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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

De 17 a 23 de Fevereiro de 2003

O Porto recebeu-nos com um fim de semana fantástico. Pudemos na Serra do Pilar, em Serralves, no Rivoli, no Museu Soares dos Reis, na Casa Museu Guerra Junqueiro ou no itinerário romântico gozar diversas perspectivas e leituras sobre o património histórico e a criação cultural...
1. O Porto recebeu-nos com um fim de semana fantástico. Pudemos na Serra do Pilar, em Serralves, no Rivoli, no Museu Soares dos Reis, na Casa Museu Guerra Junqueiro ou no itinerário romântico gozar diversas perspectivas e leituras sobre o património histórico e a criação cultural... A Ponte cultural funcionou e no próximo trimestre vai-se tornar, pela primeira vez Ponto Cultural Porto-Lisboa. Com Teresa Patrício Gouveia e Luís Braga da Cruz, começámos a planeá-la.
2. Recordámos com Ruben A.: "O Campo Alegre era um oásis no Porto. Tanto o Campo Alegre como a quinta do mesmo nome (...) refugiava-se num dos sítios mais bonitos da cidade. Para lá se chegar ou era a pé ou de automóvel. Como nessa data, entre fins da segunda década do século e começos da terceira, os carros escasseavam, era mesmo a pé que se descobria aquele mundo maravilhoso, não urbanizado, cheio de árvores, aves de arribação, grades do século XIX, ambiente de liberdade, histórias de amor, maldições pairadas, e muitos ingleses com o seu clube desportivo e suas casas sempre cómodas" (O Mundo à Minha Procura, I).
3. E Sophia lá aprendeu o amor do mar. Esse mesmo mar que o Douro encontra na Foz inesquecível. Homero tornou-se luzeiro e horizonte. E nesse encontro da terra e do mar, a poeta procura a medida, o equilíbrio, a pureza e a sabedoria. O tempo e o exemplo ensinaram-lhe "a coragem e a alegria do combate desigual". "A poesia é oferecida a cada pessoa uma vez e o efeito de negação é irreversível". "O amor é oferecido raramente, e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais". Em cada palavra a poeta procura não perder nada dessa oportunidade rara. "Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias".
"Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso" (Sophia, Arte Poética, III). Eis o que Eduardo Lourenço designa como "fosforescência irresistível de ser que impõe ao poeta a sua exacta nomeação como dever de justiça, de justeza, de libertação e íntima transparência". Talvez sejam estes os antípodas de Álvaro de Campos? Mas fica a mesma exigência na interrogação do ser...
4. José Craveirinha (1922-2003) será sempre uma referência maior da cultura moçambicana e da língua portuguesa. Poeta e cidadão, sentiu como ninguém os sentimentos do seu povo moçambicano. Continuaremos a lê-lo!
5. Um abraço solidário à equipa do "Acontece" e a Carlos Pinto Coelho. O exercício exemplar do serviço público e televisão não pode acabar!
Guilherme d`Oliveira Martins
Edição: 17 de fevereiro de 2003