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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
15 Mar 2010 - Quando, no início do ano, me pediram para escolher os livros de 2009, não tive dúvidas em eleger entre eles “O Caminho dos Pisões” (Assírio e Alvim, 2009), uma obra surpreendente, sobretudo para quem conheça menos bem o percurso de M. S. Lourenço, poeta, filósofo e cultor singularíssimo da língua portuguesa. Aí reencontrei, além das duas edições de “O Doge” (1962 e 1998), as obras literárias fundamentais do autor: “O Desequilibrista” (1960), “Ode a Upsala, Ária detta la Frescobalda” (1964), Arte Combinatória” (1971), “Wytham Abbey” (1974), “Pássaro Patadípsico” (1979), “Nada Brahma” (1991) e “Os Degraus do Parnaso” (1991 e 1998). Trata-se de uma oportunidade única para ter contacto com a atitude intelectual muito estimulante de um escritor culto, cuja obra multifacetada permite-nos usufruir o domínio da língua e das ideias, ao serviço de uma ironia extraordinária.
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08 Mar 2010 - Alexandre Herculano nasceu há duzentos anos, a 28 de Março de 1810. Assinalamos a efeméride, recordando a obra de António José Saraiva, “Herculano e o Liberalismo em Portugal – Os problemas morais e culturais da instauração do regime (1834-1850)” (Studium, Lisboa, 1949). Estamos perante uma notável interpretação sobre a obra de Herculano, autor que tem sido vítima de uma estranha conspiração de silêncio e a quem tem faltado um estudo biográfico de fôlego, capaz de pôr no seu devido lugar uma das personalidades mais ricas e fascinantes da história portuguesa.
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01 Mar 2010 - A mais recente biografia de Eça de Queiroz da autoria de A. Campos Matos (“Eça de Queiroz - Uma Biografia”, Afrontamento, Dezembro de 2009), suscitada por um desafio ao autor para escrever sobre a vida do célebre romancista para leitores de cultura francesa, é um novo instrumento fundamental para quem queira conhecer bem o romancista genial de “Os Maias”.
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22 Fev 2010 - Santo Agostinho de Hipona é uma referência inesgotável pela riqueza da sua experiência e do seu testemunho. O percurso teológico do actual Papa está marcado por esse exemplo, e a concha que se encontra nas suas armas pastorais invoca expressamente o autor das “Confissões”. No excelente livro recentemente publicado pela editora Pedra Angular, da autoria do Padre Henrique Noronha Galvão, intitulado “Bento XVI – Um Pensamento para o nosso tempo” (2009), encontramos, aliás, a recordação da origem da imagem da concha como símbolo da “humilde persistência”.
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15 Fev 2010 - Há livros que nos permitem compreender melhor o que nos rodeia, apenas pelo facto de procurarem ver o outro lado das coisas, ao invés dos lugares comuns, que surgem repetidos, sobretudo em momentos de crise como o que atravessamos. Eleanor Roosevelt disse um dia que “as grandes cabeças pensam ideias, as cabeças médias acontecimentos e as cabeças pequenas discutem pessoas”. A afirmação é bem certeira, e num momento de míngua de debate sobre ideias e convicções, é salutar encontrar quem se preocupe com as ideias e os ideais, procurando ver para além do imediato e das discussões fulanizadas. Num braçado de livros que José Tolentino Mendonça me fez chegar, parte substancial dos quais editados pela “Pedra Angular” dei-me há dias a ler ou a reler (uma vez que parte dos textos já os conhecia), com grande prazer e proveito intelectual, “O Peixe Amarelo – Pistas para um Mundo Melhor”, de João Wengorovius Meneses (2009). E senti que tudo junto, agora, fazia mais sentido. Longe da tentação da procura do melhor dos mundos, deparei com a busca comedida, mas ambiciosa, do “mundo melhor”, a partir da economia solidária. E posso dizer que estava bem embalado para esta leitura, já que, desse benfazejo braçado, tinha acabado de ler “Ouvi do Vento” de Manuela Silva, onde se sente a escuta do espírito que incansavelmente nos atrai para as paisagens dos valores universais da verdade, da justiça, da beleza e do bem.
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08 Fev 2010 - “Outra Margem – Estudos de Literatura e Cultura Portuguesas” de Ana Nascimento Piedade é um percurso de pesquisa sobre a modernidade portuguesa, que provém de Eça de Queirós e da Geração de Setenta, para chegar ao século XX, em especial aos tempos de “Orpheu”, vindo também à “presença” e a Eduardo Lourenço. Como disse o mesmo Eduardo Lourenço, na apresentação do livro no Centro Nacional de Cultura, trata-se de ver o fenómeno literário e cultural no Portugal moderno com os olhos de uma “outra margem” e com a capacidade de tentar compreender melhor, para além dos condicionalismos do tempo… E Vergílio Ferreira esclarece bem que essa situação singular é “ser apenas do lado da vida em que não passa muita gente, se é quase anónimo, fora do alvo que é visado pela notoriedade, curiosidade pública, grande reputação. Ser em humildade, na discrição de nós, na curta dimensão de nós”.
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01 Fev 2010 - O Prof. Vitorino Magalhães Godinho acaba de dar à estampa um pequeno volume intitulado “Os Problemas de Portugal – Mudar de Rumo” (Colibri, 2009). É de saudar a vitalidade de espírito do mestre da historiografia moderna portuguesa, que nos apresenta um conjunto de temas, de reflexões e de propostas, que constituem um desafio estimulante a que haja um debate aprofundado sobre o presente e o futuro. E o certo é que, muito mais importante do que uma proposta política, o que está em causa neste contributo é uma reflexão intelectual séria, que merece especial atenção e que deve constituir-se em estímulo e desafio para todos. Nada pior do que continuarmos a oscilar entre o conformismo fatalista dos que preferem ver só os aspectos negativos da vida nacional, sem cuidarem de saber os caminhos que podem e devem ser trilhados, e o optimismo primário dos que julgam que poderemos superar as dificuldades sem trabalho, disciplina, exigência e vontade.
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25 Jan 2010 - Edgar Morin (1921) publicou em 1997 “Uma Política de Civilização” (Instituto Piaget, s.d.), com Samir Naïr, onde os dois autores se interrogam sobre o futuro indecifrável em que estão lançadas as sociedades contemporâneas. Com a crise da ideia de progresso, nasce a incapacidade de reflectir sobre os problemas globais e locais, enquanto ocorrem tendências para a intolerância e o fanatismo. Para os pensadores, é indispensável mudar de rumo, redefinir a vida em comum e elaborar o que designam como “política de civilização”, considerando-a como um renascimento que reponha o ser humano, a pessoa, como meio, fim, sujeito e objecto da política.
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