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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

De 26 de Abril a 2 de Maio de 2004

25 de Abril de 1974. Evolução ou Revolução? A alternativa não se põe. Manuel Alegre tem razão quando diz: “Trinta anos depois a vida é tua/ agarra as letras todas/ e com elas escreve a palavra amor/ (onde somos sempre dois)/ escreve a palavra amor em cada rua/ e então verás de novo as caravelas/ a passar por aqui: trinta anos depois”...
25 de Abril de 1974. Evolução ou Revolução? A alternativa não se põe. Manuel Alegre tem razão quando diz: “Trinta anos depois a vida é tua/ agarra as letras todas/ e com elas escreve a palavra amor/ (onde somos sempre dois)/ escreve a palavra amor em cada rua/ e então verás de novo as caravelas/ a passar por aqui: trinta anos depois”. Reencontramo-nos sempre com a História. E como poderemos avançar sem a memória do que nos antecedeu? Não podemos esquecer o atraso e a ausência de liberdade. Evolução? Não devemos falar da “evolução na continuidade”, irónica expressão de 24 de Abril, mas do progresso realizado num tempo que continua. Revolução? Foi-o no sentido de uma alteração profunda e de um novo tempo que se abriu – a terceira vaga democrática. Não se confundam as coisas. Houve evolução. Basta percorrer o país. Aí estão as comunicações, as mentalidades, a educação, os serviços públicos, as fronteiras abertas. O longo prazo trouxe-nos a abertura da sociedade e a encruzilhada entre raízes e utopias. Nem tudo foi perfeito. Nem tudo foi alcançado. Tratou-se, afinal, de obra humana e, sobretudo, de democracia. Hoje, somos responsáveis por nós mesmos – e, no entanto, continua ouvir-se o argumento de que há bodes expiatórios que aquietam as nossas consciências. Liberdade e responsabilidade têm de passar por aqui. Mais do que as conquistas, importa dizer o que está vivo e o que continua. Uma revolução tem sempre interpretações diferentes – sobretudo quando vimos de um atraso agravado pelo isolamento. Abrimo-nos ao mundo. As fronteiras abriram-se. Democracia, Educação e Europa são referências e desafios. Democracia significa participação e responsabilidade. Educação representa o despertar das consciências. Europa tem de ser espaço de paz, de modernidade, de desenvolvimento e de cultura diversa e cosmopolita. Evolução ou Revolução? A alternativa não se põe. Hoje, somos responsáveis por nós mesmos. “A Europa Connosco” tornou-se “Nós com a Europa”. É o nosso sinónimo de democracia de futuro, de mobilidade, de intercâmbio e de enriquecimento mútuo. “A arte de ser português” é hoje “arte de sermos europeus e universais”. Europeus e universais no sentido do Infante D. Pedro. Não se pense em mumificar o 25 de Abril. Se o fizermos, poderemos ter a certeza de que não veremos “de novo as caravelas/ a passar por aqui: trinta anos depois”. Que ideia têm os jovens nascidos depois de 1974? Sobre esse tempo ouvem-se discursos nostálgicos? Acabe-se com a nostalgia. Ou a democracia se vive hoje, contra a decadência e a intolerância, ou torna-se uma referência distante e vaga. Eduardo Lourenço, sempre atento e lúcido, afirma: “No dia 25 de Abril, muito lusitanamente, Deus escreveu direito por linhas direitas”. Compreendê-lo-emos hoje? Revolução ou Evolução – não é dilema. É a vida que continua, e o choque entre a paixão e a falta dela…

Guilherme d`Oliveira Martins