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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

De 27 de Dezembro de 2004 a 2 de Janeiro de 2005.

Duro ano este 2004, que termina. Três grandes amigos nos deixaram: António Sousa Franco, Sophia de Mello Breyner e Maria de Lourdes Pintasilgo. Recordamo-los. “António Sousa Franco era um conversador único. Tinha um fantástico sentido de humor. Gostava da vida...

REFLEXÃO DA SEMANA
De 27 de Dezembro de 2004 a 2 de Janeiro de 2005


Duro ano este 2004, que termina. Três grandes amigos nos deixaram: António Sousa Franco, Sophia de Mello Breyner e Maria de Lourdes Pintasilgo. Recordamo-los. “António Sousa Franco era um conversador único. Tinha um fantástico sentido de humor. Gostava da vida. Foi das pessoas mais inteligentes que conheci. Era um regalo para o espírito conversar com ele. Tinha a paixão dos livros. Havia sempre livros por toda a parte, nas suas casas. (…) Era um homem de uma fé profunda. Era um militante cristão empenhadíssimo – da escola social, da militância da solidariedade e da justiça. E, numa das últimas conversas que tivemos, falou-me da biografia de R. Schuman, um católico militante, um europeísta convicto, que tanto admirava, e lembrou a necessidade de preservar os grandes ideais da Europa da paz e da cultura para os dias de hoje. António Luciano era um idealista, um cidadão empenhadíssimo, um homem de combates sérios e abertos. (…) Ele era um dos nossos melhores”.
“Sophia de Mello Breyner não nos deixou. Estamos a ouvi-la. Ouvi-la-emos sempre. “Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar, do mar e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dentro dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem”. É a busca da eternidade que sempre encontramos em Sophia. É o encontro necessário que, depois, se projecta no além. Em cada palavra, em cada gesto encontramos essa demanda – de liberdade e de justiça. E. Lourenço justifica-o. Sophia é a “tecedora do mais alto dia e da mais viva esperança no meio da noite, nossa e da vida”. Até sempre, querida Sophia!
“Maria de Lourdes Pintasilgo teve uma vida intensa. Foi pioneira nas causas sociais, na cultura da paz, no lançamento das bases de uma cultura ecuménica. Nos anos cinquenta, com Adérito Sedas Nunes, renovou o pensamento da Igreja, antecipando o espírito do Concílio Vaticano II. Foi Primeira-Ministra, participou nos areópagos internacionais na reflexão sobre as bases de uma nova ordem internacional… Era uma militante. (…) No funeral, muitos poemas de Sophia foram lidos e relidos. “O que a Sophia diz está sempre certo!”. Pedro Tamen recordou há pouco a afirmação peremptória e indiscutível de Ruy Cinatti. Era assim, de facto, com as palavras medidas, de lugar irrepreensível, sempre em busca dos arquétipos divinos - uma procura do tempo permanente, do que dura para além do imediato, das cidades imaginárias e das fronteiras virtuais.”

 

Edição: 27 de dezembro de 2004