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"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva LER BIOGRAFIA

UM LIVRO POR SEMANA

Na semana em que solenemente os Ministros da Cultura do Conselho da Europa abrirão à ratificação dos Estados membros a nova Convenção-Quadro sobre o Património Cultural, aconselho a leitura e a consulta de European Cultural Heritage, Intergovernmental co-operation: Collected Texts, coordenado por José Maria Ballester, 2 volumes, Conselho da Europa, 2002.

UM LIVRO POR SEMANA
De 24 a 30 de Outubro de 2005

Na semana em que solenemente os Ministros da Cultura do Conselho da Europa abrirão à ratificação dos Estados membros a nova Convenção-Quadro sobre o Património Cultural, aconselho a leitura e a consulta de European Cultural Heritage, Intergovernmental co-operation: Collected Texts, coordenado por José Maria Ballester, 2 volumes, Conselho da Europa, 2002. Do que se trata é de saber como é que as pessoas têm o direito, respeitando os direitos e liberdades dos outros, de se implicar no Património Cultural, segundo as suas escolhas, como expressão do direito a tomar parte livremente na vida cultural. Daí a importância da participação dos cidadãos na gestão e preservação do Património Cultural. Daí necessidade de colocar a pessoa humana e os seus valores no centro de conceito alargado e transversal de património cultural. Por isso, destacamos o valor e o potencial do património cultural bem gerido como recurso do desenvolvimento durável e da qualidade de vida, numa sociedade em permanente evolução. A nova Convenção-Quadro de Faro sobre o valor do Património Cultural para a Sociedade Moderna (coordenada pelo CNC) apresenta conceitos inovadores de património material e imaterial, de património comum europeu, de diversidade cultural, que se encontram plasmados, na linha das preocupações fundamentais do Conselho da Europa. E se houve resistências de alguns no tocante ao lançamento de um novo instrumento de trabalho sobre a defesa e salvaguarda do património e da memória, a verdade é que era da maior urgência a adopção desses novos conceitos, cuja concretização terá de ser devidamente acompanhada e avaliada, para que se completem e enriqueçam os actuais conceitos de conservação e os instrumentos relativos ao património arqueológico e arquitectónico. A memória preserva-se na vida do dia a dia, na criatividade das comunidades abertas, na ligação entre o património, a paisagem, as tradições, os costumes, com a criação cultural e artística, compreendendo-se que o valor acrescentado do Património Cultural, em cada geração, como factor de paz, de respeito e de enriquecimento mútuo, só é plenamente reconhecível se se integrar numa lógica de desenvolvimento e de inovação, de melhor conhecimento, aprendizagem e compreensão da sociedade em que vivemos e da História que protagonizamos. As JEP apelaram este ano ao “futuro do passado”, ao encontro e ao diálogo. Não um encontro abstracto e desenraizado, mas construído a partir do desenvolvimento social e cultural. As grandes crises da História superam-se pela lenta e segura tomada de consciência da liberdade e da responsabilidade pelos cidadãos e pela sociedade, bem como pelo reconhecimento do valor universal da dignidade humana e das diferenças. Dar valor ao que recebemos é lançar as bases de uma Europa aberta que reconheça a Cultura e a Liberdade como valores essenciais e inseparáveis. 

Guilherme d'Oliveira Martins

Edição: 24 de outubro de 2005