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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

"Que Portugal na Europa, que futuro para a União?"

No próximo dia 23 de fevereiro (quinta-feira), Daniel Proença de Carvalho é o orador-convidado do ciclo de jantares-debate.
O quinto jantar-debate do novo ciclo “Que Portugal na Europa, que futuro para a União?” terá Daniel Proença de Carvalho como orador - convidado. Será a 23 de fevereiro, na Biblioteca do Grémio Literário, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Daniel Proença de Carvalho, nascido no Fundão em 1941, tem uma longa e profícua carreira baseada na advocacia, mas de vocação multidisciplinar, com um indesmentível interesse pela política, embora mais como observador ativo do que como ator interveniente.

Disse um dia, a propósito, que “tudo o que aconteceu na minha vida foi inesperado. Nasci numa pequena aldeia da Beira Baixa, em plena Guerra, num ambiente extremamente difícil, pobre, sem esperança”.

Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra, em 1965, não deixando, contudo, de recrear o seu gosto pela música, ao integrar o Orfeon Académico, o Club de Jazz de Coimbra, bem como o Trio Los Dos, com José Niza e José Cid.

Após a licenciatura, foi magistrado do Ministério Público, de 1965 a 1967, e inspetor da Polícia Judiciária, desde 1967 até 1969. Em 1970, deu um passo importante ao ser admitido no departamento jurídico da Empresa de Cimentos de Leiria, de António Champalimaud. A relação profissional com o grande empresário tornar-se-ia intensa e duradoura.

Proença de Carvalho aderiu ao Partido Socialista logo após o 25 de abril. Porém, a seguir ao 25 de novembro de 1975, pediu a sua desfiliação para assumir a direção do Jornal Novo, um titulo conotado com as forças democráticas não revolucionárias.

Manifestou, então, uma inegável atração pelos media, que se mantém até hoje. É presidente da Global Media, proprietária de alguns dos principais títulos da imprensa portuguesa, designadamente, dos jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Diário de Notícias da Madeira e O Jogo, a rádio TSF, além de várias revistas, como a Volta ao Mundo.

Em 1978, trocaria, no entanto, o Jornal Novo pelo Ministério da Comunicação Social do IV Governo Constitucional, de iniciativa presidencial de Ramalho Eanes e sendo primeiro-ministro Carlos Mota Pinto. Após sair do governo, foi nomeado presidente do conselho de administração da RTP, em 1979.

Dirigiu, mais tarde, a campanha de Diogo Freitas do Amaral nas eleições presidenciais de 1986 e, dez anos depois, foi mandatário da primeira candidatura de Anibal Cavaco Silva nas presidenciais de 1996.

Na sua biografia como advogado, constam vários processos mediáticos, entre eles o célebre caso da Herança Sommer, protagonizado por António Champalimaud, mas patrocinou também, em diversos processos, o banqueiro Ricardo Salgado ou o antigo Primeiro-Ministro, José Sócrates.

Em 2009, a sua sociedade de advogados, Proença de Carvalho & Associados, fundiu-se com uma grande sociedade espanhola, a Uría Menéndez, sendo desde então presidente do conselho de administração da Uría Menéndez - Proença de Carvalho, considerado um dos mais importantes escritórios de advogados com sede em Lisboa.

Entre as restantes atividades exercidas, é presidente do Conselho de Curadores da Fundação Champalimaud e da Fundação Batalha de Aljubarrota e presidente da assembleia geral do Instituto Português de Corporate Governance. É conferencista na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, desde 2005.

É autor dos livros Justiça e Política: um caso exemplar, Cinco Casos de Injustiça Revolucionária e O Processo de António Champalimaud.

Há outro Daniel Proença de Carvalho? - perguntaram-lhe um dia numa entrevista de vida. Disse de si: “todas as pessoas são duas pessoas. Melhor, todas as pessoas públicas têm um lado público, às vezes mitificado, e depois são as pessoas reais. Quando se tem uma vida pública, as pessoas são atores que desempenham uma função, e vestem a pele dessa função. Nos cargos que desempenhei procurei a pele mais adequada ao cargo e exercer esse cargo da forma mais eficiente. Despindo-me muito, muitas vezes, dos meus sentimentos, da minha vida pessoal.

Chego a casa, dispo este fato relativamente formal, ponho uns jeans, vou tocar guitarra, fazer jardinagem, lavar a louça quando é preciso. Tenho o cuidado e o hábito de não transportar a vida profissional para casa. Embora a minha mulher seja licenciada em Direito, muito raramente troco com ela uma palavra que seja sobre a minha vida profissional.”

Explica, ainda, que, como advogado, “nunca me senti atemorizado em nenhuma circunstância. Se entro numa sala de audiências e vejo um juiz autoritário e advogados a bajularem esse juiz, fico com a pele eriçada. Devemos dizer aquilo que pensamos com frontalidade. Um advogado que defenda o interesse dos seus clientes, se há coisa que não pode é deixar-se intimidar pelo que quer que seja”.

É esta personalidade multifacetada - com um invulgar currículo distribuído pela advocacia, os media, as empresas e a política -, que vamos ouvir na Biblioteca do Grémio Literário, sobre as perspetivas que se deparam para a União Europeia e para Portugal como parte dessa comunidade.

Data e hora: 23 de fevereiro, às 20h30
Local: Grémio Literário
Preço: 30€
Informações e inscrições: clube.portugues.imprensa@cnc.pt

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Edição: 21 de janeiro de 2017