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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

Lojas tradicionais de Lisboa

Nesta rubrica pretende-se que o cidadão comum se possa envolver na missão de melhorar aspetos ligados à preservação do nosso património construído. Faça-nos chegar os casos que conheça devidamente documentados com texto e imagens, por e-mail: info@cnc.pt.

São do conhecimento público os vários casos de despejo em edifícios ou estabelecimentos, com ou sem interesse patrimonial, por não renovação do contrato de arrendamento unilateralmente decidido pelo senhorio.

De recordar alguns dos desaparecidos nestes últimos meses, nomeadamente, o Restaurante Palmeira (na Rua do Crucifixo) e o Restaurante Pessoa (no Largo de Santa Justa). Ambos com um estilo próprio dos anos 1950 mas este último de finais do século XIX, com azulejos e mobílias do tipo da Cervejaria Portugália a Arroios; o Restaurante Fernando (na Rua dos Bacalhoeiros), a Central da Baixa (na Rua Áurea), a Adega dos Lombinhos (na Rua dos Douradores) todos eles com as suas clientelas habituais que assim se viram desprovidas dos seus saborosos e quotidianos serviços. 

Também a Alfaiataria Nunes Correia (na Rua Augusta), de 1856, o Gravador Capelogravo (na Rua dos Douradores), a Drogaria Pereira & Leão (na Rua da Prata) foram obrigados a fechar, isto só para citar alguns.

Perdemos um património de estilos decorativos, mas também de saberes profissionais, de fabricos oficinais, de gastronomias bem nossas, memórias de muitas épocas, utilidades de todos os dias, atestando a sua viabilidade económica de muitos anos. Tudo permitido pela atual Lei do Arrendamento e pela passividade de quem deve zelar pelo centro histórico de Lisboa. 


PATRIMÓNIO A ACOMPANHAR

 

  • Paris em Lisboa 
     R. Garrett 77

Depois da ameaça de despejo da Tabacaria Martins, agora é a vez da Paris em Lisboa, na esquina da Rua Serpa Pinto com a Rua Garrett, ali desde 1888.
Obteve da rainha D. Amélia o titulo de fornecedores da Casa Real.
O 1º piso, para roupa de cama e quarto, todo em estantes de madeira clara, é de origem. A sobreloja para os têxteis de mesa e cozinha e o rés-do-chão, com balcões dos anos 1970 aos quais foram retirados os vidros, é dedicado aos têxteis de banho. Em 1999 deixou os tecidos a metro para se virar para o têxtil lar. Em 2006 foi feita uma remodelação significativa na apresentação e decoração do estabelecimento que continua a apresentar a coluna forrada de espelhos no centro da loja de baixo. O cheiro a cera da madeira misturado com as essências de banhos e de perfumes, reforça o toque doméstico, para o lar, da Paris em Lisboa, “a casa na loja”!

Mas o mais notável é a fachada: 2 montras altas, primorosamente expostas por uma vitrinista da própria loja, são um cenário agradável para quem passa. A pala, a tabuleta na esquina e o varão de latão a defender as montras dos mirones mais chegados, fazem o resto desse décor fim XIX, inicio XX. Uma pérola de loja ameaçada de ser substituída por mais uma loja estereotipada duma cadeia de padarias!

  • Tabacaria Martins
     Largo Calhariz, n.º 4


O caso de ameaça de despejo da Tabacaria Martins é sintomático dos tempos que correm.
Foi fundada no final do século XIX, uma loja centenária que se destaca pela bela estanteria em boa madeira e a ‘utilidade pública’ patente no constante vai-e-vem de clientes. Recebeu uma carta do proprietário (um fundo imobiliário britânico) com instruções para encerrar, logo depois desmentida dado o movimento de opinião pública espontâneo gerado em seu favor.

  • Casa da Sorte

     Rua Garrett n.ºs 37 - 39

Está encerrada desde o Verão de 2014 para obras e para mudança de ramo, foi até então uma filial da Casa da Sorte, de apostas e lotarias. Antes foi a Tabacaria Estrela Polar do final do século XIX, onde o rei D. Carlos ia comprar charutos.
A obra apresenta data de 1963 da autoria do arquiteto Conceição e Silva, mas o que notabiliza mais este espaço são as cerâmicas de Querubim Lapa, que atrai a sua atenção no exterior, e no interior a emoldurar espelhos, em tons suaves de azul – cor que transmite bem-estar e tranquilidade – próprias para bem-dispor quem ali ia apostar na expetativa de vir a ser rico!
E como vai ficar este estabelecimento que agora está em remodelação? Que aplicação irão ter estes belos painéis?

  • Joalheiros e Prateiros A. P. Silva

     Largo Camões, n.ºs 40 - 41

Fundado em 1895, este elegante estabelecimento em estilo Império, tem já a fachada reposta no lugar, dado o prédio estar a ser totalmente demolido e reconstruído. Esperemos que o recheio – móveis, peças de arte, decoração – desta distinta joalharia voltem igualmente ao seu lugar.

 

BONS CASOS DE SUCESSO

O sucesso de algumas das lojas antigas e emblemáticas de Lisboa, exemplos de excelente salvaguarda de património.

Ourivesaria Aliança 
Rua Garrett, n.º 50


Hoje Tous, de Barcelona, soube renovar preservando impecavelmente o pré-existente: um excelente exemplo de mudança de proprietário com fiel respeito pelo património herdado, renovando a mesma atividade.


Barbearia Campos

Largo do Chiado, n.º 4


De 1886 e sempre na mesma família do fundador. Pela reinstalação do antigo mobiliário e de todo o material no mesmo local do prédio, entretanto completamente remodelado: felicitações aos proprietários que tanto se empenharam com merecido sucesso!



Ginjinha Manuel Cima ou Eduardino 

Rua das Portas de Sº Antão n.º 7


Exemplar pela permanência no local, com manutenção das paredes graças a uma cofragem feita expressamente para esta loja, enquanto o restante prédio está a ser completamente demolido e refeito.

Manutenção tanto mais de saudar, pois “as paredes também falam”! 


Ourivesaria Joalharia Barbosa & Esteves

Rua da Prata, n.ºs 293 - 297


Com fachada, mobiliário e interior desenhados por Cotinelli Telmo e Luis Cunha, em estilo modernista, são o suficiente para uma atenção especial, quer de quem passa, quer de quem zela pelas lojas tradicionais e com história. Saiba mais aqui.