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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

De 27 de Junho a 3 de Julho de 2005

O Colóquio que teve lugar há uma semana na Fundação Luso-Americana constituiu um momento especialmente emocionante das comemorações dos sessenta anos do CNC.

REFLEXÃO DA SEMANA
De 27 de Junho a 3 de Julho de 2005

O Colóquio que teve lugar há uma semana na Fundação Luso-Americana constituiu um momento especialmente emocionante das comemorações dos sessenta anos do CNC. A presença de Roselyne Chenu, braço direito de Pierre Emmanuel na Associação Internacional para a Liberdade da Cultura, referência mítica de mil amizades, agora justamente condecorada com a Ordem da Liberdade, constituiu um motivo único para gratas recordações de um tempo de que não nos esquecemos. Ainda há dias, na sessão da Gulbenkian, Eduardo Lourenço falava-nos de um Encontro misterioso no CNC, com Pedro Lain Entralgo e com Dionísio Ridruejo. Ora esse foi um encontro entre pessoas da rede da Associação para a Liberdade da Cultura… Tratava-se de romper com o isolamento dos democratas ibéricos. A abertura de novos horizontes que a emigração europeia lançou, a guerra colonial, o aumento da contestação politica, o surgimento líderes políticos apostados na democracia, o desejo mimético das elites no sentido da democracia, tudo isso alterou profundamente o panorama nacional. A pouco e pouco, foram lançadas as sementes da liberdade política. E a actuação da Comissão Portuguesa para as Relações Culturais Europeias foi fundamental para reforçar estes factores de liberdade e de abertura. Em particular, permitiu o maior contacto com as democracias e com a memória europeia, o que reforçou a vontade de liberdade e as convicções democráticas. E a importância da Comissão é confirmada pelo mérito dos seus membros ou das personalidades apoiadas. Muitas das quais, felizmente, continuam a desempenhar lugares de muito relevo na sociedade portuguesa. O Centro Nacional de Cultura, na transição democrática, ficou a dever tudo a esse espírito. Francisco Sousa Tavares percebeu, antes de todos, que a lufada de ar fresco viria de uma rede internacional, preocupada com a criatividade e a liberdade da cultura. E Pierre Emmanuel visitou vários países da Europa e sentiu que os fundamentos da vida democrática teriam de ser lançados por um compromisso que envolvesse leste e oeste. O que estava em causa não era estender a mão a outros europeus, mas afirmar que todos somos europeus. E a livre circulação de ideias produziu os seus efeitos. Havia que pôr em contacto as pessoas e que tornar a cultura e a arte uma tarefa de liberdade, de mobilidade e de solidariedade activa. E Roselyne Chenu deu-nos, ao lado de António Alçada Baptista e de João Bénard da Costa (autor de uma invocação extraordinária no “Público” de 26 de Junho), graças ao labor intelectual de Nicolau Andresen Leitão, a dimensão da importância dessa experiência e desse método de definir objectivos e de pôr pessoas de diferentes proveniências a trabalhar para um fim comum – segundo o paradigma “pensar para agir”. Afinal, a livre circulação de ideias produziu os seus efeitos...


Edição: 27 de junho de 2005