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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
José Eduardo Agualusa acaba de publicar “Milagrário Pessoal” (D. Quixote, 2010) uma ilustração viva do diálogo da língua e das línguas e um apelo à criatividade e à ligação forte entre a linguagem e a vida: “Assim como nós criamos as línguas, também as línguas nos criam a nós. Mesmo que não o façamos de forma deliberada, todos tendemos a seleccionar palavras que utilizamos com maior frequência e esse uso forma-nos ou deforma-nos, no corpo e no espírito”. O livro é entusiasmante, arrasta-nos não apenas pelo enredo, mas também pela causa que ele pressupõe – a defesa da língua como pátria de várias pátrias e expressão de múltiplos sentimentos. O tema da busca de neologismos entrelaça-se com o do amor – e uma espécie de liberdade libertária procura a causa da língua como um tema de combate…
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A VIDA DOS LIVROS
Nas “Lendas e Narrativas” (1851), Alexandre Herculano procura construir o imaginário colectivo da pátria, através da criação de mitos através da ficção histórica. “Alcaide de Santarém”, “Arras por foro de Espanha”, “O Castelo de Faria”, “A Abóbada”, “A Dama do Pé de Cabra”, “O Bispo Negro”, “A Morte do Lidador”, mas também o relato da viagem “De Jersey a Granville” e a novela “Pároco de Aldeia” foram publicados de 1839 a 1844 no “Panorama” e têm um sentido pedagógico e criador de uma tradição verosímil que se deveria constituir em elemento fundamental para erigir o “espírito do povo”.
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A VIDA DOS LIVROS
«Tudo o que Sempre Quis Saber sobre a Primeira República em 37 mil palavras» (ICS, 2010) da autoria de Luís Salgado de Matos é uma pequena obra feita com grande cuidado, e com extraordinários espírito de síntese e sentido pedagógico. No ano das comemorações do centenário da República Portuguesa tivemos um vasto conjunto de livros alusivos à data, de valia desigual e com interesse muito irregular. Felizmente que entre as boas excepções consta este livrinho que, apesar de ter uma extensão reduzida, pressupõe uma grande reflexão e tem atrás de si muito estudo e sentido cívico. De facto, a Primeira República não pode ser analisada nos dias de hoje sem um forte sentido crítico, até porque a República restaurada em 25 de Abril de 1974 e a Constituição de 1976 foram muito marcadas pela necessidade de não se repetir os erros que tornaram fugaz e trágica a experiência iniciada em 1910. Luís Salgado de Matos optou, e bem, por analisar os claros e os escuros, as razões da vitória e os motivos da decadência, e o resultado aí está uma obra que surpreende positivamente pelo pormenor, pelo rigor dos elementos e pela clareza expositiva.
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Na semana do centenário da República, escolhemos “Ideias Perigosas para Portugal – Propostas que se arriscam a salvar o País” coordenado por João Caraça e Gustavo Cardoso (Tinta da China, 2010). Como não recordar a ideia perigosa: “vamos educar o povo”? Ou a de ser independente, e livre, ou a de interpretar diferentemente os textos sagrados? É um desafio a sessenta personalidades para dizerem, com toda a liberdade, o que se pode fazer por Portugal, correndo perigos e riscos, de modo, entendendo o passado, a actualidade e o futuro. E esse entendimento pressupõe inconformismo e ínfimo constrangimento. Até porque as ideias só podem dar frutos se fizerem mexer, se forem imbuídas de movimento, ou seja, se forem perigosas.
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Eduardo Lourenço escreveu «A Morte de Colombo – Metamorfose e Fim do Ocidente como Mito» (Gradiva, 2005) a pensar das comemorações de 1992 relativas à chegada dos europeus à América, no entanto este conjunto de ensaios funciona hoje com maior pertinência do que há vinte anos, porque questiona o Ocidente como mito, num momento em que os Estados Unidos e a Europa estão confrontados com a necessidade de encontrar respostas diferentes perante a emergência de novas potências, dotadas de novas características e de preocupações antes não suspeitadas. A recente crise económica e financeira obrigou já o Ocidente a repensar-se, diante da impossibilidade de tornar a ilusão realidade. Os dois lados do Atlântico deixaram de poder pensar-se em termos de aliança e de confronto tradicionais. A ordem saída da Segunda Grande Guerra acabou. Resta-nos repensar o mito…
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“O Bazar Alemão” de Helena Marques (D. Quixote, 2010) é um romance com todos os ingredientes para prender os leitores do princípio ao fim e por boas razões – a narrativa, o enredo, a escrita, as personagens, o tema, o tratamento das atitudes e dos sentimentos. E é preciso que se diga que a autora, tem provas dadas, como escritora segura, com excelente domínio da língua portuguesa e da arte de contar. E que devemos pedir, antes de tudo, de um romance? Que nos motive, que nos interesse e que nos deixe com a sensação de que nos foi contada uma história com princípio, meio e fim.
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Guy Coq escreveu recentemente uma interessante obra centrada na reflexão sobre o compromisso político e a democracia no pensamento de Emmanuel Mounier (1905-1950) – «Mounier - L’engagement politique» (Michalon, 2008, coll. Le bien commun). Trata-se de um livro fundamental para a compreensão do papel desempenhado pelo autor de “Le Personnalisme” na evolução do pensamento do século XX. Junta-se, assim, a outras obras importantes sobre o filósofo francês, como as da autoria de Jean-Marie Domenach e de Etienne Borne, para além da história política da revista “Esprit” da autoria de Michel Winock. No entanto, temos de lembrar que uma das principais obras sobre o pensamento de Mounier continua a ser “Emmanuel Mounier” de João Bénard da Costa (Morais, 1960), que é muito mais do que uma antologia, como o autor a apresentou no momento em que foi lançada. Na Europa, o livro de João Bénard é uma referência indiscutível, que agora ressurge, perante a obra de Guy Coq e o reconhecimento da actualidade do pensamento de Mounier.
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A VIDA DOS LIVROS
O “Dicionário Histórico das Ordens e Instituições Afins em Portugal”, dirigido por José Eduardo Franco, José Augusto Mourão e Ana Cristina Costa Gomes (Gradiva, 2010) é um repositório exaustivo sobre o tema proposto, que abrange, ao longo de mais de mil páginas, instituições cristãs (católicas, protestantes e evangélicas), hindus e budistas, esotéricas, maçónicas, templárias, neotemplárias e míticas, honoríficas e civis e profissionais. Trata-se de um trabalho de vários anos, elaborado com rigor e sentido pluralista, que merece elogio, por se afirmar como uma obra de referência da maior utilidade.
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