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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

De 23 a 29 de Dezembro de 2002

É Natal. O consumo parece ter mais força do que as mensagens espirituais e no mundo prepara-se uma guerra, por ...
É Natal. O consumo parece ter mais força do que as mensagens espirituais e no mundo prepara-se uma guerra, por entre muitos sinais de crise e incerteza. Há nuvens negras que se acastelam no horizonte.
Por que motivo voltamos a esquecer o significado de uma época de paz e de boa vontade? Teremos disponibilidade para voltar a ouvir a história maravilhosa do "Cavaleiro da Dinamarca" - em que "as crianças corriam agitadas de quarto em quarto, subiam e desciam a correr as escadas, faziam recados, ajudavam nos preparativos" ou "ficavam caladas e, cismando, olhavam pelas janelas a floresta enorme e pensavam na história maravilhosa dos três reis do Oriente que vinham a caminho do presépio de Belém"?
Há, no entanto, sinais de esperança. Em Copenhaga, há uma semana, a União Europeia deu um passo histórico ao decidir formalmente o alargamento a mais dez países, jovens democracias, do Centro e do Leste do nosso continente. E vimos o sorriso aberto de Adam Michnik. E recordámos o tempo em que o sabíamos preso por acreditar na liberdade. A Europa tem de ser um espaço aberto de paz, de desenvolvimento e de solidariedade.
Num mundo instável e inseguro é essencial este passo. Mas, como todas as decisões fundamentais, esta não é destituída de riscos. Impõe-se que todos os europeus tomem consciência de que a União não deverá enfraquecer-se através do alargamento das suas fronteiras nem diluir-se num modelo ingovernável.
Eis porque a Convenção para o Futuro da Europa está confrontada com um novo e exigente desafio - o de criar instituições legítimas e procedimentos eficazes, que os cidadãos compreendam. Trata-se de construir uma autêntica democracia supranacional. Sem esses instrumentos democráticos, sem uma participação activa dos cidadãos, sem a tomada de consciência de que terá de haver um núcleo activo e dinâmico, consciente das diferenças e da história, em que Portugal terá de participar activamente, com cooperações reforçadas e uma responsabilidade acrescida - o projecto comum estará em causa e poderá ser votado ao insucesso.
"Um por todos, todos por um". Será que, no ano em que Alexandre Dumas, o autor que encheu o nosso imaginário juvenil com audácia e coragem, entrou no solenemente Panthéon, poderemos lembrar o lema dos mosqueteiros?

Guilherme d`Oliveira Martins
Presidente do Centro Nacional de Cultura