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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
23 Nov 2009 - Acaba de ser publicado “Heritage and Beyond” (Council of Europe, Strasbourg, 2009) sobre a nova Convenção-Quadro do Conselho da Europa sobre o Valor do Património Cultural na Sociedade Contemporânea (a Convenção de Faro de 27 de Outubro de 2005). Trata-se de um repositório muito circunstanciado e fundamental sobre o tema, que foi desenvolvido no Colóquio Internacional que se realizou em Lisboa a 20 de Novembro sob os auspícios do Conselho da Europa (com o CNC e o IGESPAR), oportunidade excepcional para olharmos as políticas públicas da cultura à luz da modernidade, tendo connosco os melhores especialistas da actualidade sobre a matéria. O património cultural é uma realidade viva. A História deixa de ser pertença de alguns, é uma encruzilhada que implica sempre a humanidade toda. E se os acontecimentos fazem as identidades, as identidades devem favorecer o novo entendimento das fronteiras, como linhas de encontro e de aproximação, muito mais do que de divisão e separação. E não se pense que falamos de abstracções. Não, falamos só de fronteiras que compreendam o conhecimento e os conflitos, mas que também regulem permanentemente esses conflitos na perspectiva de uma cultura de paz.
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16 Nov 2009 - «Os “Vencidos do Catolicismo” – Militâncias e Atitudes Críticas (1958-1974)» de Jorge Revez (Centro de Estudos de História Religiosa – Universidade Católica Portuguesa, 2009) é a publicação de uma dissertação de mestrado, onde se analisam os acontecimentos protagonizados pelo catolicismo inconformista português, de 1958 a 1974, desde o ano intensíssimo em que a candidatura de Humberto Delgado, o memorando de D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, a Salazar e o início da “Aventura da Moraes” de António Alçada Baptista constituíram factos decisivos para pôr em causa a “frente nacional”, invocada pelo Estado Novo como factor fundamental da sua legitimação. As duas figuras que merecem uma atenção muito especial nesta obra são as do poeta Ruy Belo e do Padre José Felicidade Alves. Na capa é nos dada uma magnífica fotografia da autoria de Duarte Belo.
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09 Nov 2009 - "Europa" de Adolfo Casais Monteiro (Confluência, s.d.) é um poema premonitório. Foi lido aos microfones da BBC, na emissão de língua portuguesa, a 23 de Maio de 1945, por António Pedro. Era o fim da guerra europeia e havia uma grande esperança – a de que, depois da tragédia terrível, que tinha deixado o velho continente exangue, seria possível lançar as bases de uma paz duradoura. Como disse José Augusto Seabra, no prefácio à edição de 1991 (Nova Renascença): “Pela voz forte e timbrada de um intelectual então emigrado, António Pedro, esse poema, da autoria de Adolfo Casais Monteiro, um dos nossos mais corajosos poetas resistentes à ditadura, acordou em quantos o escutavam a esperança de que também para Portugal a hora da liberdade iria soar, na nova Europa que se erguia sobre o sangue e os escombros decorrentes da criminosa aventura totalitária hitleriana”.
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02 Nov 2009 - “O Milagre Europeu” de E.L. Jones (Gradiva, trad. de Edgar Rocha, 2002) pode dizer-se que é já um clássico das análises contemporâneas sobre as vantagens comparativas do nosso continente. A primeira edição da obra é de 1981 e a segunda de 1987, e o autor, professor da Universidade de Princeton, procurou responder a uma pergunta difícil, mas fundamental: por que razão as economias modernas encontraram o ponto de partida para o seu desenvolvimento global na experiência do subcontinente europeu? Que razões existiram para a criação dessa dinâmica? Para E.L. Jones, estamos perante a convergência de dois factores – o meio ambiente e o sistema político -, o que não aconteceu, por exemplo, com o Império Otomano, ou com a Índia e a China. Foram, assim, a descentralização política e as raízes culturais, bem como o sistema económico comum, que favoreceram a tendência.
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26 Out 2009 - “António Sérgio – A Obra e o Homem” de Joaquim Montezuma de Carvalho (Arcádia, 1979) é um livro que merece uma atenção especial, uma vez que o autor procede nele a uma leitura da obra do escritor dos “Ensaios” nos vários domínios em que esta se desenvolve, o que nos permite ter um roteiro introdutório relativamente a uma produção consabidamente heterogénea e multifacetada, que é apresentada com coerência e de um modo acessível e panorâmico. Cabe, aliás, fazer uma homenagem à personalidade de Joaquim Montezuma de Carvalho (1928-2008), cujo falecimento passou injustamente despercebido, laboriosíssimo e incansável homem de cultura, cuja obra dispersa é de grande interesse e valor. Vivendo em Angola e Moçambique desde os anos 50, regressou a Portugal em 1976, onde exerceu advocacia. Filho do Professor Joaquim de Carvalho, organizou, ainda estudante, uma homenagem a Teixeira de Pascoaes, publicou o Epistolário Ibérico de Pascoaes e Unamuno, organizou textos de seu pai, deu à estampa em Angola “Panorama das Literaturas das Américas de 1900 à actualidade” e produziu intensa colaboração na imprensa latino-americana, com grande reconhecimento público, mas incompreensível desatenção em Portugal.
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19 Out 2009 - “A Luz Fraterna – Poesia Reunida” de António Osório (Assírio e Alvim, 2009), com prefácio de Eugénio Lisboa, é uma obra de arte, como aquelas a que o editor, Manuel Rosa, nos tem habituado. Na capa deparamos com um extraordinário “Contraluz”, de Miguel Ângelo Lupi, óleo sobre tela de 1875, pintura que acompanha o poeta, como referência familiar, e que revela um dos melhores pintores portugueses do século XIX. Uma janela sobre o jardim deixa entrar os raios de sol de um dia glorioso, as rendas dos cortinados esvoaçam e, em primeiro plano está Teresa Júlia (o “Amor de Miguel Ângelo Lupi”), “derradeiro modelo (…) / ela dardejando a integração primaveril…”. E, como disse Fernando J.B.Martinho, na apresentação do livro, não é possível compreender António Osório sem essa ligação intrínseca à “Felicidade da Pintura”
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12 Out 2009 - "A Experiência Reflexiva – Estudos sobre o Pensamento Luso-Brasileiro" de António Braz Teixeira (Zéfiro, Colecção Nova Águia, 2009) é uma colectânea de ensaios sobre o pensamento filosófico português e brasileiro, na sequência de outras anteriormente publicadas, que constitui um excelente “vademecum”, não apenas sobre as ideias do autor, mas fundamentalmente sobre a sua visão, animada por um rigoroso sentido pedagógico, relativamente a um conjunto significativo de pensadores, o que nos ajuda a entender melhor um leque alargado e estimulante de temas, que contribuem para tentar esclarecer o sentido e o alcance do que pode representar, numa perspectiva aberta e não dogmática, a busca de novos caminhos trilhados pela “filosofia portuguesa”. E importa referir que António Braz Teixeira tem procurado abrir novos horizontes, insistindo no desenvolvimento de um pensamento luso-brasileiro, diversificado nos temas e nas perspectivas, muito para além de uma lógica de grupo ou de “escola”. Neste sentido, o filósofo tem procurado ir ao encontro de uma nova atitude, capaz de uma valorização efectiva da filosofia, sem adjectivos.
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05 Out 2009 - “Contrato Sentimental” da autoria de Lídia Jorge (Sextante Editora, 2009) é um ensaio que nos surpreende, uma vez que, de um modo despretensioso, mas com uma pertinência indiscutível a autora se interroga sobre a sua relação com Portugal. “Muitos são aqueles que apresentam razões fortes para duvidar, mas eu tenho a certeza de que Portugal existe”. O início da reflexão põe-nos logo de sobreaviso. Trata-se mesmo de tentar perceber por que razão estamos ligados a este rincão, a estas pessoas, e por que motivo continua a funcionar este curiosíssimo “contrato sentimental”. Mas não podemos esquecer que há uma estranha relação de amor /ódio da nossa parte, neste lugar onde a terra acaba e o mar começa, essa mesma que levou alguém, algures numa fronteira do norte a escrever a palavra “lixo” por debaixo do indicativo de Portugal. Quem seria o despeitado? Apesar de tudo, importa tentar perceber. E esta colecção “Portugal Futuro” procura exactamente lançar pistas para esse entendimento. Por isso, vale a pena ler este ensaio.
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