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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

De 14 a 20 de Março de 2005

Continuamos a evocar os sessenta anos do Centro Nacional de Cultura. 1961 é o tempo da realização das célebres conferências das quintas-feiras. Era presidente Helena Cidade Moura, que convidou desde o Padre Manuel Antunes a Joel Serrão, de Virgínia Rau a Vitorino Magalhães Godinho, de Ruy Belo a Adérito Sedas Nunes ou de David Mourão-Ferreira a Luís Francisco Rebelo.

REFLEXÃO DA SEMANA
De 14 a 20 de Março de 2005

Continuamos a evocar os sessenta anos do Centro Nacional de Cultura. 1961 é o tempo da realização das célebres conferências das quintas-feiras. Era presidente Helena Cidade Moura, que convidou desde o Padre Manuel Antunes a Joel Serrão, de Virgínia Rau a Vitorino Magalhães Godinho, de Ruy Belo a Adérito Sedas Nunes ou de David Mourão-Ferreira a Luís Francisco Rebelo. Mas houve quem contestasse a falta de polémica e a tentativa de aumentar o número de sócios. Foram lançados sem sucesso cursos de alfabetização. Goa é invadida, os sócios do CNC criticam a atitude de Salazar. Sousa Tavares e Natália Correia fazem discursos inflamados depois de um cortejo até aos Jerónimos. O primeiro, no entusiasmo do momento, aponta para a poetisa açoriana e exclama: “Eis a República!”. A guerra de Angola e a crise académica abrem a fase de contestação política aberta, agora com vigilância cada vez mais permanente da PIDE. Em 61, na sede há obras. Surgem as cadeiras de lona e sessões ao sábado de manhã. Sousa Tavares, primeiro, Fernando Amado, depois, animam iniciativas cada vez mais críticas do regime, com António Alçada Baptista, Lindley Cintra, Manuel Antunes, Michel Giacometti, Vitorino Nemésio, Delfim Santos, Sant’Ana Dionísio e José Marinho. Pascoaes é invocado como voz insubmissa. Francisco e Sophia são os esteios do Centro, pagam as rendas do seu bolso, mantêm as actividades, fazem as convocatórias suportam os encargos de correio, limpam a sede. A Resistência Cristã, de Nuno de Bragança, José Pedro Pinto Leite, João Bénard da Costa, faz aqui a sua sede. Depois do fecho da Sociedade Portuguesa de Escritores, por causa da atribuição do prémio a Luandino Vieira, Sophia transforma o CNC em lugar de resistência intelectual. Os jovens universitários tornam-se presença assídua - António Reis, Jaime Gama, José Luís Nunes, Eduardo Prado Coelho, Nuno Júdice, Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra. Alguns dos monárquicos da primeira hora saem. Sob a presidência de Francisco Lino Neto, realiza-se o 1º Encontro Nacional de Críticos de Arte. Homenageia-se Manuel Bandeira e Raul Brandão. Gastão Cruz, E. Prado Coelho e Jorge Sampaio intervêm activamente nas actividades do CNC. Gama organiza com outros universitários um movimento de contestação à guerra do Vietnam. J.M. Galvão Teles preside ao Centro em 1968. Os tempos mudam. Jorge de Sena, vindo de Santa Bárbara, tem dificuldade em se fazer ouvir. Na S. Nacional de Belas Artes organiza-se o ciclo “Lusitânia, Quo Vadis?”. Em Março de 1969 uma das sessões é proibida, o que origina manifestações, cargas policiais e detenções. Galvão Teles é detido por causa do Centro. A propósito das eleições, CDE e CEUD desentendem-se no CNC e Sousa Tavares, afecto à CEUD de Mário Soares, retoma a liderança...