"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"
Helena Vaz da Silva
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A VIDA DOS LIVROS
30-01-2012
«Leviatã» de Thomas Hobbes (INCM, 1995), com prefácio de João Paulo Monteiro e tradução do mesmo e de Maria Beatriz Nizza da Silva, é uma obra fundamental para o pensamento político moderno, uma vez que lança de modo pioneiro a reflexão sobre o contrato social e sobre o estado de natureza, obrigando à conceção da limitação do poder político.
A VIDA DOS LIVROS
23-01-2012
«História do Pensamento Filosófico Português», dirigida por Pedro Calafate (Caminho, 1999) é uma obra coletiva na qual os autores procedem em cinco volumes (dois dos quais desdobrados) à análise dos diferentes períodos e autores da Filosofia em Portugal. Hoje procederemos a uma apreciação sucinta do primeiro volume correspondente à Idade Média.
A VIDA DOS LIVROS
16-01-2012
«História do Pensamento Político Ocidental», de Diogo Freitas do Amaral (DFA) (Almedina, 2011), preenche um vazio na literatura portuguesa, mas também se afirma no contexto internacional pela sua qualidade pedagógica e científica. Daí que a sua tradução seria muito útil, uma vez que a obra ombreia com as melhores que conheço sobre o tema. Estamos perante uma obra com elevado sentido pedagógico, servida por uma preocupação muito significativa com a construção de uma cultura de liberdade e de direitos humanos.
A VIDA DOS LIVROS
09-01-2012
«Deus e o Sentido da Existência» de Anselmo Borges (Gradiva, 2011) é constituído por um conjunto de textos, escritos pelo autor em várias circunstâncias, arrumados de um modo coerente e pedagógico, segundo os seguintes capítulos: crentes e ateus - o elogio da pergunta; animalidade e humanidade; sociedade, ética e religião; Deus da religião e o Deus da filosofia; Deus e o sentido último; e o jogo da esperança do mundo. O autor é padre da Sociedade Missionária da Boa Nova, docente de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e um erudito com formação sólida em Ciências Sociais, Filosofia e Teologia. O tratamento dos temas a que há muito nos habituou é extremamente atraente, uma vez que procede a uma rica ligação entre a linguagem, a etimologia e a busca de um diálogo efetivo entre saberes, autores e diferentes horizontes culturais e espirituais.
A VIDA DOS LIVROS
02-01-2012
A Fundação Calouste Gulbenkian iniciou com «Heterodoxias» a publicação das Obras Completas de Eduardo Lourenço (Lisboa, 2011), graças ao trabalho de João Tiago Pedroso Lima, com o apoio de João Nuno Alçada. É um dos grandes acontecimentos culturais do ano que terminou, e a que se juntou a justíssima atribuição ao ensaísta do Prémio Pessoa. A obra dada à estampa constitui um conjunto fundamental de ensaios, onde aos dois volumes já conhecidos se junta uma terceira parte, onde o pensador faz uma leitura indispensável para a compreensão desta obra no contexto da criação lourenciana. Com fidelidade ao ensaísta, a marca das obras completas é Migdar – «o velho mito germânico de Migdar, a serpente que morde em círculo a própria cauda, (…) símbolo de sugestões perpétuas. (…) O reconhecimento de Migdar como essência da realidade, chama-se Heterodoxia».
A VIDA DOS LIVROS
26-12-2011
CONTO DE NATAL DE 2011: «A livraria do convento estava silenciosa. O Natal aproximava-se. Frei António preparava, como habitualmente, um sermão. Naquela altura do ano não havia por ali amenidades de tempo, o Inverno era rigoroso, o frio e a humidade estavam em toda a parte. Para variar, na livraria sentia-se especialmente a intensidade do tempo invernoso. Felizmente, nos últimos dias, naquela cidade de Pádua, o sol espreitava entre as nuvens, o que dava uma maior luminosidade, que entrava pelas janelas. Contudo, o mês anterior tinha sido muito agreste – e, se é certo que a chuva agora dera tréguas, a verdade é que o frio viera sem pedir licença. Apesar de sempre muito ocupado, Frei António lembrava-se muitas vezes do tempo ameno da sua cidade de Lisboa, e de Coimbra, onde fizera toda a sua formação com os cónegos de Santa Cruz.
A VIDA DOS LIVROS
19-12-2011
Stéphane Hessel e Edgar Morin acabam de publicar «Le Chemin de l’Espérance» (Fayard, 2011), onde nos apresentam um alerta para os dias de hoje. A política, a economia, a sociedade e a cultura precisam de uma tomada de consciência cidadã no sentido da liberdade, da justiça, da igualdade, da solidariedade e da responsabilidade. Fala-se muito de indignação, e essa foi a palavra usada por Hessel, no entanto os dois autores, nonagenários mas de uma lucidez exemplar, propõem-nos uma nova esperança, assente na vontade emancipadora e da recusa da indiferença. O mesmo tem feito Eduardo Lourenço, agora justamente galardoado com o Prémio Pessoa!
A VIDA DOS LIVROS
12-12-2011
«Pai-Nosso que Estais na Terra» de José Tolentino Mendonça (Paulinas, 2011) é, segundo o subtítulo da obra, «o Pai-nosso aberto a crentes e a não-crentes» e José Mattoso afirma que essa abertura constitui uma característica singularíssima desta obra: «há milhares de comentários ao Pai-nosso, a única oração que Jesus nos ensinou. Não conheço nenhum ao nosso Pai que está na Terra». É por aí que o escritor faz do seu comentário um diálogo aberto a todos. Nesse sentido, este é um livro para este tempo, uma vez que procura sinais de esperança num momento de grande dúvida e incerteza.
A VIDA DOS LIVROS
05-12-2011
Um dos livros mais importantes sobre a Restauração de Portugal de 1640 é a “História de Portugal Restaurado” da autoria de D. Luís de Menezes, Conde de Ericeira (1632-1690). Teve numerosas edições e foi republicado com a grafia e pontuação atualizadas, por António Álvaro Dória (1902-1990), em 1945 e 1946, na Editora Civilização, em 4 volumes. É uma obra de grande interesse sobre um período difícil de estudar e interpretar. A sua leitura deve ser feita como uma meditação sobre as circunstâncias existentes, tornando-se necessário compreender como Portugal no final do século XVI e no século XVII respondeu aos desafios de um mundo em profunda mudança.
A VIDA DOS LIVROS
28-11-2011
«Tiago Veiga – Uma Biografia» de Mário Cláudio (D. Quixote, 2011) é um livro singularíssimo em que tudo se encontra: a tragédia, o drama, a ironia, a ilusão, a realidade, pessoas e fantasmas… Deparamo-nos com a sociedade portuguesa, nas suas forças e fraquezas, uma vez que Tiago Manuel dos Anjos, aliás, Tiago Veiga é uma personagem inclassificável e inesperada, que parece vocacionada para se encontrar com o mundo, mas que, no entanto, acumula desencontros. Estamos, no fundo, diante de um apelo crítico sobre Portugal… Daí ser um livro de leitura indispensável.
A VIDA DOS LIVROS
21-11-2011
«História Económica de Portugal (1143-2010)» de Leonor Freire Costa, Pedro Lains e Susana M ünch Miranda (Esfera dos Livros, 2011) é uma excelente síntese, sobre a evolução portuguesa, a partir da demografia, das alterações nas formas de propriedade, na organização da produção, no comércio externo e nas finanças públicas, que nos permite ter uma interpretação séria e fundamentada sobre uma «economia nacional» com nove séculos de existência, com um desenvolvimento complexo e multifacetado.
A VIDA DOS LIVROS
14-11-2011
O livro «Viagens e Exposições – D. Pedro V na Europa do Século XIX» da autoria de Filipa Lowndes Vicente (Gótica, 2003) trata das duas viagens europeias dos futuros reis D. Pedro e D. Luís (1854 e 1855) e a esse propósito contem uma análise circunstanciada dos itinerários seguidos e dos comentários feitos pelo rei «Esperançoso» sobre o que vê, na perspetiva de contribuir ativamente para a modernização de Portugal, que considera essencial. Assinalando-se 150 anos da morte de D. Pedro V (1837-1861) a 11 de Novembro, o CNC homenageou o jovem rei no domingo, visitando o Palácio da Ajuda, onde não viveu, mas onde se encontram a sua melhor iconografia e objetos que invocam a sua memória.
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