a análise serena e lúcida, mas também algo desencantada deste autor.
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Tucídides é o primeiro historiador no sentido em que usamos esse conceito nos dias de hoje. Autor de uma só obra, “História da Guerra do Peloponeso”, introduziu na literatura e no pensamento político uma concepção significativamente diferente da que foi praticada por Heródoto. Hoje escolhemos esse texto para podermos reflectir sobre a importância da decisão estratégica e das suas condicionantes. E no caso de Tucídides podemos dizer que as melhores análises modernas sobre a história política têm-se debruçado sobre este texto clássico fundamental.
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“Eduardo Lourenço – Uma Ideia do Mundo” é o tema do número 171 da revista “Colóquio –Letras” (Maio – Agosto de 2009). Trata-se da amostra de um trabalho, que se revela indispensável, de selecção, tradução e anotação de textos realizados por João Nuno Morais Alçada no âmbito do projecto “Inventário e Catalogação do Acervo de Eduardo Lourenço” da responsabilidade do CNC, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.
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“António Lino Neto, Intervenções Parlamentares – 1918-1926” (Colecção Parlamentar, Assembleia da República, 2009), organizado pelo Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa e coordenado por António Matos Ferreira e João Miguel Almeida constitui um documento de grande interesse para a compreensão de um lado menos conhecido da Primeira República Portuguesa – a saber, a intervenção dos republicanos católicos na vida cívica e parlamentar.
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Acaba de ser publicada a edição comemorativa dos vinte cinco anos de “Os Lusíadas” em Banda Desenhada, da autoria de José Ruy (Âncora Editora, 2009). Simultaneamente, foram dadas à estampa as edições da tradução da mesma obra em mirandês (“Ls Lusíadas”) e do livro, também da autoria de José Ruy, “Mirandês – Stória dua Lhéngua e dun Pobo an BZ” (em português e mirandês). Trata-se de iniciativas que merecem uma especial atenção, uma vez que estamos perante o reconhecimento da importância da língua mirandesa, em diálogo com a língua e a cultura portuguesas, causa que tem contado com o trabalho denodado e persistente de Amadeu Ferreira (que o Centro Nacional de Cultura tem acolhido gostosamente, através da publicação dos seus textos) e da Associaçon de Lhéngua Mirandesa.
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Sophia de Mello Breyner Andresen continua a acompanhar-nos na serenidade dos seus textos e na pureza dos seus ideais. Cinco anos depois da sua ausência, que é presença permanente pela perenidade das suas palavras, é fundamental regressar aos três volumes da “Obra Poética” (Caminho) ou aos contos publicados pela Figueirinhas. Deparamo-nos com o deslumbramento de uma escrita depurada, rigorosa, amorável, ática, a um tempo clássica e moderna, intemporal, sedenta de sentido, duradoura e inusitada, onde a pessoa humana e a natureza se encontram permanentemente, sentindo-se, a cada passo, a busca da palavra certa, como sinal de dignidade, e a recusa de qualquer facilidade. “Sozinha estou entre paredes brancas / Pela janela azul entrou a noite / Com o seu rosto altíssimo de estrelas” – di-lo em “Mar Novo”. E em “A Menina do Mar”: “Sentaram-se os dois em frente do outro e a menina contou: - Eu sou uma menina do mar. Chamo-me Menina do Mar e não tenho outro nome. Não sei onde nasci. Um dia uma gaivota trouxe-me no bico para esta praia. Pôs-me numa rocha na maré vaza e o polvo, o caranguejo e o peixe tomaram conta de mim”.
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“Reflections on the Revolution in Europe” de Ralf Dahrendorf (Random House, 1990) é um livro indispensável para a compreensão dos acontecimentos europeus de 1989. A queda do muro de Berlim suscitou uma onda de optimismo e levou à formulação de algumas previsões – que, depois, não vieram a confirmar-se. Pensou-se que estaríamos perante uma nova “Primavera dos Povos”, mas julgou-se ainda que seria possível evitar aquilo a que conduziu esse movimento libertador de 1848, perante o vazio deixado pelo Império Austro-húngaro, que levaria a Europa para a tragédia do século XX. Longe da ideia de fim da história hegeliano de Francis Fukuiama, que o sociólogo germano-britânico cita expressamente, do que se trataria nesse momento era de ver exactamente que ameaças e oportunidades nasciam.
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A VIDA DOS LIVROS
O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, acaba de publicar “1810-1910-2010 Datas e Desafios” (Assírio e Alvim, 2009), reunindo um conjunto de ensaios de diferentes proveniências, que ganham aqui uma especial coerência, pelo que constituem uma excelente oportunidade para realizarmos uma reflexão sobre o cristianismo e a história portuguesa. Com argúcia e inteligência, o autor parte do seu ofício original de historiador para deambular, com segurança, por um conjunto bastante diversificado de temas, invariavelmente ligados à procura da relação entre o cristianismo e a nossa identidade, como referenciais abertos, ancorados em raízes profundas, que são analisadas de um modo atraente e motivador. Confirmando o que já lhe conhecemos na desenvoltura da palavra e na capacidade de exprimir com clareza e ritmo as ideias, temos nesta obra um exemplo de boa exposição e de boa pedagogia.
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