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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

A Vida dos Livros

Semanalmente, poderá encontrar a escolha de um livro por Guilherme d’Oliveira Martins. 
A VIDA DOS LIVROS
13 Jun 2011 - «El Largo Viaje» (Tusquets, 2004) de Jorge Semprún é um conjunto notável de recordações amargas, terríveis, mas serenas, da barbárie de Buchenwald. No dia em que saiu do campo, ao autor pôs-se-lhe o dilema: recordar esse tempo inominável ou viver. E escolheu viver. Mas, quase vinte anos passados, em 1963, decidiu-se a escrever, com uma clareza capaz de obrigar a que essa memória não possa ser esquecida, em nome da humanidade e da liberdade. Contra qualquer violência ressentida, Jorge Semprún (1923-2011), agora falecido, contrapõe a exigência de nunca esquecer a dignidade humana.
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06 Jun 2011 - Para assinalar um quarto de século da integração portuguesa nas Comunidades Europeias, o gabinete do Parlamento Europeu em Lisboa, sob a iniciativa de Paulo de Almeida Sande, teve a excelente e oportuna ideia de reunir em livro um conjunto de depoimentos sobre Portugal e a União Europeia intitulado «25 Anos de Integração Europeia» (Parlamento Europeu, Gabinete em Portugal, 2010). A obra vale por si e merece ser lida cuidadosamente, uma vez que contém um manancial assinalável de temas e análises, sob perspectivas diferentes, que permitem uma releitura muito fecunda do fenómeno europeu, a partir de Portugal, num momento em que as crises, cujas consequências bem sentimos, nos obrigam a lançar novas pistas de acção que reencontrem as melhores raízes do projecto europeu, como catalisador de paz e segurança, de desenvolvimento sustentável e de diversidade cultural.
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30 Mai 2011 - «Origens do Sebastianismo» de António Costa Lobo é um clássico da ensaística portuguesa, agora reeditado (Texto, 2011) com o prefácio de Eduardo Lourenço de 1982, que constitui uma das análises mais luminosas sobre o sebastianismo da nossa literatura – e procede a uma síntese entre a filomitia e a recusa de qualquer simplificação imaginativa. Costa Lobo (1840-1913) escreveu esta reflexão em 1909. Frequentara a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, tendo desenvolvido actividades como jurista, sob influência do krausismo, e de professor do Curso Superior de Letras. Foi Par do Reino, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro de Estado. Este ensaio merece referência pela sua qualidade, pelo conhecimento que revela da evolução histórica portuguesa e pela agudeza crítica com que se demarca de outras análises menos fundamentadas sobre o sebastianismo.
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23 Mai 2011 - «A Expansão Quatrocentista Portuguesa» (D. Quixote, 2008) de Vitorino Magalhães Godinho é uma obra que merece revisitação obrigatória, pelo rigor da análise, pela pertinência das considerações e pelo sentido crítico, factores que representam um modelo e um exemplo para a moderna historiografia europeia, na qual pontuou o seu autor, que há pouco nos deixou, mas cuja presença tem de manter-se viva na cultura portuguesa contemporânea. Acresce que a obra em questão foi objecto de uma criteriosa revisão do Professor Magalhães Godinho no final da vida, o que lhe dá importância e uma actualidade acrescidas.
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16 Mai 2011 - «Londres em Paris – Eça de Queirós e a Imprensa Inglesa» de Teresa Pinto Coelho (Colibri, 2011) corresponde a uma leitura anglófila do percurso do autor de «Os Maias». Tudo começa por uma factura emitida em 1 de Abril de 1892 pela Livraria Galignani da Rue Rivoli. Partindo desse documento, a autora procede a um estudo de grande interesse e curiosidade sobre a influência da imprensa vitoriana na concepção e elaboração da «Revista de Portugal» e do «Suplemento Literário da Gazeta de Notícias», do Rio de Janeiro, bem como no projecto de “O Serão”. Eça aparece-nos fascinado pela cultura e literatura inglesas, apesar de estar em Paris e de ser tido por afrancesado. Tudo isto poderá parecer paradoxal, mas não o é, uma vez que o romancista assume, afinal, uma atitude muito comum entre os portugueses – de proximidade cultural com a França e de admiração genuína pela Velha Albion… Leia-se, por exemplo, o que Oliveira Martins diz, exactamente na “Revista de Portugal”, sobre “Os Filhos de D. João I” e sobre a costela inglesa destes. O certo é que este delicioso «Londres em Paris» permite compreendermos bem que a «nossa Europa» tem uma raiz ambivalente.
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09 Mai 2011 - No seu último livro intitulado “La Voie – Pour l’Avenir de l’Humanité” (Fayard, 2011), Edgar Morin apresenta, de um modo muito clarividente, um conjunto muito rico de propostas para ultrapassar a crise global que vivemos, mas também para compreender as raízes do mal que nos atinge globalmente e que exige respostas corajosas e determinadas. E a verdade é que, se nada for feito, os riscos são tremendos em virtude de uma máquina inigualitária que mina os tecidos sociais e suscita perigosas tensões protecionistas; de um sistema que destrói os recursos raros, que encoraja as políticas de concentração e que corrói o planeta; de uma máquina que inunda o mundo de dinheiro fácil e ilusório e que encoraja a irresponsabilidade bancária; de um “casino” onde se exprimem todos os excessos do capitalismo financeiro; e de uma estranha centrifugadora que pode vir a fazer explodir a Europa».
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02 Mai 2011 - Ernesto Sábato (1911-2011) é um dos melhores escritores argentinos do século XX. Deixou-nos no último dia de Abril e a sua obra e exemplo cívico dão-nos a referência de alguém que, ao longo da vida, foi um incansável lutador pelo reconhecimento da dignidade da pessoa humana em todas as suas dimensões e consequências. A sua obra maior está na trilogia “O Túnel” (1948), “Sobre Heróis e Tumbas” (1961) e “Abbadón, o Exterminador (1974).
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25 Abr 2011 - Na edição de 2000 de “O Labirinto da Saudade” (Gradiva), Eduardo Lourenço afirma: «Somos, enfim, quem sempre quisémos ser. E todavia, não estando já na África, nem na Europa, onde nunca seremos o que sonhámos, emigrámos todos, colectivamente, para Timor. É lá que brilha, segundo a nova ideologia nacional veiculada noite e dia pela nossa televisão, o último raio do império que durante séculos nos deu a ilusão de estarmos no centro do mundo. E, se calhar, é verdade». Mas hoje estamos confrontados ainda com outras interrogações.
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