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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

De 16 a 22 de Dezembro de 2002

João Bénard da Costa proporcionou ao CNC, no ultimo sábado, a ante-estreia da novíssima Cinemateca Portuguesa. Trezentos anos de cinema, ....
João Bénard da Costa proporcionou ao CNC, no último sábado, a ante-estreia da novíssima Cinemateca Portuguesa. Trezentos anos de cinema, como "grande arte da Luz e da sombra". E a glorificação do século XX, como o século do Animatógrafo. As sombras chinesas, a lanterna mágica. Sob um firmamento imaginário cheio de estrelas, partimos para uma aventura, apetecível, plena de filmes, de actrizes e actores - todos "muito lá de casa". Salas de cinema, para várias sessões quotidianas. Um autêntico "Mundo de Aventuras" povoado por "Cavaleiros Andantes". Por estranha coincidência, sob os auspícios distantes de Alfred Hichcock, são trinta e nove os degraus (39 Degraus!) que nos conduzem a um espaço de lazer muito convidativo, para filmes, DVDs e livros, com um restaurante.

O palacete da Barata Salgueiro está restaurado e acrescentado - pelos arquitectos António Braga e Alberto Castro Nunes. Estamos perante o sonho, a realizar-se, de um Museu do Cinema. "Um museu onde se projectam e expõem filmes". Na misteriosa sala dos Carvalhos, com as paredes escuras cheias de folhas de carvalho, símbolo da família que foi proprietária do prédio, prometem-se espectáculos de fantasmagoria, invocando os anos das sombras e da lanterna mágica. As memórias de Manuel Félix Ribeiro, o fundador, e de Luís de Pina estão bem vivas neste labirinto que pretende recriar com autenticidade os ambientes do cinema, povoados por mil lembranças - Aurélio Paz dos Reis, Beatriz Costa, Clark Gable, James Stewart, Burt Lencaster, Ingrid Bergman, Judy Garland, Laureen Bacall, Audrey Hepburn, Nicholas Ray, Manoel de Oliveira, Visconti… Cinema é vida! É a "Casa Encantada" de João Bénard da Costa. Um deslumbramento. E foi com olhos deslumbrados que vimos e aplaudimos o filme de João César Monteiro "Sophia de Mello Breyner Andresen". Serenamente, a preto e branco, é uma elegia à "Menina do Mar" e à poesia essencial, inteira e pura. "De todos os cantos do mundo/ Amo com um amor mais forte e mais profundo/ Aquela praia extasiada e nua/ Onde me uni ao mar, ao vento e à lua"…


Guilherme d`Oliveira Martins
Presidente do Centro Nacional de Cultura

Edição: 16 de dezembro de 2002