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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
Em vésperas de completar oitenta anos de idade e sessenta de vida literária, Albano Martins (n. 24.7.1930) acaba de ver editada a antologia “As Escarpas do Dia – Poesia 1950-2010” (Afrontamento, 2010), que constitui mais do que uma homenagem, a oportunidade de podermos ter acesso à produção literária de um poeta de créditos firmados, que tem interpretado a terra, a vida e o quotidiano de um modo sentido e talentoso, apesar da discrição, sempre acompanhada por uma grande exigência literária. Com António Ramos Rosa foi um dos fundadores da “Árvore – Folhas de Poesia” e, ao lado de José Augusto Seabra, foi dos principais animadores da revista e movimento sedeado no Porto da “Nova Renascença”.
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A VIDA DOS LIVROS
“Viagem a Portugal” de José Saramago (1ª edição, 1981) integra-se no género da literatura de viagens, mas é mais do que isso. Trata-se de tentar ver Portugal de um modo talvez mais atento. Usar olhos de ver. O autor quis deambular pelos lugares, mas também pelas invocações, caminhando ao encontro do inesperado. Há viagens e há crónicas, e há a tentativa de compreender a natureza e as pessoas, em diálogo constante. «É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já». E o país assim torna-se apaixonante. Já Garrett no-lo dissera e demonstrara. Neste momento, em que o escritor nos deixa fisicamente é bom voltar aos seus passos peregrinadores, talvez para que possamos, nós mesmos, descobrir melhor “aqui onde o mar acaba e a terra principia”, ou se quiserem, como se diz no fecho de “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, “aqui onde o mar se acabou e a terra espera”…
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A VIDA DOS LIVROS
“Silêncio” de Shusaku Endo (1923-1996) é uma obra-prima da literatura contemporânea (tradução de José David Antunes, D. Quixote, 1990). Intitulado originalmente “Chinmoku” (1966), este livro teve, desde a sua publicação, um enorme sucesso, suscitando comentários contraditórios. O autor trata de um tema de grande complexidade, a apostasia, especialmente se pensarmos na sociedade japonesa do século XVII. Partindo da experiência de um jesuíta português, Cristóvão Ferreira, prestigiado teólogo, Endo narra uma aventura espiritual ligada às conversões cristãs no Japão e às perseguições que se lhes sucederam. Esta apostasia ocorreu no período das mais violentas perseguições das autoridades japonesas para pôr fim a um processo considerado perigoso. Pretendiam, afinal, estirpar o desenvolvimento de uma influência estranha, que ameaçava as tradições ancestrais.
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"Os Dias e os Anos – Diário, 1970-1993" (D. Quixote, 2010) de Marcello Duarte Mathias é um livro que nos traz a recordação de um período de transição, entre 1970 e 1993, em que Portugal viveu a preparação de uma súbita mudança de século e tudo o que lhe seguiu, ligando o 25 de Abril e a queda do muro de Berlim. Dir-se-á hoje que tudo era, mais ou menos, previsível. No entanto, é fundamental recordar como era difícil antever a circunstância exacta em que tudo iria mudar e como. O tempo tem sempre essa qualidade única que permite tornar natural aquilo que visto por antecipação é o mais estanho que se possa imaginar…
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A VIDA DOS LIVROS
Há cinco anos, deixou-nos Eugénio de Andrade (1923-2005), poeta da transparência e da compreensão do quotidiano, autor de obra vasta, entre a qual se destaca: “Ofício de Paciência”, 1994; “O Sal da Língua”, 1995; “Pequeno Formato”, 1997; “Os Lugares do Lume”, 1998; “Os Sulcos da Sede”, 2001. Hoje recordamo-lo sentidamente. O Porto é uma cidade que há muito sinto como minha e se isso acontece, tal deve-se à minha ancestralidade, mas muito a Eugénio de Andrade e ao que a sua escrita e a sua sensibilidade me ensinaram a amar a única cidade-estado que houve em Portugal, no dizer de Jaime Cortesão.
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A VIDA DOS LIVROS
“Antero de Quental em Vila do Conde” de Luís de Magalhães, com recolha, prefácio e notas de Ana Maria Almeida Martins (Tinta da China, 2010) permite-nos mergulhar de pleno no mundo fantástico de Antero de Quental e dos seus amigos. O jovem Luís de Magalhães que secretariou a Liga Patriótica do Norte, presidida por Antero é o melhor cicerone para nos fazer entrar nessa mundo exclusivo, de uma plêiade de génios que teve a coragem de pensar Portugal, não numa lógica fatalista e derrotista, mas com os olhos postos no futuro, acreditando em que seria possível mobilizar vontades, fazendo país sair da modorra e do conformismo. É difícil conceber um tal programa? Eis por que razão este livro deve ser lido.
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A VIDA DOS LIVROS
“O Chiado Pitoresco e Elegante” de Mário Costa (2ª edição, 1987) é um repositório de memórias despretensiosas sobre um lugar fundamental para a compreensão da cidade de Lisboa. Aqui foi o limite da cidade quando se fez a muralha fernandina, aqui foi estabelecido o culto aos Mártires de Lisboa desde a reconquista, aqui eram as Portas de Santa Catarina… E nos dois últimos séculos aqui se passou tudo o que de mais relevante teve a história de Lisboa – de Eça de Queiroz a Almada Negreiros, aqui a criatividade e a inovação campearam…
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A VIDA DOS LIVROS
Rosalia de Castro (1837-1885) nasceu em Santiago de Compostela e morreu em Padrón, sendo justamente considerada a fundadora da literatura galega moderna. 17 de Maio, data da publicação de “Cantares Gallegos” em 1863, é o “Dia das Letras Galegas”. Esta obra constitui, aliás, o primeiro livro escrito em galego numa época em que a língua galega deixara de ser usada como idioma escrito e literário. Muitos poemas deste livro são glosas de cantigas populares, onde a autora procura ir ao encontro das tradições, também denunciando as dificuldades a que estava sujeito o seu povo. Oiçamo-la: “Así mo pediron / na beira do mar, / ó pé das ondiñas / que veñen y van. / Así mo pediron / na beira do rio / que corre antre as herbas / do campo frorido” ou “Nas portas dos ricos, / nas portas dos probes / qu’aquestes cantares / a todos responden”. No entanto, Rosalia soube sempre associar o seu testemunho pessoal, os seus sentimentos e o seu talento literário na sua rica criação. A cada passo, sentimos a memória de uma sociedade antiga, onde a alegria e a simplicidade se aliam à melancolia e à lembrança.
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