﻿<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0" xmlns:blogChannel="http://backend.userland.com/blogChannelModule"><channel><title>Reflexões do CNC</title><link>http://www.cnc.pt/</link><language>pt-pt</language><description>Reflexões do CNC</description><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[O “Dicionário Histórico das Ordens e Instituições Afins em Portugal”, dirigido por José Eduardo Franco, José Augusto Mourão e Ana Cristina Costa Gomes (Gradiva, 2010) é um repositório exaustivo sobre o tema proposto, que abrange, ao longo de mais de mil páginas, instituições cristãs (católicas, protestantes e evangélicas), hindus e budistas, esotéricas, maçónicas, templárias, neotemplárias e míticas, honoríficas e civis e profissionais. Trata-se de um trabalho de vários anos, elaborado com rigor e sentido pluralista, que merece elogio, por se afirmar como uma obra de referência da maior utilidade.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=746</link><pubDate>06-09-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[George Steiner numa obra fascinante - «Os Livros que Não Escrevi» (Gradiva, 2008) – trata a questão das Humanidades, a propósito das reformas do ensino (secundário e superior), e percebemos que a única maneira de defender, coerente e eficazmente, essa causa nos dias de hoje obriga a ir muito para além dos lugares comuns tão repetidos, que nos levam amiúde a saudosismos inúteis que nada têm a ver com um pensamento sério sobre o combate à ignorância e à mediocridade.
]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=745</link><pubDate>30-08-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[«Os Melhores Contos do Padre Brown» de G.K. Chesterton (Assírio e Alvim, Colecção Teofanias, 2010) com selecção e apresentação de Peter Stilwell e tradução de Jorge Pereirinha Pires leva-nos a uma das personagens mais desconcertantes e ricas da literatura policial. Celebrizada no mundo literário e popularizada numa célebre série televisiva dos anos setenta com Kenneth More, para não falar do desempenho de Alec Guinness em 1954, a figura do Padre Brown (que Evelyn Waugh expressamente invoca em “Brideshead Revisited”) é uma curiosíssima síntese entre o método de Chesterton baseado na ironia e no paradoxo e o apelo à refinada inteligência dos leitores.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=744</link><pubDate>23-08-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[«Os Dias de Portugal – Discursos de João Bénard da Costa» (Presidência da República, 2010) é um livro para ler, meditar e guardar. A obra inicia-se com uma belíssima fotografia da autoria de Luís Filipe Catarino, datada de Janeiro de 2005, tirada em Mântua, que marca a mensagem fundamental do autor, que falando de Portugal e dos portugueses, trá-los dos confins do mundo culto para os tornar ainda mais interessantes, do que à primeira vista podem parecer...]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=743</link><pubDate>16-08-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA["O Outro" de Ryszard Kapuscinski (Campo das Letras, 2009) é uma obra fundamental para a compreensão da diversidade contemporânea, tendo sido escrita a partir da riquíssima experiência deste jornalista célebre com missões de elevado risco nos lugares mais perigosos do planeta. Trata-se de um pequeno livro escrito com muito talento, cuja leitura é indispensável nos tempos actuais, pela qualidade da escrita, pela argúcia dos argumentos e pela profundidade das reflexões filosóficas e antropológicas.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=742</link><pubDate>09-08-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Acaba de sair uma importante obra da autoria de Vítor Aguiar e Silva, professor da Universidade do Minho e antigo professor da Universidade de Coimbra, académico ilustre, que merece uma leitura atenta e que põe a tónica no momentoso problema. Falo de «As Humanidades, os Estudos Culturais, o Ensino da Literatura e a Política da Língua Portuguesa» (Almedina, 2010), instrumento precioso pela pertinência das considerações que contém e pelos apelos que nos obriga a considerar. Li e reli com prazer e deleite os diversos textos (alguns dos quais já conhecia) e encontrei matéria suficientíssima para muitas reflexões e para sérios motivos mobilizadores – em prol da cultura, da língua, da educação e da ciência, contra cépticos e dogmáticos.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=741</link><pubDate>02-08-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[O livro de Enzo Bianchi “Para uma Ética Partilhada” (Tradução de Artur Morão, Pedra Angular, 2009) é uma actual e belíssima reflexão sobre o mundo contemporâneo, sendo de uma grande oportunidade, em especial quando sentimos os efeitos da crise económica e financeira e percebemos que uma resposta ética actuante exige coerência e eficácia, para que os problemas actuais não venham a repetir-se, em condições certamente ainda mais gravosas para todos, não apenas para as contas, mas fundamentalmente para a coesão social e para a confiança nas instituições da democracia.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=740</link><pubDate>26-07-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[As obras completas de Manuel Teixeira-Gomes (1860-1941) estão a ser publicadas pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda, constituindo uma excelente oportunidade para tomar contacto com um dos melhores prosadores do século XX. Em 2009, saiu o segundo volume, que reúne “Gente Singular” (1909), “Novelas Eróticas” (1935) e “Maria Adelaide” (1938), com Prefácio de Urbano Tavares Rodrigues e notas do mesmo e de Helena Carvalhão Buescu e Vítor Wladimiro Fereira. Estamos perante belos textos que realçam personalidades multifacetadas, lugares de magia cosmopolita, o Algarve que o autor amava e a sensualidade em estado puro…  ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=739</link><pubDate>19-07-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Em vésperas de completar oitenta anos de idade e sessenta de vida literária, Albano Martins (n. 24.7.1930) acaba de ver editada a antologia “As Escarpas do Dia – Poesia 1950-2010” (Afrontamento, 2010), que constitui mais do que uma homenagem, a oportunidade de podermos ter acesso à produção literária de um poeta de créditos firmados, que tem interpretado a terra, a vida e o quotidiano de um modo sentido e talentoso, apesar da discrição, sempre acompanhada por uma grande exigência literária. Com António Ramos Rosa foi um dos fundadores da “Árvore – Folhas de Poesia” e, ao lado de José Augusto Seabra, foi dos principais animadores da revista e movimento sedeado no Porto da “Nova Renascença”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=738</link><pubDate>12-07-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Viagem a Portugal” de José Saramago (1ª edição, 1981) integra-se no género da literatura de viagens, mas é mais do que isso. Trata-se de tentar ver Portugal de um modo talvez mais atento. Usar olhos de ver. O autor quis deambular pelos lugares, mas também pelas invocações, caminhando ao encontro do inesperado. Há viagens e há crónicas, e há a tentativa de compreender a natureza e as pessoas, em diálogo constante. «É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já». E o país assim torna-se apaixonante. Já Garrett no-lo dissera e demonstrara. Neste momento, em que o escritor nos deixa fisicamente é bom voltar aos seus passos peregrinadores, talvez para que possamos, nós mesmos, descobrir melhor “aqui onde o mar acaba e a terra principia”, ou se quiserem, como se diz no fecho de “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, “aqui onde o mar se acabou e a terra espera”…]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=737</link><pubDate>05-07-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Silêncio” de Shusaku Endo (1923-1996) é uma obra-prima da literatura contemporânea (tradução de José David Antunes, D. Quixote, 1990). Intitulado originalmente “Chinmoku” (1966), este livro teve, desde a sua publicação, um enorme sucesso, suscitando comentários contraditórios. O autor trata de um tema de grande complexidade, a apostasia, especialmente se pensarmos na sociedade japonesa do século XVII. Partindo da experiência de um jesuíta português, Cristóvão Ferreira, prestigiado teólogo, Endo narra uma aventura espiritual ligada às conversões cristãs no Japão e às perseguições que se lhes sucederam. Esta apostasia ocorreu no período das mais violentas perseguições das autoridades japonesas para pôr fim a um processo considerado perigoso. Pretendiam, afinal, estirpar o desenvolvimento de uma influência estranha, que ameaçava as tradições ancestrais.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=736</link><pubDate>28-06-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA["Os Dias e os Anos – Diário, 1970-1993" (D. Quixote, 2010) de Marcello Duarte Mathias é um livro que nos traz a recordação de um período de transição, entre 1970 e 1993, em que Portugal viveu a preparação de uma súbita mudança de século e tudo o que lhe seguiu, ligando o 25 de Abril e a queda do muro de Berlim. Dir-se-á hoje que tudo era, mais ou menos, previsível. No entanto, é fundamental recordar como era difícil antever a circunstância exacta em que tudo iria mudar e como. O tempo tem sempre essa qualidade única que permite tornar natural aquilo que visto por antecipação é o mais estanho que se possa imaginar…]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=735</link><pubDate>21-06-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Há cinco anos, deixou-nos Eugénio de Andrade (1923-2005), poeta da transparência e da compreensão do quotidiano, autor de obra vasta, entre a qual se destaca: “Ofício de Paciência”, 1994; “O Sal da Língua”, 1995; “Pequeno Formato”, 1997; “Os Lugares do Lume”, 1998; “Os Sulcos da Sede”, 2001. Hoje recordamo-lo sentidamente. O Porto é uma cidade que há muito sinto como minha e se isso acontece, tal deve-se à minha ancestralidade, mas muito a Eugénio de Andrade e ao que a sua escrita e a sua sensibilidade me ensinaram a amar a única cidade-estado que houve em Portugal, no dizer de Jaime Cortesão.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=733</link><pubDate>14-06-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Antero de Quental em Vila do Conde” de Luís de Magalhães, com recolha, prefácio e notas de Ana Maria Almeida Martins (Tinta da China, 2010) permite-nos mergulhar de pleno no mundo fantástico de Antero de Quental e dos seus amigos. O jovem Luís de Magalhães que secretariou a Liga Patriótica do Norte, presidida por Antero é o melhor cicerone para nos fazer entrar nessa mundo exclusivo, de uma plêiade de génios que teve a coragem de pensar Portugal, não numa lógica fatalista e derrotista, mas com os olhos postos no futuro, acreditando em que seria possível mobilizar vontades, fazendo país sair da modorra e do conformismo. É difícil conceber um tal programa? Eis por que razão este livro deve ser lido.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=732</link><pubDate>07-06-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“O Chiado Pitoresco e Elegante” de Mário Costa (2ª edição, 1987) é um repositório de memórias despretensiosas sobre um lugar fundamental para a compreensão da cidade de Lisboa. Aqui foi o limite da cidade quando se fez a muralha fernandina, aqui foi estabelecido o culto aos Mártires de Lisboa desde a reconquista, aqui eram as Portas de Santa Catarina… E nos dois últimos séculos aqui se passou tudo o que de mais relevante teve a história de Lisboa – de Eça de Queiroz a Almada Negreiros, aqui a criatividade e a inovação campearam… ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=731</link><pubDate>31-05-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Rosalia de Castro (1837-1885) nasceu em Santiago de Compostela e morreu em Padrón, sendo justamente considerada a fundadora da literatura galega moderna. 17 de Maio, data da publicação de “Cantares Gallegos” em 1863, é o “Dia das Letras Galegas”. Esta obra constitui, aliás, o primeiro livro escrito em galego numa época em que a língua galega deixara de ser usada como idioma escrito e literário. Muitos poemas deste livro são glosas de cantigas populares, onde a autora procura ir ao encontro das tradições, também denunciando as dificuldades a que estava sujeito o seu povo. Oiçamo-la: “Así mo pediron / na beira do mar, / ó pé das ondiñas / que veñen y van. / Así mo pediron / na beira do rio / que corre antre as herbas / do campo frorido” ou “Nas portas dos ricos, / nas portas dos probes / qu’aquestes cantares / a todos responden”. No entanto, Rosalia soube sempre associar o seu testemunho pessoal, os seus sentimentos e o seu talento literário na sua rica criação. A cada passo, sentimos a memória de uma sociedade antiga, onde a alegria e a simplicidade se aliam à melancolia e à lembrança. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=730</link><pubDate>24-05-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[O “Dicionário de Dúvidas, Dificuldades e Subtilezas da Língua Portuguesa” de Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão (D. Quixote, 2010) é um instrumento utilíssimo para todos, em especial para quem ensina e para quem tem de comunicar com os outros, uma vez que explica, de modo muito acessível, correcto e actual, como deve falar-se português para que as mensagens sejam claras, rigorosas e compreensíveis. Não podemos esquecer que, afinal, falar bem português não é questão de gramáticos ou de especialistas da língua, mas de todos sem excepção. Usar bem uma língua é um acto elementar de cidadania e de respeito. E se falo de respeito refiro-o relativamente aos outros, mas também em relação ao valor cultural da língua em si, como património imaterial comum. Se devemos prezar e preservar as “ideias claras e distintas”, também temos de cultivar bem a língua e as línguas, para que a comunicação se faça e para que a compreensão e a clareza ocupem o lugar da incompreensão e da confusão – que são o húmus da ignorância.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=729</link><pubDate>17-05-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Um pequeno livro de e sobre João de Barros, o pedagogo e político do início do século XX, - “A Pedagogia e o Ideal Republicano em João de Barros”, selecção de textos de Maria Alice Reis, nota introdutória de Joaquim Romero Magalhães, Terra Livre, 1979 - permite-nos compreender a importância dos desafios lançados na Primeira República a todos quantos desejavam sinceramente desenvolver o País, num sentido que o tornasse parceiro das nações mais avançadas. No entanto, os constrangimentos diversos que Portugal sofreu no primeiro quartel desse século (a guerra, as repercussões económicas desta, a instabilidade política) levaram a que os resultados ficassem aquém do desejado, apesar de haver uma obra apreciável que merece ser revisitada e que ainda hoje tem actualidade, sobretudo no tocante à importância da Educação cívica e ao reconhecimento de que a aprendizagem é o factor distintivo entre o progresso e o atraso dos povos.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=728</link><pubDate>10-05-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Ouvi do Vento” de Manuela Silva (Pedra Angular, 2009) é uma reunião de textos que interrogam o tempo e foram publicados desde 2003 no sítio na Internet da Fundação Betânia. Se é verdade que as reflexões são circunstancias, a verdade é que são uma ilustração viva do que Emmanuel Mounier nos ensinou, de que os acontecimentos são os nossos mestres interiores. De facto, tomamos o pulso do mundo e procuramos o sentido da vida através do quotidiano e do modo como respondemos aos estímulos com que somos confrontados permanentemente.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=727</link><pubDate>03-05-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Volto à “História de Portugal” (Esfera dos Livros, 2009), coordenada por Rui Ramos, em co-autoria com Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro. A importância de um empreendimento destes merece uma atenção especial, centrada numa leitura circunstanciada desta narrativa que, mais do que apresentar soluções ou interpretações definitivas, se baseia no estado da arte da moderna historiografia portuguesa. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=726</link><pubDate>26-04-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“História do Ensino em Portugal” de Rómulo de Carvalho (Fundação Calouste Gulbenkian, 1986) é uma obra fundamental para a compreensão e conhecimento da evolução da Educação entre nós. Com o rigor a que sempre nos habituou, o pedagogo e o investigador (que também foi um dos maiores poetas do século XX) põe neste livro as suas qualidades, o que permite ao leitor usufruir de uma informação clara, pormenorizada e esclarecedora – que ultrapassa largamente os limites propostos, permitindo-nos ter uma visão abrangente e rigorosa da evolução das mentalidades, do ensino, das escolas e da pedagogia ao longo do tempo.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=724</link><pubDate>19-04-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Refiro hoje, porque a reflexão histórica ajuda a introspecção colectiva, a recente publicação da “História de Portugal” (Esfera dos Livros, 2009), coordenada por Rui Ramos e realizada em co-autoria com Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro. Trata-se de “uma proposta de síntese interpretativa da História de Portugal desde a Idade Média até aos nossos dias”, no dizer do coordenador, que preenche um espaço que precisava de ser ocupado.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=723</link><pubDate>12-04-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Identidade Nacional” de José Mattoso (Cadernos democráticos, Fundação Mário Soares, Gradiva, 1998) permite-nos pensar Portugal, para além das mitologias e dos lugares comuns. Quando assinalamos o segundo centenário de Herculano é bom repensar Portugal à luz da mais moderna reflexão historiográfica e podemos fazer com este pequeno livro.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=722</link><pubDate>05-04-2010  </pubDate></item><item><title>VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Duzentos anos depois do seu nascimento, devemos afirmar que Alexandre Herculano (1810-1877) continua a ser uma referência fundamental da cultura portuguesa. Poeta, romancista, fundador da moderna historiografia portuguesa, cidadão empenhado, liberal assumido, autor de obras marcantes como a "História de Portugal" (Bertrand Editores, 4 volumes, com prefácio de José Mattoso) ou o romance "Eurico, o Presbítero", foi alguém que desde muito novo, e não tendo podido cursar Leis em Coimbra, se afirmou como um talentosíssimo escritor, sempre preocupado com a fundamentação rigorosa dos escritos que subscreveu, mas também empenhado em conseguir a governação do País pelo País, para que a emancipação dos povos e a participação dos cidadãos não fossem letras mortas. Amante da liberdade individual e defensor do fim dos constrangimentos à liberdade económica, Herculano foi quem da sua geração, e sem cedência de princípios, melhor compreendeu os jovens de 1870, que lhe devotou admiração incondicional.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=721</link><pubDate>29-03-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Cardeal Cerejeira – O Príncipe da Igreja” de Irene Flunser Pimentel (Esfera dos Livros, 2010) é uma biografia essencialmente política que analisa o percurso de uma das figuras referenciais do século XX português, sem cuja compreensão não é possível perceber o próprio Estado Novo, em especial por se tratar de uma personalidade muito próxima de Oliveira Salazar, apesar das diferenças e das distâncias, cultivadas de parte a parte, e por ser um dos indiscutíveis artífices da “frente nacional”, que funcionou até ao final dos anos cinquenta, e que foi fundamental para a permanência no poder do sistema consolidado em 1933.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=720</link><pubDate>22-03-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Quando, no início do ano, me pediram para escolher os livros de 2009, não tive dúvidas em eleger entre eles “O Caminho dos Pisões” (Assírio e Alvim, 2009), uma obra surpreendente, sobretudo para quem conheça menos bem o percurso de M. S. Lourenço, poeta, filósofo e cultor singularíssimo da língua portuguesa. Aí reencontrei, além das duas edições de “O Doge” (1962 e 1998), as obras literárias fundamentais do autor: “O Desequilibrista” (1960), “Ode a Upsala, Ária detta la Frescobalda” (1964), Arte Combinatória” (1971), “Wytham Abbey” (1974), “Pássaro Patadípsico” (1979), “Nada Brahma” (1991) e “Os Degraus do Parnaso” (1991 e 1998). Trata-se de uma oportunidade única para ter contacto com a atitude intelectual muito estimulante de um escritor culto, cuja obra multifacetada permite-nos usufruir o domínio da língua e das ideias, ao serviço de uma ironia extraordinária.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=719</link><pubDate>15-03-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Alexandre Herculano nasceu há duzentos anos, a 28 de Março de 1810. Assinalamos a efeméride, recordando a obra de António José Saraiva, “Herculano e o Liberalismo em Portugal – Os problemas morais e culturais da instauração do regime (1834-1850)” (Studium, Lisboa, 1949). Estamos perante uma notável interpretação sobre a obra de Herculano, autor que tem sido vítima de uma estranha conspiração de silêncio e a quem tem faltado um estudo biográfico de fôlego, capaz de pôr no seu devido lugar uma das personalidades mais ricas e fascinantes da história portuguesa.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=718</link><pubDate>08-03-2010  </pubDate></item><item><title>VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[A mais recente biografia de Eça de Queiroz da autoria de A. Campos Matos (“Eça de Queiroz - Uma Biografia”, Afrontamento, Dezembro de 2009), suscitada por um desafio ao autor para escrever sobre a vida do célebre romancista para leitores de cultura francesa, é um novo instrumento fundamental para quem queira conhecer bem o romancista genial de “Os Maias”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=717</link><pubDate>01-03-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Santo Agostinho de Hipona é uma referência inesgotável pela riqueza da sua experiência e do seu testemunho. O percurso teológico do actual Papa está marcado por esse exemplo, e a concha que se encontra nas suas armas pastorais invoca expressamente o autor das “Confissões”. No excelente livro recentemente publicado pela editora Pedra Angular, da autoria do Padre Henrique Noronha Galvão, intitulado “Bento XVI – Um Pensamento para o nosso tempo” (2009), encontramos, aliás, a recordação da origem da imagem da concha como símbolo da “humilde persistência”. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=716</link><pubDate>22-02-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Há livros que nos permitem compreender melhor o que nos rodeia, apenas pelo facto de procurarem ver o outro lado das coisas, ao invés dos lugares comuns, que surgem repetidos, sobretudo em momentos de crise como o que atravessamos. Eleanor Roosevelt disse um dia que “as grandes cabeças pensam ideias, as cabeças médias acontecimentos e as cabeças pequenas discutem pessoas”. A afirmação é bem certeira, e num momento de míngua de debate sobre ideias e convicções, é salutar encontrar quem se preocupe com as ideias e os ideais, procurando ver para além do imediato e das discussões fulanizadas. Num braçado de livros que José Tolentino Mendonça me fez chegar, parte substancial dos quais editados pela “Pedra Angular” dei-me há dias a ler ou a reler (uma vez que parte dos textos já os conhecia), com grande prazer e proveito intelectual, “O Peixe Amarelo – Pistas para um Mundo Melhor”, de João Wengorovius Meneses (2009). E senti que tudo junto, agora, fazia mais sentido. Longe da tentação da procura do melhor dos mundos, deparei com a busca comedida, mas ambiciosa, do “mundo melhor”, a partir da economia solidária. E posso dizer que estava bem embalado para esta leitura, já que, desse benfazejo braçado, tinha acabado de ler “Ouvi do Vento” de Manuela Silva, onde se sente a escuta do espírito que incansavelmente nos atrai para as paisagens dos valores universais da verdade, da justiça, da beleza e do bem. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=715</link><pubDate>15-02-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Outra Margem – Estudos de Literatura e Cultura Portuguesas” de Ana Nascimento Piedade é um percurso de pesquisa sobre a modernidade portuguesa, que provém de Eça de Queirós e da Geração de Setenta, para chegar ao século XX, em especial aos tempos de “Orpheu”, vindo também à “presença” e a Eduardo Lourenço. Como disse o mesmo Eduardo Lourenço, na apresentação do livro no Centro Nacional de Cultura, trata-se de ver o fenómeno literário e cultural no Portugal moderno com os olhos de uma “outra margem” e com a capacidade de tentar compreender melhor, para além dos condicionalismos do tempo… E Vergílio Ferreira esclarece bem que essa situação singular é “ser apenas do lado da vida em que não passa muita gente, se é quase anónimo, fora do alvo que é visado pela notoriedade, curiosidade pública, grande reputação. Ser em humildade, na discrição de nós, na curta dimensão de nós”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=714</link><pubDate>08-02-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[O Prof. Vitorino Magalhães Godinho acaba de dar à estampa um pequeno volume intitulado “Os Problemas de Portugal – Mudar de Rumo” (Colibri, 2009). É de saudar a vitalidade de espírito do mestre da historiografia moderna portuguesa, que nos apresenta um conjunto de temas, de reflexões e de propostas, que constituem um desafio estimulante a que haja um debate aprofundado sobre o presente e o futuro. E o certo é que, muito mais importante do que uma proposta política, o que está em causa neste contributo é uma reflexão intelectual séria, que merece especial atenção e que deve constituir-se em estímulo e desafio para todos. Nada pior do que continuarmos a oscilar entre o conformismo fatalista dos que preferem ver só os aspectos negativos da vida nacional, sem cuidarem de saber os caminhos que podem e devem ser trilhados, e o optimismo primário dos que julgam que poderemos superar as dificuldades sem trabalho, disciplina, exigência e vontade.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=713</link><pubDate>01-02-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Edgar Morin (1921) publicou em 1997 “Uma Política de Civilização” (Instituto Piaget, s.d.), com Samir Naïr, onde os dois autores se interrogam sobre o futuro indecifrável em que estão lançadas as sociedades contemporâneas. Com a crise da ideia de progresso, nasce a incapacidade de reflectir sobre os problemas globais e locais, enquanto ocorrem tendências para a intolerância e o fanatismo. Para os pensadores, é indispensável mudar de rumo, redefinir a vida em comum e elaborar o que designam como “política de civilização”, considerando-a como um renascimento que reponha o ser humano, a pessoa, como meio, fim, sujeito e objecto da política.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=712</link><pubDate>25-01-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Não podemos falar da história da “New York Review of Books” sem referir David Levine (1926-2009), o genial caricaturista cujos desenhos nos deram, ao longo de muitos anos, excelentes comentários irónicos e lúcidos sobre as mais diversas personalidades do mundo da cultura e da política. Hoje podemos deleitar-nos em www.nybooks.com/gallery/, compreendendo que Levine é, ao lado dos grandes caricaturistas da história dos últimos séculos, como Honoré Daumier (1808-1879), Richard Doyle (1824-1883), Thomas Nast (1840-1902), Leslie Ward (1851-1922) ou a escola alemã do “Simplicissimus”, um criador inconfundível no qual o humor inteligente se junta ao oportuno comentário crítico. Recordamos hoje igualmente a morte de um dos mais importantes autores belgas da escola da linha clara, Tibet (1931-2010), de seu nome Gilbert Gascard, criador nos anos cinquenta, na revista “Tintin”, com A.-P. Duchâteau, de “Ric Hochet”, cujos álbuns constituem muito bons exemplos da melhor banda desenhada europeia.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=711</link><pubDate>18-01-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Albert Camus (1913-1960), que escreveu “A Queda” em 1956 (tradução portuguesa de José Terra, Livros do Brasil, s.d.), é um símbolo do século XX. Estamos perante uma obra da maturidade. A sua vida, o seu percurso pessoal, a obra literária e o pensamento confundem-se com o drama humano do século. As dúvidas, as contradições, os êxitos e os fracassos que viveu dão-lhe uma importância que o tempo tem vindo a aumentar. Se, por um lado, a sua obra tem uma importância inovadora, também é certo que as suas intuições históricas se revelaram de uma grande pertinência. Poderíamos falar dos seus livros de maior sucesso como “L’Étranger” (1942), “Le Mythe de Sisyphe” (1942), “La Peste” (1947), “L’Homme Revolté” (1951) ou “Le Premier Homme” (1994), no entanto preferimos pegar nas preocupações fundamentais do romancista e nos seus temas recorrentes – o absurdo e a procura de uma esperança, que em “A Queda” estão bem presentes.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=710</link><pubDate>11-01-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Minha Primeira Sophia” de Fernando Pinto do Amaral, com ilustrações de Fernanda Fragateiro (D. Quixote, 2009) é um livro para crianças escrito com sentido pedagógico, com o intuito de introduzir os mais novos não apenas no conhecimento da vida de Sophia de Mello Breyner Andresen, mas também de os sensibilizar para a literatura, para a poesia e para a criação artística.  ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=709</link><pubDate>21-12-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Notre Jeunesse” de Charles Péguy (Gallimard, 1957) é um livro de 1910, mas contém, no essencial, uma evidente actualidade, uma vez que nos fala da necessidade de haver ideais e dos perigos da sua ausência. Dir-se-ia, pois, que estamos perante uma obra a ler nos nossos dias, num momento em que sob os ecos da crise financeira notamos a ausência de referências fundamentais, que tornem o pluralismo, o respeito e a dignidade como algo de enriquecedor para a humanidade. E não podemos esquecer que Péguy escreveu sob o peso de um debate que ocorreu na passagem dos séculos XIX para o XX a propósito compromisso dos intelectuais sobre os problemas contemporâneos.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=708</link><pubDate>28-12-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Evocação de Sophia” de Alberto Vaz da Silva (Assírio e Alvim, 2009), com prefácio de Maria Velho da Costa e posfácio de José Tolentino Mendonça é um livro belíssimo feito de uma devoção intensa em relação a uma das pessoas mais extraordinárias da cultura portuguesa contemporânea. A poesia pátria, que teve no século XX um momento especialmente rico, como um dia reconheceu João Bénard da Costa, ao duvidar que tivéssemos sido sempre um país de poetas, tem em Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) um caso muito sério de talento e sensibilidade. E nesta evocação o que se sente, fundamentalmente, é a pessoa, como ser inseparável da sua condição de poeta. E se falei de devoção, o certo é que em nada esta perturba a limpidez e a verdade que o autor nos dá e que nos permite relembrar a poeta. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=707</link><pubDate>04-01-2010  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“O Espião de D. João II” de Deana Barroqueiro (Esquilo, 2009) é um romance baseado em factos reais, que nos permite acompanhar a viagem de Pêro da Covilhã até às terras do Preste João. Transpondo para os dias de hoje a imagem de um “agente secreto”, travestido de James Bond ou de Indiana Jones, a autora não comete o erro do anacronismo e procura, com uma experiência já ganha noutras obras (“O Navegador da Passagem”, “D. Sebastião e o Vidente”), transmitir ao público em geral, e em especial aos mais jovens (dada a sua longa e rica experiência pedagógica), o ambiente geral do final do século XV, com uma evidente vivacidade.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=706</link><pubDate>14-12-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Representação Política – Textos Clássicos”, coordenação de Diogo Pires Aurélio (Livros Horizonte, 2009) é uma obra integrada na colecção “Estudos Políticos”, dirigida por Pedro Tavares de Almeida, que reúne diversos ensaios sobre a representação popular da autoria de alguns dos mais importantes teóricos sobre a concepção e a aplicação do princípio da legitimidade pelo consentimento – Edmund Burke, Emmanuel Sieyes, Gyorgy Lukács, Hans Kelsen e Carl Schmitt. A obra é antecedida de um estudo introdutório da autoria do organizador da colectânea, onde este reflecte circunstanciadamente sobre “o que representam os representantes do povo”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=705</link><pubDate>07-12-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA["Camilo Castelo Branco – Memórias Fotobiográficas (1825-1890)" de José Viale Moutinho é uma obra que nos conduz no percurso multifacetado de um nossos maiores escritores, mas, mais do que isso, leva-nos ao Portugal profundo do século XIX, que o autor de “Amor de Perdição” representa e descreve. Figura muitas vezes desconhecida, apesar do sucesso dos seus livros e da paixão que suscita ainda hoje em tantos leitores, Camilo protagonizou uma vida aventurosa de um romântico que teve a lucidez de se libertar dos constrangimentos de escola que esterilizaram tantas outras promessas. Homem cultíssimo, estudioso exaustivo da história e da sociedade, romancista fecundo – Camilo soube ultrapassar as poderosas baias românticas, indo ao encontro das tendências modernas do seu tempo. A partir de uma personalidade muito forte, o retrato que encontramos de Camilo é a representação de alguém cujo talento resulta de um cadinho onde se misturam ingredientes quase explosivos da sociedade antiga e da sociedade contemporânea, que o escritor procura contraditoriamente compreender.
]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=704</link><pubDate>30-11-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Acaba de ser publicado “Heritage and Beyond” (Council of Europe, Strasbourg, 2009) sobre a nova Convenção-Quadro do Conselho da Europa sobre o Valor do Património Cultural na Sociedade Contemporânea (a Convenção de Faro de 27 de Outubro de 2005). Trata-se de um repositório muito circunstanciado e fundamental sobre o tema, que foi desenvolvido no Colóquio Internacional que se realizou em Lisboa a 20 de Novembro sob os auspícios do Conselho da Europa (com o CNC e o IGESPAR), oportunidade excepcional para olharmos as políticas públicas da cultura à luz da modernidade, tendo connosco os melhores especialistas da actualidade sobre a matéria. O património cultural é uma realidade viva. A História deixa de ser pertença de alguns, é uma encruzilhada que implica sempre a humanidade toda. E se os acontecimentos fazem as identidades, as identidades devem favorecer o novo entendimento das fronteiras, como linhas de encontro e de aproximação, muito mais do que de divisão e separação. E não se pense que falamos de abstracções. Não, falamos só de fronteiras que compreendam o conhecimento e os conflitos, mas que também regulem permanentemente esses conflitos na perspectiva de uma cultura de paz. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=703</link><pubDate>23-11-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[«Os “Vencidos do Catolicismo” – Militâncias e Atitudes Críticas (1958-1974)» de Jorge Revez (Centro de Estudos de História Religiosa – Universidade Católica Portuguesa, 2009) é a publicação de uma dissertação de mestrado, onde se analisam os acontecimentos protagonizados pelo catolicismo inconformista português, de 1958 a 1974, desde o ano intensíssimo em que a candidatura de Humberto Delgado, o memorando de D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, a Salazar e o início da “Aventura da Moraes” de António Alçada Baptista constituíram factos decisivos para pôr em causa a “frente nacional”, invocada pelo Estado Novo como factor fundamental da sua legitimação. As duas figuras que merecem uma atenção muito especial nesta obra são as do poeta Ruy Belo e do Padre José Felicidade Alves. Na capa é nos dada uma magnífica fotografia da autoria de Duarte Belo.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=702</link><pubDate>16-11-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA["Europa" de Adolfo Casais Monteiro (Confluência, s.d.) é um poema premonitório. Foi lido aos microfones da BBC, na emissão de língua portuguesa, a 23 de Maio de 1945, por António Pedro. Era o fim da guerra europeia e havia uma grande esperança – a de que, depois da tragédia terrível, que tinha deixado o velho continente exangue, seria possível lançar as bases de uma paz duradoura. Como disse José Augusto Seabra, no prefácio à edição de 1991 (Nova Renascença): “Pela voz forte e timbrada de um intelectual então emigrado, António Pedro, esse poema, da autoria de Adolfo Casais Monteiro, um dos nossos mais corajosos poetas resistentes à ditadura, acordou em quantos o escutavam a esperança de que também para Portugal a hora da liberdade iria soar, na nova Europa que se erguia sobre o sangue e os escombros decorrentes da criminosa aventura totalitária hitleriana”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=701</link><pubDate>09-11-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“O Milagre Europeu” de E.L. Jones (Gradiva, trad. de Edgar Rocha, 2002) pode dizer-se que é já um clássico das análises contemporâneas sobre as vantagens comparativas do nosso continente. A primeira edição da obra é de 1981 e a segunda de 1987, e o autor, professor da Universidade de Princeton, procurou responder a uma pergunta difícil, mas fundamental: por que razão as economias modernas encontraram o ponto de partida para o seu desenvolvimento global na experiência do subcontinente europeu? Que razões existiram para a criação dessa dinâmica? Para E.L. Jones, estamos perante a convergência de dois factores – o meio ambiente e o sistema político -, o que não aconteceu, por exemplo, com o Império Otomano, ou com a Índia e a China. Foram, assim, a descentralização política e as raízes culturais, bem como o sistema económico comum, que favoreceram a tendência.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=700</link><pubDate>02-11-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“António Sérgio – A Obra e o Homem” de Joaquim Montezuma de Carvalho (Arcádia, 1979) é um livro que merece uma atenção especial, uma vez que o autor procede nele a uma leitura da obra do escritor dos “Ensaios” nos vários domínios em que esta se desenvolve, o que nos permite ter um roteiro introdutório relativamente a uma produção consabidamente heterogénea e multifacetada, que é apresentada com coerência e de um modo acessível e panorâmico. Cabe, aliás, fazer uma homenagem à personalidade de Joaquim Montezuma de Carvalho (1928-2008), cujo falecimento passou injustamente despercebido, laboriosíssimo e incansável homem de cultura, cuja obra dispersa é de grande interesse e valor. Vivendo em Angola e Moçambique desde os anos 50, regressou a Portugal em 1976, onde exerceu advocacia. Filho do Professor Joaquim de Carvalho, organizou, ainda estudante, uma homenagem a Teixeira de Pascoaes, publicou o Epistolário Ibérico de Pascoaes e Unamuno, organizou textos de seu pai, deu à estampa em Angola “Panorama das Literaturas das Américas de 1900 à actualidade” e produziu intensa colaboração na imprensa latino-americana, com grande reconhecimento público, mas incompreensível desatenção em Portugal.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=699</link><pubDate>26-10-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Luz Fraterna – Poesia Reunida” de António Osório (Assírio e Alvim, 2009), com prefácio de Eugénio Lisboa, é uma obra de arte, como aquelas a que o editor, Manuel Rosa, nos tem habituado. Na capa deparamos com um extraordinário “Contraluz”, de Miguel Ângelo Lupi, óleo sobre tela de 1875, pintura que acompanha o poeta, como referência familiar, e que revela um dos melhores pintores portugueses do século XIX. Uma janela sobre o jardim deixa entrar os raios de sol de um dia glorioso, as rendas dos cortinados esvoaçam e, em primeiro plano está Teresa Júlia (o “Amor de Miguel Ângelo Lupi”), “derradeiro modelo (…) / ela dardejando a integração primaveril…”. E, como disse Fernando J.B.Martinho, na apresentação do livro, não é possível compreender António Osório sem essa ligação intrínseca à “Felicidade da Pintura”]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=698</link><pubDate>19-10-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA["A Experiência Reflexiva – Estudos sobre o Pensamento Luso-Brasileiro" de António Braz Teixeira (Zéfiro, Colecção Nova Águia, 2009) é uma colectânea de ensaios sobre o pensamento filosófico português e brasileiro, na sequência de outras anteriormente publicadas, que constitui um excelente “vademecum”, não apenas sobre as ideias do autor, mas fundamentalmente sobre a sua visão, animada por um rigoroso sentido pedagógico, relativamente a um conjunto significativo de pensadores, o que nos ajuda a entender melhor um leque alargado e estimulante de temas, que contribuem para tentar esclarecer o sentido e o alcance do que pode representar, numa perspectiva aberta e não dogmática, a busca de novos caminhos trilhados pela “filosofia portuguesa”. E importa referir que António Braz Teixeira tem procurado abrir novos horizontes, insistindo no desenvolvimento de um pensamento luso-brasileiro, diversificado nos temas e nas perspectivas, muito para além de uma lógica de grupo ou de “escola”. Neste sentido, o filósofo tem procurado ir ao encontro de uma nova atitude, capaz de uma valorização efectiva da filosofia, sem adjectivos.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=697</link><pubDate>12-10-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Contrato Sentimental” da autoria de Lídia Jorge (Sextante Editora, 2009) é um ensaio que nos surpreende, uma vez que, de um modo despretensioso, mas com uma pertinência indiscutível a autora se interroga sobre a sua relação com Portugal. “Muitos são aqueles que apresentam razões fortes para duvidar, mas eu tenho a certeza de que Portugal existe”. O início da reflexão põe-nos logo de sobreaviso. Trata-se mesmo de tentar perceber por que razão estamos ligados a este rincão, a estas pessoas, e por que motivo continua a funcionar este curiosíssimo “contrato sentimental”. Mas não podemos esquecer que há uma estranha relação de amor /ódio da nossa parte, neste lugar onde a terra acaba e o mar começa, essa mesma que levou alguém, algures numa fronteira do norte a escrever a palavra “lixo” por debaixo do indicativo de Portugal. Quem seria o despeitado? Apesar de tudo, importa tentar perceber. E esta colecção “Portugal Futuro” procura exactamente lançar pistas para esse entendimento. Por isso, vale a pena ler este ensaio.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=696</link><pubDate>05-10-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Vingt-Huit Siècles d’Europe” de Denis de Rougemont (reed. Bartillat, 1990) é uma obra de referência sobre a história da ideia moderna de Europa. Na semana em que terá lugar o referendo na Irlanda sobre o Tratado de Lisboa é útil e necessário recordar este conjunto de textos e reflexões, organizados por um dos intelectuais que mais contribuiu para a criação da moderna ideia de Europa. A partir da procura das raízes e fundamentos da cultura europeia, podemos perceber que há um longo caminho para trilhar e aprofundar – uma vez que um projecto comum de paz, de desenvolvimento e de diversidade cultural é cada vez mais exigente e indispensável, sobretudo perante os ventos de crise com que nos debatemos.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=694</link><pubDate>28-09-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Acaba de ser publicado o segundo volume da epistolografia de Alberto Sampaio - “Correspondência, volume II, Cartas de Alberto Sampaio”, edições Húmus, 2009, organização, introdução e notas de Emília Nóvoa Faria e António Martins. Estamos perante as cartas escritas pelo próprio, num interessante acervo, onde se nota o carácter multifacetado do autor, que se dirige a algumas das personalidades mais marcantes do seu tempo. Estamos, assim, em face do complemento das cartas recebidas pelo historiador de Boamense, o que nos permite, não só seguir o percurso de vida de Sampaio, mas também reconstituir o seu diálogo com a intelectualidade do seu tempo.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=693</link><pubDate>21-09-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Viagens de Pêro da Covilhã” da autoria do Conde de Ficalho (reedição da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1988; 1ª ed. 1898) é uma obra preciosa que merece ser lida e relida. O autor foi um cientista de mérito, que colocou nas obras que escreveu sempre um grande cuidado e rigor histórico, que neste estudo se nota especialmente. Com efeito, ainda hoje não é possível estudar as viagens de Pêro da Covilhã e de Afonso de Paiva sem ler o Conde de Ficalho e sem recorrer à obra fundamental do Padre Francisco Álvares “Verdadeira Informação das Terras do Preste João das Índias”, livro publicado no reino em 1540, baseado no testemunho pessoal recolhido junto do próprio Pêro da Covilhã. Daí que tenham sido o Conde de Ficalho e o Padre Álvares auxiliares preciosos na preparação da Embaixada cultural do CNC a Ormuz aos fortes portugueses do Golfo Pérsico e ao Cairo.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=692</link><pubDate>14-09-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[«El Camino Hacia la Democracia – Escritos en ‘Cuadernos para el Diálogo’ (1963-1976)» de Joaquin Ruiz-Giménez (numa edição do Centro de Estúdios Constitucionales de Madrid, 1985) é um documento de época. Tal como ocorreu em Portugal com António Alçada Baptista, verificamos no percurso da influente revista “Cuadernos para El Diálogo” uma projecção política decisiva do Concílio Vaticano II e, em especial, do Cardeal Roncalli, o Papa João XXIII. O espírito da encíclica profética “Pacem in Terris” e os ensinamentos da Constituição Pastoral “Gaudium et Spes” estão, de facto, aqui bem evidenciados. E, ao longo destes textos descobrimos o esforço empenhado de um destacado intelectual católico espanhol, professor de Filosofia do Direito, que a partir dos anos cinquenta se envolveu activamente na missão difícil e ingrata de mobilização cívica com vista a uma transição pacífica para a democracia, numa sociedade com feridas ainda abertas pela tragédia da Guerra Civil de 1936 a 1939.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=691</link><pubDate>07-09-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Leszec Kolakowski (1927-2009) é um dos autores do século XX cuja obra crítica se confunde com os acontecimentos que viveu e em que participou. Ao escrever “Main Currents of Marxism: Its Rise, Growth and Dissolution” (Oxford University Press, 1978; vol. 1, The Founders, vol. 2, The Golden Age; vol. 3, The Breakdown) procedeu a uma análise brilhante e serena que nos permite compreender como a teoria marxista nasceu e se desenvolveu, até ao colapso, que já se anunciava em 1978, dez anos antes da queda do muro de Berlim (no mesmo ano em que o Cardeal Karol Wojtila foi eleito Papa, com os efeitos conhecidos). Para o filósofo havia contradições internas e pressupostos insanáveis na teoria formulada por Karl Marx que foram acentuadas no modo como foram pensadas e postas em prática, em especial a partir da Revolução Russa de 1917. Nascido na Polónia, entusiasmado num primeiro momento por Marx, cedo pôde perceber que a liberdade crítica entrava em choque com a ideia de construir um homem novo. Por isso, teve de sair do seu País e foi acolhido na Universidade de Oxford, onde exerceu o seu magistério.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=689</link><pubDate>31-08-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[«Europes – De l’Antiquité au XXème Siècle – Anthologie Critique et Commentée » de Yves Hersant e Fabienne Durand-Bogaert (Robert Laffont, 2000) é um instrumento fundamental para a compreensão do evoluir da ideia europeia. A Europa é um continente complexo nas suas raízes e influências. Muitas vezes se discutem as suas raízes, havendo a tentação ou de simplificar ou de esquecê-las. Lugar de conflitos e de trágicas disputas, a Europa foi-se afirmando através de sinais contraditórios, ora como lugar das liberdades e da dignidade humana, ora como sede de dominações e fonte de injustiças. No entanto, a Europa foi-se tornando um lugar de esperança e de razão, onde a democracia e os direitos fundamentais nasceram. E quando, nos dias de hoje, falamos de construção de um projecto europeu, centrado na União Europeia, temos de apostar na reflexão, na cultura e nas ideias, uma vez que um projecto de paz, de desenvolvimento e de diversidade cultural tem de criar condições para uma convergência activa de Estado e Povos livres e soberanos.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=688</link><pubDate>24-08-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Entre a Selva e a Corte – Novos Olhares sobre Vieira” (Esfera do Caos, 2009), coordenado por José Eduardo Franco é uma reunião de ensaios que procuram analisar a vida e a obra do Padre António Vieira sob várias perspectivas com o objectivo de permitir uma visão alargada não só do pensamento (bastante complexo) do orador sagrado, mas também da inserção da sua figura extraordinária na história portuguesa e europeia, com destaque para as posições audaciosas e precursoras que assumiu, em especial no tocante aos direitos humanos. Em complemento da vasta bibliografia produzida nos últimos anos sobre o Padre Vieira, temos um conjunto de textos, bastante abrangente, que permite ao leitor comum apreender o essencial dos resultados recentes das investigações sobre o prolífico autor da “História do Futuro”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=687</link><pubDate>17-08-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Regressado do Festival de Asilah (Arzila), este ano dedicado a Portugal, lembro o precioso terceiro volume dos Guias “Portugal e o Mundo – O Futuro do Passado” sobre Marrocos, com texto de José Luís de Matos e de Rui Rasquilho (CNC, 2003), sobre o qual Helena Vaz da Silva disse: “Marrocos, tão perto e tão longe. Apesar de perto do nosso sul, tanto em distância como, em parte, no clima e no território, os portugueses sempre partiram para Marrocos como quem parte para um mundo distante”. Recordando essa relação, a propósito da lusofonia, publico hoje as palavras que proferi em Asilah, no dia 4, em nome do Centro Nacional de Cultura.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=685</link><pubDate>10-08-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“O Mundo sem Regras” (Difel, 2009) de Amin Maalouf é uma obra que resulta de uma longa e cuidada reflexão do escritor de origem libanesa que esteve entre nós há pouco para apresentar o seu livro e o seu pensamento. O tema das identidades há muito preocupa Maalouf, tendo escrito “Identidades Assassinas” (1998), que constituiu um alerta premonitório, a que infelizmente muita gente não deu ouvidos. A indiferença, o isolamento, a auto-suficiência, os egoísmos nacionais e tribais, a ilusão uniformizadora, o vazio de valores – tudo isso faz parte do actual caldo de cultura, que caracteriza a sociedade contemporânea e que serviu de ponto de partida para a análise serena e lúcida, mas também algo desencantada deste autor.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=684</link><pubDate>03-08-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Tucídides é o primeiro historiador no sentido em que usamos esse conceito nos dias de hoje. Autor de uma só obra, “História da Guerra do Peloponeso”, introduziu na literatura e no pensamento político uma concepção significativamente diferente da que foi praticada por Heródoto. Hoje escolhemos esse texto para podermos reflectir sobre a importância da decisão estratégica e das suas condicionantes. E no caso de Tucídides podemos dizer que as melhores análises modernas sobre a história política têm-se debruçado sobre este texto clássico fundamental.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=683</link><pubDate>27-07-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Eduardo Lourenço – Uma Ideia do Mundo” é o tema do número 171 da revista “Colóquio –Letras” (Maio – Agosto de 2009). Trata-se da amostra de um trabalho, que se revela indispensável, de selecção, tradução e anotação de textos realizados por João Nuno Morais Alçada no âmbito do projecto “Inventário e Catalogação do Acervo de Eduardo Lourenço” da responsabilidade do CNC, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=682</link><pubDate>20-07-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“António Lino Neto, Intervenções Parlamentares – 1918-1926” (Colecção Parlamentar, Assembleia da República, 2009), organizado pelo Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa e coordenado por António Matos Ferreira e João Miguel Almeida constitui um documento de grande interesse para a compreensão de um lado menos conhecido da Primeira República Portuguesa – a saber, a intervenção dos republicanos católicos na vida cívica e parlamentar.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=681</link><pubDate>13-07-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Acaba de ser publicada a edição comemorativa dos vinte cinco anos de “Os Lusíadas” em Banda Desenhada, da autoria de José Ruy (Âncora Editora, 2009). Simultaneamente, foram dadas à estampa as edições da tradução da mesma obra em mirandês (“Ls Lusíadas”) e do livro, também da autoria de José Ruy, “Mirandês – Stória dua Lhéngua e dun Pobo an BZ” (em português e mirandês). Trata-se de iniciativas que merecem uma especial atenção, uma vez que estamos perante o reconhecimento da importância da língua mirandesa, em diálogo com a língua e a cultura portuguesas, causa que tem contado com o trabalho denodado e persistente de Amadeu Ferreira (que o Centro Nacional de Cultura tem acolhido gostosamente, através da publicação dos seus textos) e da Associaçon de Lhéngua Mirandesa.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=680</link><pubDate>06-07-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Sophia de Mello Breyner Andresen continua a acompanhar-nos na serenidade dos seus textos e na pureza dos seus ideais. Cinco anos depois da sua ausência, que é presença permanente pela perenidade das suas palavras, é fundamental regressar aos três volumes da “Obra Poética” (Caminho) ou aos contos publicados pela Figueirinhas. Deparamo-nos com o deslumbramento de uma escrita depurada, rigorosa, amorável, ática, a um tempo clássica e moderna, intemporal, sedenta de sentido, duradoura e inusitada, onde a pessoa humana e a natureza se encontram permanentemente, sentindo-se, a cada passo, a busca da palavra certa, como sinal de dignidade, e a recusa de qualquer facilidade. “Sozinha estou entre paredes brancas / Pela janela azul entrou a noite / Com o seu rosto altíssimo de estrelas” – di-lo em “Mar Novo”. E em “A Menina do Mar”: “Sentaram-se os dois em frente do outro e a menina contou: - Eu sou uma menina do mar. Chamo-me Menina do Mar e não tenho outro nome. Não sei onde nasci. Um dia uma gaivota trouxe-me no bico para esta praia. Pôs-me numa rocha na maré vaza e o polvo, o caranguejo e o peixe tomaram conta de mim”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=679</link><pubDate>29-06-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Reflections on the Revolution in Europe” de Ralf Dahrendorf (Random House, 1990) é um livro indispensável para a compreensão dos acontecimentos europeus de 1989. A queda do muro de Berlim suscitou uma onda de optimismo e levou à formulação de algumas previsões – que, depois, não vieram a confirmar-se. Pensou-se que estaríamos perante uma nova “Primavera dos Povos”, mas julgou-se ainda que seria possível evitar aquilo a que conduziu esse movimento libertador de 1848, perante o vazio deixado pelo Império Austro-húngaro, que levaria a Europa para a tragédia do século XX. Longe da ideia de fim da história hegeliano de Francis Fukuiama, que o sociólogo germano-britânico cita expressamente, do que se trataria nesse momento era de ver exactamente que ameaças e oportunidades nasciam.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=678</link><pubDate>22-06-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, acaba de publicar “1810-1910-2010 Datas e Desafios” (Assírio e Alvim, 2009), reunindo um conjunto de ensaios de diferentes proveniências, que ganham aqui uma especial coerência, pelo que constituem uma excelente oportunidade para realizarmos uma reflexão sobre o cristianismo e a história portuguesa. Com argúcia e inteligência, o autor parte do seu ofício original de historiador para deambular, com segurança, por um conjunto bastante diversificado de temas, invariavelmente ligados à procura da relação entre o cristianismo e a nossa identidade, como referenciais abertos, ancorados em raízes profundas, que são analisadas de um modo atraente e motivador. Confirmando o que já lhe conhecemos na desenvoltura da palavra e na capacidade de exprimir com clareza e ritmo as ideias, temos nesta obra um exemplo de boa exposição e de boa pedagogia.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=677</link><pubDate>15-06-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Acaba de ser publicada a edição portuguesa das “Cartas, 1941-1943” de Etty Hillesum (Assírio e Alvim, 2009, tradução de Ana Leonor Duarte e de Patrícia Couto). Trata-se do complemento (há muito esperado, ansiosamente) do “Diário, 1941-1943”, também inserido na colecção Teofanias, dirigida por José Tolentino Mendonça. João Bénard da Costa foi uma das pessoas que, entre nós, primeiro tomou consciência da força desta autora, e do seu testemunho e exercício extraordinário de diálogo e de amor, colocando-a ao lado de Cristina Campo e de Simone Weil. E temos de recordar esse facto, certos de que este livro seria sem dúvida o tema de uma das suas próximas crónicas, não fora ter-nos deixado inesperadamente. Cada uma a seu modo, as três pensadoras abriram as janelas do pensamento e da mística para os ventos contraditórios do século trágico em que viveram, no qual as situações limite revelaram a força e a fraqueza de uma humanidade em busca de sentido, perante o caos, o absurdo, a violência e o nada e marcada tragicamente pela “solução final”, por um genocídio e pela negação do espírito.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=676</link><pubDate>08-06-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Portugal – Percursos de Interculturalidade” (2009) é uma obra coordenada por Mário Ferreira Lages e Artur Teodoro de Matos e corresponde a um projecto levado a cabo pelo CEPCEP (Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa) da Universidade Católica Portuguesa, com o apoio do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), com o objectivo de apresentar aos estudiosos e interessados nos complexos temas ligados ao diálogo entre culturas um manancial de investigação, reflexão e informação que nos conduza pelas veredas inesgotáveis das identidades nacionais, das fronteiras entre povos e culturas e das interacções entre comunidades diferentes. Estamos, assim, perante quatro substanciosos volumes que nos permitem, em vários registos, colher os elementos indispensáveis para nos conhecermos melhor como cultura e povo e descobrir as pistas de enriquecimento mútuo em razão dos intercâmbios gerados no seio do “melting pot” que constituímos: Raízes e Estruturas; Contextos e Dinâmicas; Matrizes e Configurações e Desafios à Identidade.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=675</link><pubDate>01-06-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Nós, os vencidos do catolicismo” (Tenacitas, 2003) de João Bénard da Costa é o pretexto para falarmos de quem não podemos esquecer e que deveria ainda estar connosco, para continuar a contar as suas histórias deliciosas e a exercer a sua sabedoria e o seu talento. Os textos que constituem este pequeno livro precioso são apenas um aperitivo daquilo que deveriam ser as suas memórias e que apenas nos foram dadas (esparsa, mas suculentamente) nas suas crónicas em várias “casas encantadas” que encantavam os seus leitores. E se houve quem insistisse por estes dias no seu amor pelo cinema, que foi indiscutível, devo dizer que o João foi muitíssimo mais do que essa ligação fantástica. Era um homem de uma sensibilidade artística única, um escritor dotadíssimo, e era um deleite para todos, os que tiveram a graça de o ler, de o ouvir, podendo gozar do cuidado e do amor que punha na interrogação e na descoberta dos pequenos mistérios das obras de arte (desde a natureza à pintura, à música e, naturalmente, ao cinema…).]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=673</link><pubDate>25-05-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Rafaelle Romanelli reuniu um conjunto de ensaios sobre a história política no livro “Duplo Movimento” (Livros Horizonte, 2008), inserido na colecção Estudos Políticos, dirigida por Pedro Tavares de Almeida. Nesta obra somos colocados perante a génese moderna do Estado e da nação, bem como em face de um processo de vai-e-vem entre as concepções teóricas e a realidade vivida pelos cidadãos na organização das sociedades políticas. Numa primeira parte, fala-se do Estado, da representação política e da cidadania, da comunidade ao império, partindo da formação dos Estados nacionais e chegando a uma nova emergência da ideia imperial. Numa segunda trata-se de estudar o caso específico da nação italiana, a começar nos generosos anacronismos do patriotismo italiano (“Fare gli italiani”) e a continuar no papel da nobreza, nas relações entre centro e periferia e na afirmação do ideal republicano como lugar de memória na Itália contemporânea. E em ambos os textos, defrontamo-nos com o duplo movimento, isto é, a um percurso histórico de dois sentidos entre a identidade local e o espaço nacional. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=672</link><pubDate>18-05-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Regressado de Chemnitz, onde participei na Congresso Internacional “Ideas of / for Europe”, invoco Denis de Rougemont, cujas ideias recordei. E falo-vos de um pequeno livro, que dá conta do percurso intelectual deste cidadão europeu, tantas vezes mal compreendido, um visionário que ainda hoje merece ser lido e recordado. “Denis de Rougemont, Introduction à Sa Vie et Son Oeuvre” de François Saint-Ouen (Georg Editeur, Centre Européen de la Culture, 1995) dá-nos o itinerário de um europeísta, que nos permite procurar perceber por que razão o autor de “L’Amour et l’Occident” se tornou uma referência dos ideais pan-europeus, para além dos circunstancialismos imediatos ou das lógicas burocráticas…]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=671</link><pubDate>11-05-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[A última sessão das “Encruzilhadas da Democracia” suscitou um debate muito animado sobre a democracia e a cidadania em que tive o gosto de participar com José Neves e Miguel Serras Pereira (infelizmente, Helena Roseta não pôde juntar-se a nós). Nesse confronto de ideias citei as “Lettres Persanes” de Montesquieu (1ª edição, 1721), que hoje aqui invoco, pretexto para falar de alguns dos temas ligados à cidadania que abordámos. E se falo das “Cartas Persas” faço-o por considerá-las uma obra fundamental, que antecipa as concepções sociais e políticas dos últimos dois séculos. De modo inesperado para o seu tempo, Montesquieu faz aí uma crítica desassombrada da sociedade em que vive, com se fosse um olhar externo, que assim poderia exercer o sentido crítico com maior acutilância.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=670</link><pubDate>04-05-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[A epistolografia de Antero de Quental é um marco essencial da cultura portuguesa. A publicação em três volumes das “Cartas”, com prefácio, organização e notas de Ana Maria Almeida Martins (Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2009) é um acontecimento editorial que deve ser saudado. Estamos perante um trabalho minucioso e persistente de pesquisa rigorosíssima, onde se nota o empenhamento de uma vida e um afecto muito especial por parte da organizadora, o que não perturba minimamente a probidade científica posta neste labor, antes lhe dando um extraordinário valor acrescentado, que decorre do facto de ser, com provas sobejamente dadas, a nossa melhor especialista na vida e obra de Antero de Quental.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=669</link><pubDate>27-04-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Em “Paul Ricoeur, L’Unique et le Singulier”, entrevista de Edmond Blattchen, na colecção « Noms de Dieux » (Éditions Alice, 1999), o filósofo francês fala-nos do enigma com que a filosofia se confronta, ligado à multiplicidade dos nomes de Deus. Heráclito referia-o em ligação com o dia e a noite, o Inverno e o Verão, a guerra e a paz, a saciedade e a fome… Platão criticava os deuses de Homero, Kant demarcou-se dos clássicos em geral e Nietzsche pôs Deus em xeque, anunciando a sua morte. Paul Ricoeur (1913-2005) começa por recordar, nesta entrevista, a dialéctica entre Moisés e Aarão, e fá-lo invocando a obra de Schoenberg – onde o Deus imutável entra em tensão com os deuses múltiplos. E estamos perante o episódio do “Bezerro de ouro”. Moisés sobe à montanha, para o face a face com Deus, que o desliga do povo. Foi esse facto que perturbou o músico austríaco, na sua experiência de uma escrita musical inaudível para os outros, quando estava também atraído pelos ritmos populares. Enquanto Moisés via Deus, não via o povo. Mas Aarão estava em contacto com esse povo, que não via Deus…]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=668</link><pubDate>20-04-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Adolfo Casais Monteiro – Uma Outra Presença” (Biblioteca Nacional de Portugal, 2008) é mais do que um catálogo da excelente exposição organizada aquando do centenário do nascimento do autor presencista, é um conjunto de estudos e documentos elaborados e escolhidos com critério e competência. A exposição da Biblioteca foi comissariada por Carlos Leone com a participação de Fátima Lopes na pesquisa e no catálogo. Pode dizer-se que Casais Monteiro (1908-1972) é uma das figuras mais importantes do seu tempo, pela sua singularidade, pela independência de espírito que assumiu e pela capacidade única que revelou de compreensão das tendências fundamentais da cultura. É um caso especial no panorama cultural português: foi um heterodoxo que quis perceber a modernidade pela “autenticidade”, não se deixando aprisionar em cânones neo-realistas ou outros, entendendo a revista “presença” como orientada para a abertura de horizontes e procurando compreender o fenómeno poético contemporâneo como tal, enquanto libertação e “nova consciência na qual o homem se reconheça livre da era das ilusões e cativo da incapacidade de transformar o mundo”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=667</link><pubDate>13-04-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Na passada sexta-feira, na Junta de Freguesia de S. João de Brito, por iniciativa do Forum Abel Varzim, com o apoio do Centro Nacional de Cultura, com o empenhamento incansável de Manuel Bidarra de Almeida, teve lugar a invocação do cinquentenário de dois documentos fundamentais assinados por católicos no ano de 1959, nos meses de Fevereiro e Março de 1959, intitulados “As relações entre a Igreja e o Estado e a liberdade dos católicos” e “Carta sobre os serviços de repressão do regime”, a que estiveram ligados, entre outros, activistas e fundadores do Centro Nacional de Cultura. Na ocasião, Nuno Teotónio Pereira referiu, muito justamente, uma obra fundamental, onde tais textos podem ser lidos na íntegra – “Católicos e Política – De Humberto Delgado a Marcello Caetano”, com edição e apresentação de José da Felicidade Alves, s.d. (1969). ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=666</link><pubDate>06-04-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“O Último Eça” de Miguel Real (QuidNovi, 2006) é mais do que uma obra sobre Eça de Queiroz, uma vez que cuida de uma reflexão global sobre a Geração de Setenta, a propósito da qual correm diversas simplificações e até caricaturas, com as mais diversas marcas, desde as que insistem no decadentismo ou no vencidismo, tantas vezes confundido com aceitação do atraso como fatalidade, até aos que preferem salientar um suposto nacionalismo, em ruptura com as primeiras manifestações de uma geração inconformista e iconoclasta. Afinal, a grande pergunta que se põe é a de saber se há coerência ou descontinuidade no percurso ideológico de um dos grupos intelectuais mais influentes de toda a história da cultura portuguesa. Estamos, assim, perante uma investigação que permite compreender qual a real importância de Eça e dos seus amigos na transição para o século XX.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=656</link><pubDate>30-03-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“The Vertigo Years – Europe, 1900-1914” (Weidenfeld & Nicolson, 2007; Basic Books, 2008) de Philipp Blom é um retrato inteligente e muito vivo de um período inusitadamente rico da história europeia e do mundo, que muita gente confundiu com o anúncio de um período longo de progresso e de paz. Os sinais de avanço científico e tecnológico, o cosmopolitismo vivido nos grandes centros e pelas classes mais cultas e abastadas, tudo parecia apontar para algo de muito diferente do que veio a acontecer no mundo depois de 1914, com a eclosão de uma guerra que muitos julgaram evitável ou pelo menos muito rápida. Nada do que se pensava se verificou. A guerra tornou-se inexorável. Não funcionaram as ligações de sangue entre as famílias reinantes, nem o internacionalismo sonhado pelo movimento operário, que julgava não poder haver guerra contra a solidariedade proletária. O conflito não só foi muito longo, contra a ideia errada e ingénua de que algumas semanas o resolveriam, mas também lançou o mundo no conflito mais sangrento da história, que só se resolveria provisoriamente trinta anos depois.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=655</link><pubDate>23-03-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Indagações sobre uma Vida Melhor” (Civilização Brasileira, 1986) de Dom Hélder Câmara, o arcebispo mítico de Olinda e Recife, merece ser recordado no momento em que assinalámos a 7 de Fevereiro o primeiro centenário do nascimento do autor, para quem “o verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus”. Ao lado de Alceu Amoroso Lima, foi um dos agitadores dos espíritos no sentido da liberdade e da justiça, crente de que a maneira de ajudar os outros é provar-lhes que são capazes de pensar. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=654</link><pubDate>16-03-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Obra Completa – 1969-1985” de Nuno Bragança (Dom Quixote, 2009) é um acontecimento literário, uma vez que se faz regressar ao grande público, com esta publicação, um escritor e uma obra maiores que marcaram e marcam, no sentido de uma profunda renovação, a literatura portuguesa. E a verdade é que ainda está por fazer-se o reconhecimento da importância e do valor de Nuno Bragança no nosso panorama cultural, tantas vezes fechado sobre si mesmo e avesso às transformações que vão para além da superfície. O século XX português teve o abanão do “Orpheu”, no entanto os conformismos constituíram-se em regra e esse episódio foi excepcional. Foi contra um estado de coisas acomodatício que Nuno Bragança se afirmou, e é de elementar justiça referir o seu extraordinário talento renovador.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=653</link><pubDate>09-03-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Edgar Morin é um velho amigo do CNC e nosso sócio honorário. As suas reflexões constituem peças fundamentais no pensamento contemporâneo para além das fronteiras europeias. “Mon Chemin”, que acaba de ser publicado (Entrevistas com Djénane Kareh Tager, Fayard, 2008), permite-nos conhecer melhor o autor, que nos revela na primeira pessoa, com grande lucidez, o seu percurso de cidadão e de humanista. E o mais importante é que nos fala, com grande coragem, da sua vida, das suas emoções e paixões e da sua própria experiência da vida, do amor, da poesia, da velhice e da morte. Podemos, assim, seguir uma vida que atravessou o século XX, e que viveu na carne e no espírito as angústias dum tempo de barbárie e de esperança.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=652</link><pubDate>02-03-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[A “Correspondência” de Eça de Queiroz, com organização e notas de A. Campos Matos (2 volumes, ed. Caminho, 2008) é um instrumento de trabalho precioso para os estudiosos, mas também uma oportunidade extraordinária para os queirozianos e para os amantes da língua portuguesa de usufruírem das melhores páginas da epistolografia nacional. As cartas que Eça trocou com os seus amigos correspondem, com efeito, à clara demonstração, se dúvidas houvesse, de que a Geração de 1870 foi das mais dotadas e influentes da história portuguesa, com uma lucidez, um sentido de humor e uma genialidade bem patentes em cada passo do diálogo que estabeleceram e que constituiu a grande mais valia da sua existência. Aliás, se podemos falar de Geração é porque os seus membros não agiram isoladamente, souberam, sim, pôr o seu enorme talento individual ao serviço de uma capacidade irrepetível para construírem em comum um momento único e poderoso, com uma fantástica influência contemporânea e posterior.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=651</link><pubDate>23-02-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[O livro “Ensaios e Estudos – Uma Maneira de Pensar” (volume I) de Vitorino Magalhães Godinho (Sá da Costa Editora, 2009) corresponde não tanto ao início de uma reedição dos Ensaios do autor, dados à estampa nos anos sessenta e setenta, mas a uma reponderação da obra de há quarenta anos, mantendo-se o que foi considerado com actualidade e juntando-se textos mais recentes. Em bom rigor estamos, assim, perante obra nova, pela frescura das ideias que o professor nos apresenta e pela preocupação (bem sucedida) de dar ao público instrumentos que permitam pensar e compreender a profunda crise estrutural com que nos defrontamos presentemente. Eis por que razão ao lermos ou relermos estes Ensaios temos a sensação (e a certeza) de que eles permitem aos estudiosos contemporâneos (investigadores, professores, estudantes) a compreensão da História Económica em estreita ligação com a Ciência Económica, numa perspectiva de longo prazo.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=650</link><pubDate>16-02-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Migrações e Participação Social – As Associações e a construção da cidadania em contexto de diversidade – o caso de Oeiras” de M. Margarida Marques, com a colaboração de Rui Santos e José Leitão (Fim de Século, 2008) é uma obra oportuna composta por um conjunto de ensaios de carácter sociológico, jurídico e político que dão uma perspectiva abrangente e compreensiva do associativismo migrante em Portugal a partir de um importante estudo de caso, que nos permite fazer extrapolações e retirar consequências no tocante à participação cívica e à mediação política em comunidades migrantes, que assumem na sociedade portuguesa contemporânea uma importância crescente como factores de inter-culturalidade, de diversidade e de coesão.´]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=648</link><pubDate>09-02-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[A leitura de “A Gravidade e a Graça” de Simone Weil (1909-1943) é o mergulho intenso numa reflexão que permite assinalar com conhecimento de causa o centenário do nascimento de uma das personalidades mais ricas do século XX. E só esta invocação poderá ser fiel à existência de uma mulher que se colocou no epicentro das grandes angústias e incertezas de um século em que muitas esperanças se tornaram tragédias e em que muitos dramas puderam abrir novos horizontes de humanidade (Tradução de Dóris Graça Dias, Relógio de Água, 2004). George Steiner disse, aliás, que “entre os grandes espíritos femininos de todo o mundo, o de Weil impressiona-nos por ser aquele que é mais evidentemente filosófico, aquele que está familiarizado com a ‘luz da montanha’ (como diria Nietzsche) da abstracção especulativa”. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=641</link><pubDate>02-02-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Gabriel Zaid escreveu a obra “Livros de mais – Ler e publicar na era da abundância” (Prefácio e tradução de Miguel Graça Moura, Temas e Debates, 2008) para nos falar da importância dos livros, num momento em que se verifica um estranho paradoxo, que obriga a séria reflexão, uma vez que o “negócio frenético da edição faz nascer um livro de trinta em trinta segundos”, exactamente quando há quem ponha dúvidas sobre o futuro do livro, no confronto com as novas tecnologias, em especial a Internet, e com o primado quase absoluto da imagem sobre a escrita. Há, assim, um ponto de partida inquietante que é motivo do ensaio agora traduzido em português: “A leitura de livros cresce aritmeticamente; a escrita de livros cresce exponencialmente. Se a nossa paixão pela escrita não for controlada, num futuro próximo haverá mais gente a escrever livros do que a lê-los”. Como?]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=632</link><pubDate>26-01-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Livros com Ideias Dentro” de António Rego Chaves (Campo das Letras, 2008) é um percurso que nos revela um conjunto diversificado, mas de grande interesse, de obras e de autores. Com grande cuidado na escolha dos livros e no tratamento das ideias que estes contêm, o autor organizou uma obra de qualidade, que nos permite ver pelos olhos de quem nos conduz um verdadeiro caleidoscópio que nos faz compreender melhor o mundo em que vivemos. Trata-se de textos jornalísticos de uma grande sensibilidade e exigência, que correspondem a uma concepção de elevado sentido cívico e ético sobre o serviço público cultural do jornalista, o que é de realçar.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=631</link><pubDate>19-01-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Quando a personagem Tintim chega aos oitenta anos de vida, cumpre referir uma obra fundamental para o conhecimento do fenómeno. Falamos de “Hergé, Filho de Tintim” de Benoît Peeters (tradução de Paula Santana Leite; Verbo, 2007), livro publicado para assinalar o centenário do nascimento de Georges Remi. No ponto de partida desta biografia exaustiva, centrada na personalidade complexa do criador do herói de “Estrela Misteriosa” está a afirmação singularíssima de Hergé: “Tintim era eu, com tudo o que em mim existe de necessidade de heroísmo, de coragem, de sinceridade, de malícia e de desembaraço. Era eu, e garanto que nem perdia tempo a perguntar a mim mesmo se agradava ou não aos miúdos. E os temas que escolhia eram temas que me apaixonavam, sobre os quais havia algo a dizer, sobre os quais eu tinha algo a dizer”… E assim, na aparente simplicidade, Tintim é um caso especial.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=630</link><pubDate>12-01-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Bom Ano! Começamos com Elias Canetti (1905-1994), Prémio Nobel da Literatura de 1981, escritor cosmopolita, búlgaro de origem sefardita, autor de obra muito vasta e diversificada e analista arguto da sociedade do século XX e dos fenómenos da massificação e da cegueira do anonimato. Acaba de sair em português “A Língua posta a salvo – História de uma juventude” (tradução de Maria Hermínia Brandão, Campo das Letras, 2008). É o primeiro livro da trilogia autobiográfica de que fazem parte “The Fackel im Ohr (1921-1931)” (de 1980, “The Torch in my Ear”), e “Augenspiel (1931-1937)” (de 1985, “The Play of the Eyes”). Este volume (“Die Gerettete Zungue”, de 1977, “The Tongue set Free”) abrange a infância e juventude até 1921 e é uma demonstração essencial da força de um humanismo de vistas largas que foi característica comum a Kafka, Mann, Musil, Broch, ou Benjamin, num tempo de profundas angústias, incertezas e perplexidades.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=624</link><pubDate>05-01-2009  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[No encerramento do ano, escolhemos o catálogo da exposição realizada na Biblioteca Nacional de Portugal sobre “D. Francisco Manuel de Melo, 1608-1666”. Trata-se de uma iniciativa a saudar positivamente, num ano em que, infelizmente, como já aqui dissemos, não houve suficiente visibilidade na comemoração do quarto centenário do nascimento de uma das grandes referências da cultura portuguesa. O autor de “Apólogos Dialogais” e de uma obra muito rica e multifacetada, que ultrapassa em muito os horizontes da moda do seu tempo, merece estudo, reflexão, leitura e a publicação dos seus livros fundamentais, aguardando-se com expectativa a tradução da “Historia de los movimentos y separacion de Cataluña”. Completaremos a nota habitual com a escolha das dez obras publicadas em Portugal que consideramos dignas de destaque, com o subjectivismo que estas listas sempre têm.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=623</link><pubDate>29-12-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA["Consciência Histórica e Nacionalismo – Portugal, séculos XIX e XX" de Sérgio Campos Matos (Livros Horizonte, 2008) é uma colectânea de ensaios sobre Portugal nos dois últimos séculos, que permite conhecer como se formou a ideia de identidade nacional, a partir de abordagens diferentes que desaguam nas ideias contemporâneas que temos sobre o País em que vivemos. E o certo é que no século XX o nosso imaginário foi influenciado pelo exacerbamento de concepções geradas um século antes, numa síntese, nem sempre fácil de entender, entre as concepções tradicionalistas e o pensamento liberal. Daí que o republicanismo intelectual, por exemplo, tenha bebido de diferentes fontes, que vão do positivismo inicial às diferentes pistas abertas pela “Renascença Portuguesa”, desde Pascoaes a Pessoa, passando por Cortesão, Sérgio e Proença, mas também por Leonardo Coimbra.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=618</link><pubDate>22-12-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações” de António Alçada Baptista (Presença, 2003) merece ser relido nestes dias em que sentimos a necessidade de falar de “um sussurro de saudade”, como ele sentiu na morte do seu grande amigo Alexandre O’Neill. Neste livro, deparamo-nos com memórias, reflexões, invocações e ensaios que prosseguem aquilo a que António Alçada Baptista nos habituou. Aqui se sente a continuação da “Peregrinação Interior” e também a explicação de como o “escritor dos afectos” foi muito mais do que isso – foi o cristão no tempo, pondo as palavras ao serviço do amor das bem-aventuranças e de um sentido profético da vida.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=613</link><pubDate>15-12-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Lisboa, História Física e Moral” de José-Augusto França (Livros Horizonte, 2008) é uma obra de minúcia, muito bem escrita por um conhecedor profundo da cidade de Lisboa e das suas histórias paralelas, sobrepostas e cruzadas. E se é certo que o autor se afirma “contemporanista”, a verdade é que aquilo que nos é dado neste livro de cerca de 870 páginas é uma leitura de quem sabe que apenas se pode entender uma cidade se soubermos as suas raízes e o caminho seguido - povoado de vidas e de espírito, de realidades físicas e morais. Antes de entrar na obra, importa fazer uma referência ao editor, Rogério Moura (1925-2008), que nos deixou há poucos dias e que foi um animador desta que viria a ser a sua última publicação. Em boa hora insistiu com o autor, e o resultado é largamente positivo. Havia que contribuir para que o público conhecesse melhor a cidade, não a partir de considerações académicas, mas segundo uma análise rigorosa que pusesse ao dispor de todos uma obra informada e culta de um erudito que se apresenta como experimentado e acessível peregrinador olisiponense. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=611</link><pubDate>08-12-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Sob um Falso Nome” de Cristina Campo (Assírio e Alvim, 2008) é formado por diversos ensaios sobre temas muito diversos, unidos por um fio condutor que tem a ver com “uma atenta leitura da realidade e da arte”, isto é, “uma leitura total, em planos múltiplos: poético, humano, espiritual, religioso e simbólico”. Com esta obra, servida por uma muito boa tradução de Armando Silva Carvalho, podemos ter novo contacto com a autora de “Os Imperdoáveis”, livro também publicado na colecção “Teofanias”, biblioteca deslumbrante, que agora nos traz mais este tesouro. Os ensaios abordam, sempre com brilhantismo e profundo sentido poético, desde a liturgia cristã a Truman Capote, passando por Simone Weil, Djuna Barnes, Virgínia Wolf, Katherine Mainsfield, Jorge Luís Borges, D’Annunzio e Shakespeare. E a cada passo sentimos a densidade espiritual e a capacidade de encantamento que a escrita de Cristina Campo sempre contém.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=610</link><pubDate>30-11-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Há quatro séculos, nasceu em Lisboa D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666), o autor dos celebradíssimos “Apólogos Dialogais” (publ. 1721) e do “Auto do Fidalgo Aprendiz” (publ. 1676), que segundo alguns inspirou Molière no seu “Le Bourgeois Gentilhomme”. Foi um dos grandes cultores da língua portuguesa, mas também da língua castelhana. No “século de ouro” dos Áustrias ombreou com Quevedo, e Menendez Pelayo considerou-o como referência fundamental – “o homem de mais engenho que produziu a Península no século XVII, depois de Quevedo”. É estranho, no entanto, que haja um tão grande silêncio em torno desta efeméride. Dir-se-ia que, passados os séculos, ainda continua a persistir uma incompreensível maldição em torno desta personalidade multifacetada e genial, cuja leitura e existência ainda hoje nos entusiasma e pode motivar.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=609</link><pubDate>23-11-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Correspondência, volume I, Cartas a Alberto Sampaio”, com organização, introdução e notas de Emília Nóvoa Faria e António Martins (Campo das Letras, 2008) é uma obra que nos revela, através dos seus amigos (já que só no volume II o teremos na primeira pessoa) a personalidade multifacetada de Alberto Sampaio, uma das figuras menos conhecidas da sua Geração, mas nem por isso de pouca importância. Alberto Sampaio (1841-1980), que nasceu em Guimarães e morreu na sua quinta de Boamense (em Vila Nova de Famalicão), singularizou-se como um dos criadores da moderna historiografia económica portuguesa. Escreveu “As Vilas do Norte de Portugal” e “Póvoas Marítimas do Norte de Portugal” (in “Estudos Históricos e Económicos”, 1923), obras ainda de leitura indispensável para conhecer as raízes portuguesas e a razão de ser da evolução do povoamento do território.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=607</link><pubDate>17-11-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[A reedição de “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares” de Antero de Quental, com prefácio de Eduardo Lourenço (Tinta da China, 2008) merece ser assinalada, pela qualidade da obra e pela sua evidente oportunidade. A conferência proferida por Antero no Casino Lisbonense, no longínquo dia 27 de Maio de 1871, chegou até nós envolta em roupagens de celebridade, mas também de mito. E pode dizer-se que nessa reflexão o autor quis ser revolucionário; e marcou, por isso, claramente as gerações intelectuais que se seguiram. E, se é verdade que o caso Dreyfus iniciou na Europa o envolvimento activo dos intelectuais nos debates políticos, temos de lembrar que em Portugal uma geração de jovens, que iniciara os seus passos de ruptura em Coimbra, na senda dos ventos que vinham da Europa, antecipou essa necessidade de compromisso.
 ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=606</link><pubDate>10-11-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Vida num Sopro” de José Rodrigues dos Santos (Gradiva, 2008) é o corolário de um percurso do autor no campo da ficção, onde se nota uma procura de maturidade que vem desde “A Ilha das Trevas” (2002) e começa a desenhar-se com “A Filha do Capitão” (2004) e sobretudo com “Codex 632” (2005), encontrando-nos neste último caso perante um exercício atraente de resposta ficcional para um enigma histórico. Já “A Fórmula de Deus” (2006) e “O Sétimo Selo” (2007) situaram-se num território em que o jornalista ocupou lugar do ficcionista. No entanto, essas obras permitiram que o autor pudesse dar novos passos no sentido de um melhor domínio da narrativa e da escrita. Com o novo romance, temos o início de uma nova fase na vida literária do autor, num caminho de exigência que, estou certo, irá prosseguir.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=600</link><pubDate>03-11-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Termino hoje o relato da expedição à Europa Oriental e invoco um autor e uma obra que merecem recordação na Rússia contemporânea. De facto, “Cinco Meditações sobre a Existência” de Nicolau Berdiaeff (tradução de Ana Hatherly, Guimarães Editores, 1961), pela densidade criadora e pela força espiritual representa a vitalidade de uma cultura, que volta a merecer atenção, não já como fenómeno excepcional ou clandestino, mas como expressão de uma vitalidade que mergulha as suas raízes na cultura de Tolstoi e de Dostoievsky. Berdiaeff (1874-1948) foi, ao lado de Lev Chestov (1866-1938), um dos mais conhecidos filósofos russos do início do século passado, que influenciou decisivamente o pensamento existencialista. Foi ele quem falou de uma “ideia russa” de cultura: “A ideia mestra da minha vida é a ideia do homem, do seu rosto, da sua liberdade criadora e da sua predestinação criadora. Mas tratar do homem é já tratar de Deus. Isso é essencial para mim”. E daí a necessidade da ligação da espiritualidade à existência, porque “a Verdade implica a actividade do espírito do homem, o conhecimento da Verdade depende dos graus de comunidade que podem existir entre os homens, da sua comunhão no Espírito”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=593</link><pubDate>27-10-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Miguel Veiga acaba de publicar “O Meu Único Infinito é a Curiosidade” (Portugália Editora, 2008) onde podemos encontrar um conjunto de textos escritos em diversas ocasiões e por múltiplas solicitações, que nos revelam a personalidade multifacetada do cidadão empenhado, que pratica activamente o gosto pela vida e que faz do cosmopolitismo e do amor da cultura uma característica fundamental da sua personalidade e do seu modo de estar. Baptista-Bastos diz dele: “homem de compromissos éticos e ideológicos, que detesta todo tipo de mortificações, sempre me pareceu um garimpeiro de felicidade”. Pelos temas e pelas memórias que ele invoca temos oportunidade de lembrar o século XX português, centrado na cidade do Porto, mas projectado para além dela, num registo inconformista, que nos permite compreender o “Porto Culto” que chegou aos nossos dias.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=592</link><pubDate>20-10-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Na recente viagem do CNC a Moscovo e a S. Petersburgo andámos sempre com o precioso livro de Rómulo de Carvalho “Relações entre Portugal e a Rússia no século XVIII” (Sá da Costa, 1979) nas mãos, fonte inesgotável de informações. É uma obra fundamental que permite compreender como foi possível à cultura portuguesa desse tempo a importância de fenómeno nascente que foi a ocidentalização da Rússia. Quando saímos de Moscovo, levávamos na recordação uma cidade movimentada, que nestes dias era o centro das notícias do mundo, pela crise da Geórgia e pela tentativa do governo russo de se afirmar como protagonista de primeira grandeza na cena internacional. E isso não impediu que o embaixador Manuel Marcelo Curto, apesar de todas as preocupações, pudesse apoiar-nos e receber-nos com grande simpatia e hospitalidade.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=591</link><pubDate>13-10-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Realizar o Congresso sobre a obra de Eduardo Lourenço constituiu um desafio apaixonante. Antes do mais, havia que pôr a tónica no autor e nos seus escritos, mas também importava abrir para o grande público a reflexão e o estudo, que hoje se desenvolvem em torno de um percurso intelectual, felizmente longo e fecundíssimo, que abrange um conjunto vasto de temas e problemas que relacionam cultura e vida, Portugal, a Europa e o Mundo. O CNC, que recebeu nos anos cinquenta, das primeiras conferências em Lisboa de Eduardo Lourenço, por iniciativa de Fernando Amado, Afonso Botelho e Almada Negreiros, e que nos anos sessenta esteve intimamente ligado à revista “O Tempo e o Modo” e nos anos setenta à “Raiz e Utopia”, que contaram com a presença constante e luminosa do autor de “Labirito da Saudade”, entendeu dever lançar uma iniciativa que não é de comemoração, mas de justa e necessária reflexão e de apelo à leitura e ao conhecimento de uma obra e de um autor, referências fundamentais da cultura portuguesa contemporânea.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=590</link><pubDate>06-10-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[António Quadros no seu utilíssimo “Uma Visita à Rússia – Impressões e Reflexões” (Lisboa, 1969) afirma recordar «as multidões sorumbáticas e caladas com que me acotovelei (…) no metro de Moscovo, no Gum (grandes armazéns), na Exposição dos Progressos Soviéticos. Recordo os sonhos, as aspirações, as exaltações, as euforias e a animação dialéctica dos livros de Gogol, Dostoievsky, Tolstoi ou Tchekov. Total desfasagem. No entanto, o povo russo sabe recolher-se nostalgicamente na sua ‘ducha’ (a alma individual), faz sentir o seu espírito religioso nas tão belas melodias folclóricas que continua a cantar (…). Acorre às manifestações artísticas, ainda que estas sejam quase sempre muito convencionais – e é capaz de produzir na clandestinidade, obras de génio e liberdade, como ‘O Mestre e Margarida’, ‘Doutor Jivago’ ou ‘O Primeiro Círculo’». A desfasagem começa, no entanto, a desaparecer com a abertura de fronteiras. Premonitoriamente, à distância de quarenta anos, o ensaísta soube captar o essencial de uma sociedade que estava apta a renascer, pelas suas raízes. Sentimo-lo nos dias de hoje. O espírito da abertura de horizontes vai regressando. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=589</link><pubDate>29-09-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Joaquim Paço d’Arcos, Correspondência e Textos dispersos, 1942-1979”, com selecção, organização e notas de João Filipe Paço d’Arcos e de Maria do Carmo Paço d’Arcos (Dom Quixote, 2008), dado à estampa no ano do centenário do romancista, reveste-se de indiscutível interesse, pois retrata uma época longa da sociedade portuguesa, que vai desde o auge da Segunda Grande Guerra Mundial até cinco anos depois de 25 de Abril de 1974, momento do falecimento do escritor. E se se usa como primeira baliza o ano de 1942 é porque esse é o ponto em que o escritor suspendeu a escrita das suas Memórias (“Memórias da Minha Vida e do Meu Tempo”, 3 volumes).]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=588</link><pubDate>22-09-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Há dias, em Cracóvia, recordámos, com sentimento de gratidão, o conde Atanazy Raczynski (1788-1874), autor de duas obras fundamentais sobre a História da Arte portuguesa: “Les Arts en Portugal – Lettres adressées à la Societé Scientifique de Berlin et accompagnées de documents”, 1846, e “Diccionnaire histórico-artistique du Portugal”, 1847 (ambos disponíveis na Internet). As obras são extraordinárias pela minúcia e rigor e abriram novos horizontes na historiografia. Invocamo-las hoje, no início do relato do nosso périplo pela Europa Oriental.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=587</link><pubDate>15-09-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Acaba de ser editado em Portugal “Istambul – Memórias de Uma Cidade” de Orhan Pamuk (1952), com tradução de Filipe Guerra (Presença, 2008), que recenseámos em Outubro de 2006 (16 a 22), aquando da atribuição do Prémio Nobel ao seu autor. Republicamos hoje o texto então produzido, revisto e aumentado por referência à edição portuguesa. Nessa altura usámos “Istanbul, Memories of a City” (Faber, 2006). Trata-se de um livro fundamental não só para se compreender a antiga Constantinopla projectada nos dias de hoje, mas também porque é uma obra-prima da literatura contemporânea – um misto de memórias, de biografia e de ensaio. Pamuk foi agraciado com o Prémio Nobel da Literatura, e a atribuição do galardão representa o reconhecimento de um escritor para quem não pode haver separação entre a vida, a arte e a escrita.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=586</link><pubDate>08-09-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS </title><description><![CDATA[“Cidades e Paisagens” de Jaime Magalhães de Lima (Porto, 1889) é hoje recordada no momento em que partimos para a “embaixada cultural” à Polónia e à Rússia. Singularmente, o ciclo “Os Portugueses ao Encontro da Sua História” vem à Europa Oriental, com que temos relações antigas, desde que os nossos comerciantes se estabeleceram na Flandres e no Mar do Norte, chegando ao contacto da Liga Hanseática e dos povos do Oriente europeu. Em Cracóvia de Copérnico, sentiu-se desde cedo a influência de matemáticos portugueses, como Pedro Nunes, na corte de S. Petersburgo afirmou-se o célebre Doutor António Ribeiro Sanches, junto de CatarinaII, a Grande. Mas, por todos, lembramos um texto muito significativo, uma carta de admiração e de afecto, de Jaime Magalhães de Lima ao seu mestre Lev Tolstoi.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=585</link><pubDate>01-09-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Histórias do Bom Deus” de Rainer Maria Rilke (tradução de Sandra Filipe, edições Quasi, 2008) é uma reunião de textos autónomos e encadeados, escritos por um dos grandes artistas da literatura europeia dos alvores do século XX. Trata-se de uma obra-prima de génio e subtileza. Esta publicação insere-se numa iniciativa de férias de grande mérito do “Diário de Notícias”, de apoio à leitura, abrangendo pequenas obras (com cerca de cem páginas) de autores referenciais como Cervantes, Tolstoi, Dostoievski, Tchekov, Kafka, Dickens, Wilde, Flaubert ou Conrad e muitos outros. Num tempo em que, muitas vezes, não há cuidado suficiente com a qualidade das obras distribuídas gratuitamente com os jornais, merece especial elogio esta colecção pelo equilíbrio, interesse e exigência postos nela pelos seus organizadores editoriais. E o sentido educativo é evidente, estando ao alcance de jovens e adultos. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=584</link><pubDate>25-08-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[A publicação do primeiro volume das “Obras Completas” de Manuel Teixeira-Gomes (INCM, 2007) constitui um acto de serviço público que deve ser assinalado e saudado. Trata-se de uma iniciativa levada a cabo com os cuidados necessários da Imprensa Nacional, com prefácio de Urbano Tavares Rodrigues (o melhor conhecedor do autor e da sua obra) e notas deste e de Helena Carvalhão Buescu e Vítor Wladimiro Ferreira. Estamos perante uma edição de referência (que retoma e aprimora as últimas edições disponíveis) que deverá ter lugar obrigatório na rede de leitura pública e nas bibliotecas escolares. Como afirma Tavares Rodrigues: Teixeira-Gomes, “mergulhando no naturalismo e no decadentismo, recupera, ao mesmo tempo, as graças verbais de um Frei Manuel Bernardes, de um D. Francisco Manuel de Melo, e a elegância de Garrett, o domínio da língua de um Camilo Castelo Branco”. Este primeiro volume reúne “Inventário de Junho” (1899), “Cartas sem Moral Nenhuma” (1903) e “Agosto Azul” (1904).]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=583</link><pubDate>18-08-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Luz e Sombras no Século XIX em Portugal” de António M. Machado Pires (INCM, 2007) é um conjunto de ensaios sobre a cultura portuguesa do final de oitocentos, a partir das referências intelectuais mais marcantes, em especial, da Geração de 70. A obra que, surpreendentemente, passou algo despercebida no momento em que saiu é de um extraordinário interesse não só pelas sínteses que apresenta, correspondentes a uma reflexão muito séria por parte de um dos nossos melhores especialistas na história da cultura portuguesa contemporânea, mas também pela ligação que procura fazer com o século XX e com as leituras actuais sobre a identidade portuguesa. Saliente-se, entre os textos agora dados à estampa, a publicação de “O ensino de Cultura Portuguesa (fundamentos de uma cadeira)”, texto da última lição de Machado Pires na Universidade dos Açores, que merece atentíssima leitura – onde se recorda a lição essencial de Vitorino Nemésio, para quem “Cultura” é “uma perspectiva convergente e unitária de vários ramos do saber”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=582</link><pubDate>12-08-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Guerrilha Literária Eça de Queiroz – Camilo Castelo Branco” (Parceria A. M. Pereira, 2008) de A. Campos Matos corresponde à resposta a um desafio da editora a um dos nossos maiores cultores da memória queiroziana no sentido de tratar de um tema difícil mas ainda actual – a polémica entre os dois mais celebrados romancistas de oitocentos e os seus admiradores. Sendo certo que ainda hoje existem duas agremiações antagónicas e irredutíveis entre camilianos e queirozianos, não é menos verdade que muito poucos conhecem os termos exactos como se processaram as relações entre os dois autores, que pertenceram a duas gerações diferentes (separadas por vinte anos) e tiveram mil e um motivos para se travarem de razões.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=580</link><pubDate>04-08-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Ensaios sobre a Educação” de António Sérgio, com prefácio de Manuel Ferreira Patrício (2008), e “O Essencial sobre António Sérgio” de Carlos Leone (2008) são duas das mais recentes publicações da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (IN-CM), que constituem obras muito oportunas e adequadas para o melhor conhecimento de uma das mais significativas referências culturais e cívicas da primeira metade do século XX. Através destes textos retoma-se o contacto com alguém que não pode ser esquecido. Como diz Carlos Leone, o estigma intelectual do «carácter de “mito da razão”, que Eduardo Lourenço lhe atribuiu» num célebre texto de 1969 em “O Tempo e o Modo”, determinou desconfiança perante o ensaísta, sendo certo que a “diminuição do estatuto intelectual e simbólico que a imputação de uma natureza mítica causou ao racionalismo de Sérgio foi imediata, profunda e duradoura”. No entanto, depois desse primeiro impacto, com efeito evidente nos últimos quarenta anos, estamos em condições de redescobrir o lugar importante que Sérgio ocupa na cultura portuguesa contemporânea.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=579</link><pubDate>28-07-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Primeira Aldeia Global – Como Portugal mudou o Mundo” de Martin Page (Casa das Letras, 2008) é um livro surpreendente. Antes do mais por ser escrito por um não português, que demonstra um grande apego às nossas coisas e à nossa História, e depois por ser escrito por um não especialista, jornalista de profissão, que, no entanto, demonstra erudição bastante a que se soma uma curiosa intuição na apresentação da tese segundo a qual um pequeno povo pôde, de modo inesperado, mudar o mundo.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=578</link><pubDate>21-07-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Oposição Católica ao Estado Novo – 1958-1974” de João Miguel Almeida (Edições Nelson de Matos, 2008) é um repositório de grande interesse sobre uma das componentes fundamentais (a político-religiosa) do fim do regime anterior. Como dizia há dias, no debate sobre o livro que teve lugar no CNC, sob organização do Centro de Reflexão Cristã, o Arquitecto Nuno Teotónio Pereira, se é verdade que não podemos esquecer os opositores de sempre, o certo é que o surgimento de uma oposição católica nos anos cinquenta alterou de modo significativo o estado de coisas político do momento. A “frente nacional” em que se baseava o Estado Novo precisava do apoio claro quer das Forças Armadas quer da Igreja. E em 1958 (há cinquenta anos!) o que aconteceu foi que surgiram duas brechas de tomo nessas duas instituições, que começaram a pôr em causa as bases do salazarismo – por um lado a candidatura de Humberto Delgado e por outro a chamada carta (ou “pro memoria”) do Bispo do Porto ao Presidente do Conselho.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=577</link><pubDate>14-07-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Antero de Quental – Fotobiografia” de Ana Maria Almeida Martins (Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2008) é uma obra elaborada com um grande cuidado no conteúdo, no grafismo e na escolha iconográfica, permitindo conhecer melhor não só a vida e a personalidade do grande poeta dos “Sonetos” mas também a geração de que foi mentor. Estamos perante uma feliz revisão do livro publicado há vinte anos (1986), e agora ampliado, sendo de realçar a descoberta de novas fotografias de Antero, nas quais encontramos o magnetismo e o carisma do extraordinário poeta micaelense. Deve dizer-se, aliás, que, na nova obra, aparece a aura do biografado com muito maior intensidade e as novas descobertas sobre a sua biografia são devidamente enquadradas e apresentadas, a benefício de um melhor conhecimento da época e das suas personagens marcantes.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=576</link><pubDate>07-07-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Leitura Infinita – Bíblia e Interpretação” (Assírio e Alvim, 2008) de José Tolentino Mendonça é uma reunião de ensaios sobre teologia e exegese bíblicas que, longe de ser um conjunto hermético e dificilmente compreensível para o leitor comum, é uma agradável oportunidade para uma reflexão não apenas religiosa, mas também sobre as raízes da nossa civilização. Se é certo que há uma perigosa ignorância sobre a razão de ser de muitas atitudes e valores culturais ligados à sociedade e à história em que vivemos e de que somos fieis depositários, não é menos verdade que estamos confrontados com o desafio necessário e obrigatório de sabermos mais sobre de onde vimos e para onde vamos como sociedade e como cultura. E esta obra permite-nos tomar contacto com um manancial muito rico de elementos, servidos por uma escrita extraordinariamente clara e belíssima, que nos permitem saber muito do que devemos saber, muito para além da superficialidade com que tantas vezes somos servidos, em domínios tão sérios como estes…]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=575</link><pubDate>30-06-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Maomé, o Islão e o Extremismo Islamita – As Sementes” de Francisco Corrêa Guedes (Edições For, 2008, com Prefácio de Manuel de Lucena) é um estudo de história e de estratégia, que se debruça sobre um tema difícil, que aqui é tratado com serenidade e rigor, mas sem a tentação de iludir os temas e os problemas, que a cada passo se levantam. Muitas vezes existe ou receio na abordagem do assunto ou desconhecimento dos complexos pressupostos em que assenta. Na circunstância, o autor deste pequeno livro sentiu necessidade de reunir informação fidedigna e conseguiu chegar a um resultado que se revela de grande utilidade quer para leigos quer para especialistas.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=574</link><pubDate>23-06-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Cento e vinte anos depois do nascimento de Fernando Pessoa (1888-1935) podemos dizer que o autor dos heterónimos se tornou um mito cultural na Europa contemporânea. Apesar de ter morrido praticamente esquecido, o certo é que se impôs, de um modo fulgurante e surpreendente, como um símbolo e um intérprete excepcional e fidelíssimo de um século paradoxal de violências e suspeitas. Hoje escolhemos o “Livro do Desassossego” de Bernardo Soares (Edição de Richard Zenith, Assírio e Alvim, 1998) como pretexto para uma glosa que pretende interpretar a razão de ser deste carisma póstumo, que tornou Pessoa hoje, surpreendentemente, porventura mais vivo do que quando existiu fisicamente.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=573</link><pubDate>16-06-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[O "Diário" de Etty Hillesum (1914-1943) acaba de ser editado entre nós pela Assírio e Alvim (2008, tradução do holandês de Maria Leonor Raven-Gomes). Trata-se de um livro surpreendente, escrito por uma holandesa de origem judaica, que partilha connosco a sua experiência humana (desde os afectos até um intenso misticismo). João Bénard da Costa acaba, aliás, de dizer (e com inteira razão) que este é o livro mais importante saído em Portugal este ano. Inserido na nossa bem conhecida colecção Teofanias, coordenada por José Tolentino Mendonça, este testemunho revela-nos uma mulher emancipada e livre, de uma grande sensibilidade, como afirmou Primo Levi, que exprime com uma perturbadora lucidez os sentimentos de quem se vai aproximando, pelo gosto da vida, do limiar da morte num tempo em que a barbárie dos “campos de trabalho” e o genocídio se contrapunham à civilização. E é esse caminho trágico e extraordinário que o diário nos apresenta. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=572</link><pubDate>09-06-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Rituais de Apaziguamento – Escritos sobre Relações Internacionais” de Luís Moita (Universidade Autónoma de Lisboa, 2008) é um conjunto de textos que cobrem duas décadas, de 1985 a 2007, desde os tempos do CIDAC até à intervenção cívica e à vida académica mais recentes do autor. E há quatro domínios a considerar: “em busca de um sentido para a globalidade”, “as guerras já não se ganham?”, “notas dispersas” e “recuperar a memória dos anos oitenta”. E assim encontramos leituras da vida internacional por parte de quem reflecte sobre os acontecimentos fora da perspectiva resignada da correlação de forças ou da realpolitik, dando aos princípios um papel crucial.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=571</link><pubDate>02-06-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa (1949-1997)” da autoria de Miguel Real (Quidnovi) foi lançado no dia de anos do autor de “Labirinto da Saudade” e de “Portugal como Destino” e constitui uma excelente oportunidade para recordarmos um percurso intelectual complexo e para reflectirmos sobre a sua influência na nossa cultura. E o certo é que importa ler Eduardo Lourenço, aceitando os seus desafios exigentes, seguindo o seu percurso heterodoxo e aprendendo a entender melhor Portugal como identidade difícil e heterogénea.  ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=570</link><pubDate>26-05-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Vozes Íntimas” de António Osório (Assírio e Alvim, 2008) é um conjunto de tocantes invocações, sempre poéticas, dotadas de lucidez e de uma especial hospitalidade. Reencontramos em cada página, em cada linha, o poeta que bem conhecemos – permanente interrogador sobretudo das pessoas. Aliás, este livro é uma obra com pessoas e recordações. E logo na dedicatória, sente-se que a memória é a matéria-prima fundamental que vamos encontrar. Heliodoro Caldeira, António Bustorff Silva, Joel Serrão e Francisco de Albuquerque Veloso estão bem presentes, vivos, fonte de exemplo e de experiência, que António Osório quis destacar, apresentando-os nesta sentida visita ao Santo dos Santos da sua existência. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=569</link><pubDate>19-05-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Humberto Delgado – Biografia do General Sem Medo” da autoria de Frederico Delgado Rosa (Esfera dos Livros, 2008) passa a ser uma obra de referência não apenas quanto à figura do General Delgado, mas também relativamente à compreensão do Estado Novo, especialmente no seu período final. Com efeito, a candidatura presidencial de 1958 e o que se segue permitem compreender aspectos importantes do regime surgido em 1926 e do seu desenvolvimento: o carácter heterogéneo do movimento inicial, a sua ambiguidade, a tensão entre isolamento e abertura potenciada pela Segunda Grande Guerra, a influência norte-americana, o atlantismo, a necessidade de tirar consequências da vitória dos aliados, os efeitos da modernização, as divisões no seio do Estado Novo e as contradições da oposição…]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=568</link><pubDate>12-05-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Portugal e os Portugueses” da autoria do actual Bispo do Porto, Manuel Clemente, (Assírio e Alvim, 2008) é constituído por um conjunto de ensaios, escritos em alturas e períodos diferentes, que formam um todo coerente, ao longo do qual temos oportunidade não só de tomar contacto com um especialista consagrado em história religiosa, mas também para procurar responder às velhas questões sobre identidade, memória e futuro – sobre o que há muitos contributos e dúvidas que convirá aprofundar.
As interrogações têm pelo menos mil anos. Quem somos, como povo e como pessoas? Que relação temos com Portugal? E se essa relação é normalmente difícil, a verdade é que nos deparamos a cada passo com a comparação histórica, com distância geográfica dos centros, com o confronto entre as ilusões e as desilusões, com a ironia e o remorso. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=567</link><pubDate>05-05-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Culture et Barbárie Européennes” (Bayard, 2005) de Edgar Morin é um livro constituído por três conferências proferidas na Biblioteca Nacional François Mitterrand de Paris sobre o fenómeno da barbárie no mundo contemporâneo, ao longo das quais o pensador fala dos perigos que nos espreitam, concluindo que “nada é irreversível e as condições democráticas humanistas devem sempre regenerar-se, sob pena de degenerarem. A democracia tem necessidade de se recriar em permanência. Daí que contribuir para regenerar o humanismo obrigue a pensar a barbárie. E por isso a resistir-lhe”. Mas, resistir à barbárie obriga a estarmos de sobreaviso, sem cair na tentação fácil de considerar que a liberdade e a democracia, a paz e a felicidade são realidades definitivamente adquiridas. Não são. E o certo é que a indiferença cívica, o egoísmo, o comodismo, o conformismo e o imediatismo podem dar origem a condições que conduzem à decadência.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=566</link><pubDate>28-04-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[O número 21 da revista “Relâmpago” (Outubro de 2007, dir. Paulo Teixeira) insere um importante dossiê sobre Jorge de Sena (1919-1978), quando se completam, em Junho próximo, trinta anos depois do seu falecimento. Trata-se de uma justa invocação que a revista da Fundação Luís Miguel Nava faz com o objectivo de recordar um dos grandes poetas portugueses que, no século XX, teve “um pensamento forte acerca do fenómeno poético”, num momento “em que parece acentuar-se uma espécie de comprazido e confortável conformismo em relação ao que alguns entendem ser uma perda de importância da poesia no espaço público”. Ora, quem conhece a obra e a personalidade de Sena, sabe bem que a necessidade de combater a tendência para a acomodação esteve sempre na primeira linha das preocupações do poeta e ensaísta. Daí que a fidelidade a esse espírito mereça atenção.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=564</link><pubDate>21-04-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“O Padre António Vieira e as Mulheres – O Mito Barroco do Universo Feminino” (Campo das Letras, 2008) da autoria de José Eduardo Franco e de Maria Isabel Morán Cabanas analisa, de um modo contrastante e com sereno rigor, as representações da mulher nos “Sermões” do pregador seiscentista. A um tempo, encontramos não só considerações nitidamente influenciadas pelo espírito do tempo, mas também, para além delas, observações que nos fazem pensar, e que colocam o Padre António Vieira numa atitude que se demarca dos lugares comuns da sua época e que projecta um entendimento que vai ao encontro do valor universal da dignidade da pessoa humana. 
Se olharmos a enumeração dos temas da obra, podemos facilmente ver que o sermonista procura, antes de mais, uma identificação com os destinatários da sua oratória. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=563</link><pubDate>14-04-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Escola do Paraíso” de José Rodrigues Miguéis (1901-1980), cuja 1ª edição saiu a lume no ano de 1960 (edição actual da Estampa), é um romance autobiográfico, onde o autor invoca as suas raízes lisboetas. Nasceu na Rua da Saudade, em Alfama, e descreve com mestria o ambiente de um país e de uma cidade (do início do século passado) de contrastes, de incertezas, de disparidades e injustiças. Apesar de cedo ter emigrado para a Bélgica primeiro, e depois para Nova Iorque, Miguéis nunca deixou as fortes recordações das suas origens, que descreve como ninguém e que o levaram a dizer que essa era a maneira “de continuar a viver em Portugal sem lá estar”. Infelizmente, o grande romancista parece esquecido, apesar de a sua obra e o seu exemplo cívico serem dos mais significativos no panorama cultural português do século XX. Com efeito, basta lermos o que escreveu, para percebermos bem que estamos perante um dos nossos autores formal e substancialmente mais ricos.  ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=562</link><pubDate>07-04-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Convergências e Afinidades – Homenagem a António Braz Teixeira” (Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa e Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 2008) é constituído por um conjunto de sessenta e três textos de diversa índole, onde é analisado o lugar do pensamento filosófico na cultura portuguesa, a partir do magistério e da influência de António Braz Teixeira. Trata-se de um volume de dimensões apreciáveis (968 páginas) que, pela riqueza dos contributos, passa a constituir um precioso auxiliar para quem queira conhecer uma componente significativa do pensamento português contemporâneo.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=561</link><pubDate>31-03-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Flannery O’Connor (1925-1964) publicou em 1952 “Wise Blood”, dado à estampa entre nós com o título “Sangue Sábio” (Cavalo de Ferro, 2007, tradução de Nuno Batalha) que é, na obra da autora, um dos livros que mais contribuiu para a aura que tão justamente conquistou no panorama da literatura mundial. Estão aí todos os ingredientes que Flannery O’Connor tão bem sabe utilizar: o inesperado, a ironia, a capacidade extraordinária de descrever as personagens e as cenas, o dom de ver o mundo às avessas para melhor tirar partido das contradições, das dúvidas, das qualidades e dos defeitos, dos pecados e das virtudes. Já disse aqui sobre a autora, a propósito de “Um Bom Homem é Difícil de Encontrar”, que “sentimos a cada passo, na sua escrita, uma tensão muito especial entre a vida e o que está para além dela, entre a placidez do quotidiano e a violência ou o grotesco do inesperado” (ler CNC, 18.9.06). Em “Sangue Sábio” isso é especialmente evidente, quer pelo tema quer pelo seu fantástico (esta é a palavra adequada) desenvolvimento.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=559</link><pubDate>24-03-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Diário Português (1941-1945)” de Mircea Eliade (Guerra e Paz, 2008) é um retrato em tempo de guerra, feito a partir de Lisboa, pelo olhar de um dos grandes especialistas da história das religiões do século XX. Mas, mais do que isso, é um ensaio que prenuncia a maturidade de pensamento do seu autor. E se há um olhar marcado pela época e pela evolução política e intelectual da Roménia antes e durante a guerra, o certo é que ele nos permite entender melhor a angústia de Mircea Eliade (1907-1986) perante as perplexidades contrastantes e contraditórias a propósito do que se passa no seu país, na Europa e na sociedade portuguesa no início dos anos quarenta, e o drama pessoal que vive. Sente-se, porém, uma obsessão ligada à consciência da destruição de uma sociedade que Eliade desejaria preservar, mas que vê destruir-se inexoravelmente, o que agrava o seu drama íntimo.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=558</link><pubDate>17-03-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Joel Serrão (1919-2008) acaba de nos deixar, mas a sua acção perdurará, influente e renovadora. Por isso, escolhemos para invocar a sua memória, a recordação de um pequeno livro, bem demonstrativo da importância do historiador e do pedagogo – referimo-nos a “Do Sebastianismo ao Socialismo em Portugal” (Livros Horizonte, 1969). Numa obra vasta e multifacetada, de quem foi essencialmente um cidadão, um professor e um mestre de várias gerações, sempre disponível para abrir novos caminhos, com rigor  crítico, Joel Serrão interessou-se pelo século XIX, pela história política, mas também pela poesia, e por isso, ao lermo-lo, podemos entender a história como ciência e vida, o que nos permite compreender melhor de onde vimos e quem somos.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=557</link><pubDate>10-03-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Garrett e os Estados Unidos da América” de Duarte Ivo Cruz (Civilização Editora, 2007) é o resultado de uma interessante e útil investigação sobre aspectos da vida do grande escritor português do século XIX, enquanto diplomata e arguto intelectual, bem consciente dos grandes problemas do seu tempo. Ivo Cruz fala-nos, por isso, muito justamente, de uma “inteligência visionária”, já conhecida em muitos dos textos e reflexões de Garrett, mas que fica ainda mais evidente nos temas a que esta obra se reporta. Se os críticos do polígrafo oitocentista se têm preocupado em invocar tantas vezes a frivolidade da personagem teatral que ele foi, a verdade é que se torna impossível, para quem se debruce sobre a vida do homem e do artista, deixar de reconhecer o seu enorme talento, a sua grande inteligência e sobretudo a sua capacidade de ver para além das imediatas aparências.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=556</link><pubDate>03-03-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[O número 143, de Fevereiro de 2008, da revista britânica “Prospect Magazine” dedica um importante texto e uma entrevista ao filósofo canadiano Charles Taylor (1931), uma das grandes referências do pensamento contemporâneo, que merecem leitura atenta. A revista mensal foi lançada em Outubro de 1995 pelo seu actual editor David Goodhart, tendo como objectivo criar um espaço inteligente e aberto de debate e informação. Segundo Sir Jeremy Isaacs tratou-se de criar algo “mais legível que o Economist, mais relevante que o Spectator e mais romântico que o New Statesman”. E o resultado é que, ao longo dos treze anos de vida, o projecto ganhou uma reputação assinalável, que permite considerá-lo como um exemplo no panorama europeu.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=555</link><pubDate>25-02-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Portugal como Destino, seguido de Mitologia da Saudade” de Eduardo Lourenço (Gradiva, 1999) constitui uma das obras emblemáticas do autor, onde se encontra um conjunto de ensaios, plenos de estimulantes desafios, sobre a cultura portuguesa e sobre as nossas dúvidas e angústias colectivas, sempre na perspectiva de tentar perceber como conseguimos durar ao longo dos séculos e ultrapassar inúmeras vicissitudes, apesar de um forte sentido autocrítico e de um pessimismo, que muitos confundem com derrotismo.
]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=554</link><pubDate>18-02-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Marginálias” é um conjunto de textos de Ramón Gómez de la Serna (1888-1963), com ilustrações de Almada Negreiros (1893-1970) (texto bilingue com tradução para português de José Colaço Barreiros, Bedeteca de Lisboa, Assírio e Alvim, 2006), com prólogos de Juan Manuel Bonet e de Fernando Cabral Martins. A edição partiu da exposição “El Alma de Almada El Impar: Obra gráfica 1926-31) e permite-nos ter contacto com as ilustrações de Almada Negreiros, numa fase crucial da sua afirmação, em contacto com uma das referências da vida cultural espanhola do seu tempo. Gómez de la Serna foi, de facto, uma das figuras mais admiradas do “vanguardismo”, que colaborou nas principais revistas do seu tempo (Revista de Occidente, Cruz y Raya, Sur) e foi autor de uma obra que ainda hoje é lembrada em Espanha e na América Latina, em especial na Argentina, para onde foi viver e onde morreu.  ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=553</link><pubDate>11-02-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Na semana em que se assinalam os 400 anos sobre o nascimento do Padre António Vieira, ocorrido em Lisboa, na rua dos Cónegos, à Sé, a 6 de Fevereiro de 1608, invocamos os "Sermões" - que presentemente podem ser lidos, quando se prepara uma nova edição, nas designadas "Obras completas" do Padre António Vieira. (com prefácio e revisão do Padre Gonçalo Alves, Livraria Chardron, Porto, 1907-1909, 15 volumes, com várias edições, designadamente: Lello e Irmão, Porto, 1951, 15 vol. e em papel bíblia, 5 vol. 1959) que contêm apenas os 207 sermões da edição princeps (1679-1748). ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=552</link><pubDate>04-02-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[A História Política tem ganho uma nova importância e por isso escolhemos o livro de Maria de Fátima Bonifácio “Estudos de História Contemporânea de Portugal” (Imprensa de Ciências Sociais, 2007), onde encontramos análises e reflexões que nos permitem compreender melhor o motivo deste renovado interesse, bem como a necessidade de dar maior atenção a esta disciplina. Num momento em que o vazio de valores se associa à indiferença, torna-se indispensável recorrer à investigação e ao estudo dos temas de História Política como forma de tentar perceber o papel das pessoas e da sociedade, bem como a evolução complexa dos acontecimentos e a pluralidade de factores que intervêm na vida colectiva.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=551</link><pubDate>28-01-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Não é possível fazer a história do pensamento do século XX sem referir e compreender a obra de Simone de Beauvoir (1908-1986), e em especial o seu livro emblemático “Le Deuxième Sexe”, publicado em 1949 pela Gallimard. Por ocasião do centenário de Beauvoir muito tem sido dito sobre a influência da escritora no seu tempo, mas importa realçar que, apesar de muitas incompreensões, perfeitamente naturais pelo carácter percursor e de ruptura de muitas das suas posições, há uma herança que deu frutos e que se relaciona com o destaque dado ao papel da mulher na sociedade contemporânea. E o certo é que essa influência e esse reconhecimento merecem reflexão serena, na distância do tempo, já fora dos efeitos imediatos…]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=550</link><pubDate>21-01-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Paulo Mendes Pinto assina nas edições Quasi um pequeno ensaio de cerca de sessenta páginas com o título “Conhecimento de Deus – Ensaios em torno do Saber, da Omnisciência, do Monoteísmo” (2007), inserido na colecção Histórias da Ciência. O autor tem-nos habituado a uma reflexão muito séria e aberta sobre as religiões, como aqui demonstra de novo, num registo que se torna cada vez mais necessário, uma vez que, como têm insistido personalidades marcantes como Umberto Eco, Hans Küng e Régis Debray, importa preencher um vazio tremendo a que hoje se assiste no tocante ao desconhecimento das raízes culturais e religiosas na nossa sociedade, uma vez que essa ignorância tem aberto o caminho à intolerância, aos fundamentalismos, à magia e à irracionalidade com que deparamos.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=549</link><pubDate>14-01-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“A Vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil” de Thomas O’Neil (José Olympio, Editora, 2007) constitui um documento de grande interesse para a compreensão de um episódio tantas vezes mal entendido na história portuguesa, que é o da partida da família real portuguesa para o Rio de Janeiro no final de 1807, perante o avanço das tropas invasoras de Napoleão Bonaparte, comandadas pelo Marechal Junot. Este relato datado de 1810 não estava traduzido em português e agora, graças ao impulso da comissão brasileira das comemorações dos duzentos anos desse evento, presidida pelo Embaixador Alberto Costa e Silva, pode ser lido na nossa língua, antecedido de um interessante e útil prólogo de Lília Moritz Schwarcz - “Homens, e a Corte, ao Mar: O Relato de uma Aventura”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=548</link><pubDate>07-01-2008  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Miguel Real acaba de dar à estampa uma pequena obra com um título enigmático – "A Morte de Portugal" (Campo das Letras, 2007), que merece uma leitura ponderada, atenta e crítica. Na senda de Eduardo Lourenço e da genealogia intelectual em que este se insere, o livro analisa quatro tempos portugueses: o do exemplo, o do povo eleito, o da humilhação e o da mediocridade. E é em torno destas quatro referências da ciclotimia nacional que Miguel Real desenvolve o tema do que poderemos designar como uma certa morte de Portugal que, como desafio e provocação, o autor propõe. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=547</link><pubDate>31-12-2007  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA["Geografia" de Sophia de Mello Breyner Andresen (Ática, 1ª ed. 1967, 2ª ed. 1972) é uma obra referencial da autora, que abre significativamente com uma citação de Novalis – "A poesia é o autentico real / Absoluto. Isto é o cerne da / Minha filosofia. / Quanto mais poético, mais verdadeiro". Com justiça, os críticos consideram os poemas aqui inseridos como dos mais significativos no percurso da autora. Sente-se a maturidade e uma ligação muito especial à magia das pessoas, das palavras e dos lugares, do sol e do sul – "A luz me liga ao mar como a meu rosto / Nem a linha das águas me divide"…]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=546</link><pubDate>24-12-2007  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[Poucos dias depois da assinatura do Tratado de Lisboa, o instrumento reformador da União Europeia, que abre novos horizontes para um projecto de paz, de desenvolvimento e de diversidade cultural, recordamos “L’Europe en Jeu” (La Baconnière, Neuchatel, 1948), uma obra clássica do século XX, da autoria de Denis de Rougemont, publicada na sequência do Congresso Europeu reunido na cidade de Haia, que lançou os fundamentos da reconstrução europeia no pós-guerra.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=545</link><pubDate>17-12-2007  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Deus no Século XXI e o Futuro do Cristianismo” é uma colectânea de textos organizada por Anselmo Borges (Campo das Letras, 2007) de grande interesse e qualidade. Reúne comunicações ao Congresso Internacional com o mesmo título realizado no Seminário da Boa Nova, Valadares, de 8 a 11 de Setembro de 2005, no âmbito das comemorações do 75º Aniversário da Sociedade Missionária Portuguesa. Apenas um texto, da autoria do dominicano Eduardo Schillebeeckx, não foi apresentado nessa iniciativa, mas foi incluído no livro em boa hora, dada a sua importância fundamental.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=544</link><pubDate>10-12-2007  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Alexandre O’Neill – Uma Biografia Literária” de Maria Antónia Oliveira (Dom Quixote, 2007) é um itinerário completo, criterioso e sistemático que nos dá o retrato de corpo inteiro de um poeta fundamental do século XX, que pôde transmitir-nos a sua visão da sociedade e do tempo em que viveu de um modo inconformista e iconoclasta, ligando humor e ironia, drama e tragédia. «Num prefácio à obra de Nicolau Tolentino escrito em 1969, onde fala afinal de si mesmo (no dizer da biógrafa), Alexandre O’Neill desdenha dos ingénuos para quem ‘há poetas perfeitamente integrados numa vida normal’.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=543</link><pubDate>03-12-2007  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Eça de Queiroz – Fotobiografia” de A. Campos Matos (Caminho, 2007) é um repositório completo, competente, com grande qualidade gráfica, que constitui um exemplo a seguir no género, num momento em que a proliferação de fotobiografias se deve por vezes mais a objectivos comerciais do que a preocupações de rigor científico. A. Campos Matos tem dado o exemplo, sendo pioneiro na ligação entre o cuidado da imagem, o estudo e a reflexão sobre um dos seus temas dilectos – a vida e a obra de José Maria Eça de Queiroz.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=542</link><pubDate>26-11-2007  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Vitória da Razão” de Rodney Stark (Tribuna da História, 2007; tradução de Mariana de Castro) é uma obra surpreendente que nos obriga a reflectir e a limpar algumas ideias falsas que se têm repetido ao longo do tempo. A obra é antecedida por uma introdução da autoria de Mendo Castro Henriques, onde se clarificam algumas lacunas do livro, em especial no tocante à realidade histórica portuguesa.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=541</link><pubDate>19-11-2007  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“El Laberinto de la Soledad” de Octávio Paz (Cuadernos Americanos, 1950) tem sido considerada justamente uma das peças chave da literatura contemporânea. É uma reflexão crítica de um mexicano sobre a modernidade, que o próprio qualificou como “uma descrição de certas atitudes, por um lado, e um ensaio de interpretação histórica, por outro”.
UMA IDENTIDADE CONTRADITÓRIA - Não podemos entender a complexa identidade mexicana sem ler Octávio Paz (1914-1998). Senti-o com nitidez há dias na Cidade do México, onde me foi possível, entre muitos compromissos, ter um breve contacto com a muito rica cultura de um país que resulta do diálogo tenso entre fundas raízes particularistas, antropológicas e históricas, e a modernidade universalista.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=540</link><pubDate>12-11-2007  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA[“Ensinar o Holocausto no Século XXI” de Jean-Michel Lecomte, com prefácio de Esther Mucznik (Via Occidentalis, 2007) é uma obra de valor pedagógico promovida pelo Conselho da Europa que nos alerta para a importância de cuidar da memória de modo a prevenir a intolerância, a cegueira e a barbárie com que o mundo se confrontou no século XX, num tempo que muitos anunciavam de paz e de entendimento.
NÃO HÁ HISTÓRIA MAIS DIFÍCIL… - Hannah Arendt disse que “não há história mais difícil de contar em toda a história da Humanidade” do que a do “Holocausto”. E porquê?]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=539</link><pubDate>05-11-2007  </pubDate></item><item><title>A VIDA DOS LIVROS</title><description><![CDATA["DE LA BIBLE À KAFKA" de George Steiner (Hachette, 2002) reúne um conjunto de ensaios que têm em comum a referência à Bíblia, desde a relação quase paradoxal entre o Antigo e o Novo Testamento às interrogações em torno de obras tão diversas como as de Kierkegaard, Husserl, Simone Weil, Charles Péguy e Kafka.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=538</link><pubDate>29-10-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana</title><description><![CDATA[Quando Lisboa acaba de ser palco do Conselho Europeu informal em que foi aprovado o novo “Tratado reformador” da União é justo recordar uma obra emblemática de Francisco Lucas Pires, “O Que é a Europa” (Difusão Cultural, 4ª edição, 1994), que deve hoje ser relida com atenção. No prefácio, Eduardo Lourenço considera, aliás, estarmos diante de “uma síntese feliz e acessível da problemática histórica, cultural e ideológica ligada à Europa”. Para o autor, era tempo de “entre os adamastores passados e os obstáculos à proa” seguir uma via de “eurorealismo”, já que andar para trás “seria regressar a formas de centralismo, autoritarismo e subdesenvolvimento paroquial”. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=535</link><pubDate>22-10-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana</title><description><![CDATA[Mário Sottomayor Cardia (1941-2006), sócio e amigo do Centro Nacional de Cultura, deve ser recordado como cidadão e filósofo a quem a democracia e a educação muito devem, escreveu “Socialismo Sem Dogma” (Publicações Europa-América, s.d., 1981), obra exemplar pela clareza e abertura de espírito que a caracterizam. Longe de ser uma obra unilateral e alinhada, é um livro de pedagogia democrática, que o autor desejava que provocasse polémica. Afinal, a partir da tradição maiêutica, o que o filósofo queria era gerar um debate, um confronto, de que pudesse sair enriquecida a vida democrática, que tem de partir da concorrência e da conflitualidade para poder dar lugar à compreensão das ideias de compromisso e de contrato social.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=533</link><pubDate>15-10-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana</title><description><![CDATA[Marsilio Cassotti escreveu “Infantas de Portugal Rainhas em Espanha” (A Esfera dos Livros, 2007), que permite seguir o percurso bem diferenciado de onze personalidades, descendentes de reis de Portugal, chamadas ao trono de Castela ou de Espanha. Na capa temos, como seria de esperar, o retrato póstumo que Ticiano pintou a pedido do Imperador Carlos V (Carlos I de Espanha) de sua mulher D. Isabel de Portugal, a mais bela e influente rainha da cristandade, mãe do nosso rei D. Filipe I e filha de D. Manuel I. O Imperador enamorou-se dela mal a viu, diz a tradição, e definiu para ela o maior dote que uma princesa jamais havia tido.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=532</link><pubDate>08-10-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana</title><description><![CDATA[“Ética” da autoria de Dietrich Bonhoeffer (Assírio e Alvim, 2007) faz parte da colecção “Teofanias” dirigida por José Tolentino Mendonça. Em boa hora a editora teve a coragem de lançar para o público português uma lista de textos tão ricos e pertinentes de Cristina Campo, Soeren Kierkegaard, Simone Weil ou do Cardeal Newman. O conjunto agora dado à estampa é de um dos mais importantes teólogos alemães do século XX e constitui uma oportunidade de excepção para nos interrogarmos sobre o fenómeno religioso numa perspectiva aberta e através de um grande rigor intelectual. Se à primeira vista, o livro é difícil e muito denso, o certo é que, à medida que entramos nele, encontramos uma reflexão profundamente atraente e estimulante. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=530</link><pubDate>01-10-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana</title><description><![CDATA[“O Essencial sobre Fernando Gil”, de Paulo Tunhas (INCM, 2007) constitui uma invocação rigorosa e justa sobre uma personalidade multifacetada e singularíssima de um grande filósofo português contemporâneo de projecção internacional. Aliás, a colecção “Essencial”, iniciada na Imprensa Nacional por Vasco Graça Moura, é um repositório que tem de ser visitado. Numa opção muito pertinente, o autor desta pequena obra optou por citar abundantemente o filósofo e isso constitui uma das principais mais valias deste texto fundamental.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=528</link><pubDate>24-09-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana</title><description><![CDATA[“A Vida Quotidiana no Paraguai no tempo dos Jesuítas”, de Maxime Haubert (Livros do Brasil, s.d.) esteve nas mãos dos viajantes que há uma semana terminaram a peregrinação “Os Portugueses ao Encontro da sua História”, desta vez na América do Sul, nas “reduções” dos jesuítas, nos caminhos dos bandeirantes e na interrogação das raízes dos índios guaranis. A Província do Paraguai de que nos fala o livro foi fundada em 1604, por cisão da do Peru, e não corresponde ao actual Estado que leva esse nome, mas a um território muito mais vasto, na zona de influência espanhola, abrangendo Argentina, Uruguai, Rio Grande do Sul, Bolívia Oriental e parte do Chile, além do actual Paraguai.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=527</link><pubDate>17-09-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Em peregrinação nas terras dos Bandeirantes, o livro da semana é “Raposo Tavares e a Formação Territorial do Brasil” (2 volumes) da autoria de Jaime Cortesão (Portugália, 1966). A obra é aliciante e segue um percurso que nos permite ver sucessivamente a Geografia e a etnografia da América do Sul, “a reacção ao Tratado de Tordesilhas e o mito da ilha-Brasil”, o fenómeno do bandeirismo sob os Filipes, Raposo Tavares e as primeiras bandeiras, as origens sociais do bandeirante, a primeira e a segunda bandeira de Guairá, os bandeirantes e os jesuítas no Tape, a restauração da independência portuguesa, o plano, o desenvolvimento das bandeiras e as conclusões.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=526</link><pubDate>10-09-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[O tempo de férias permite-nos ir ao baú e desencantar velhas edições que mantêm a frescura e a força da novidade. Está neste caso “A Vida Quotidiana no Tempo de Homero” de Émile Mireaux, traduzido por Sophia de Mello Breyner Andresen (Livros do Brasil, s.d.). A primeira edição é de 1957, correspondendo ao número 3 da série “Vida Quotidiana”, traduzida da colecção da Hachette, editora que publicou originalmente este mesmo volume em 1954. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=525</link><pubDate>03-09-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana</title><description><![CDATA[Hoje não falo de um só livro, mas de muitos livros e de um amigo. Eduardo Prado Coelho (1944-2007) saiu de cena inesperadamente, quando muito esperávamos dele. Simbolicamente escolho “Tudo o que não escrevi” (2 volumes, Asa, 1992 e 1994) como obra de referência. É um diário que retrata bem a sua relação com a vida e com a cultura. No sábado de manhã, quando recebi a notícia, atónito perante o inesperado, escrevi de supetão: «A última vez que falámos, e foi há muito pouco tempo, ouvi dele palavras muito positivas de disponibilidade para novos projectos e para voltar à vida plena.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=524</link><pubDate>27-08-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana - Semana de 20 a 26 de Agosto de 2007</title><description><![CDATA[“A Rota das Especiarias” de John Keay (Casa das Letras, 2007) fala-nos de um velho enigma a que os povos do Ocidente procuraram dar resposta pelo menos nos dois últimos milénios: o do comércio com o Oriente das espécies necessárias à conservação dos alimentos e ao seu condimento.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=523</link><pubDate>20-08-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana</title><description><![CDATA[“Pessoa e Democracia” de Maria Zambrano (Fim de Século, 2004) apareceu pela primeira vez em 1958, em Porto Rico, num momento em que havia grandes expectativas sobre a renovação democrática, para além das fronteiras europeias. A autora (1904-1991), discípula de Ortega y Gasset e de Unamuno, estava exilada desde a guerra civil espanhola e desenvolveu em diversas universidades latino americanas um notável magistério, sendo reconhecida hoje como uma das grandes referências literárias e filosóficas da hispanidade. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=522</link><pubDate>13-08-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana</title><description><![CDATA[Miguel Torga procurou interpretar a voz da terra, e fê--lo de um modo intenso e fiel nos “Novos Contos da Montanha” (1ª edição, 1945). “Corre por estas montanhas um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos. O social juntou-se ao natural, e a lei anda de mãos dadas com o suão a acabar de secar os olhos e as fontes. Crestados e encarquilhados os rostos dos velhos parecem pergaminhos milenários onde uma pena cruel traçou fundas e trágicas legendas. Na cara lisa dos novos pouca mais esperança há”. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=521</link><pubDate>06-08-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Portugal” (1ª edição, 1950) era para Miguel Torga um totem, uma referência altiva e permanente. De norte para sul, começa por se fixar no Reino Maravilhoso - «do meu Marão nativo abrange-se Portugal; e de Portugal abrange-se o mundo». E sentimos que sempre houve e haverá reinos maravilhosos e sofremos o calafrio do assombro. «Para cá do Marão…». Foi daqui que partiu o escritor para ver o mundo - «Terra Quente e Terra Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas».]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=520</link><pubDate>30-07-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[A colecção “O essencial sobre…” da Imprensa Nacional - Casa da Moeda é um repositório utilíssimo de pequenos breviários que permitem conhecermos melhor a cultura portuguesa – como no caso do texto sobre “Miguel Torga”, da autoria de Isabel Vaz Ponce de Leão (2007). Neste ano de centenário de Torga (1907-1995) é fundamental compreender os passos e a obra do autor e do cidadão, indispensáveis para perceber o século XX português. Dentro de dias celebraremos, a 12 de Agosto, a data do nascimento de Adolfo Correia Rocha, em S. Martinho de Anta, no distrito de Vila Real, esse dia em que sua mãe teve de interromper a faina do campo para dar à luz nas condições que o tempo permitia.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=519</link><pubDate>23-07-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Cornelius Castoriadis (1922-1997) é um dos autores europeus mais interessantes e estimulantes da segunda metade do século XX. Dele acaba de ser publicado entre nós o livro “Uma Sociedade à Deriva – Entrevistas e Debates, 1974-1997” (tradução de Miguel Serras Pereira, edições 90 graus, 2007) que merece leitura atenta. Os textos inseridos nesta obra, que envolve, na prática, uma espécie de balanço do autor, permitem encontrar pistas para uma melhor compreensão dos grandes desafios da sociedade democrática contemporânea. Antes de mais, deparamos com a demarcação relativamente à ideia de “utopia”. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=518</link><pubDate>16-07-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[De regresso de Cabo Verde (com o gosto de reencontrar amigos e de cultivar afectos) leio “A Construção da Identidade Nacional – Análise da Imprensa entre 1877 e 1975” (Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia, 2006) de Manuel Brito-Semedo. Ao longo desta importante investigação, sentimos o pulsar de uma sociedade que se afirma e de uma nação que nasce.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=517</link><pubDate>09-07-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Adquirir a Sua Alma na Paciência” de Soeren Kierkegaard (Assírio e Alvim, 2007) é o quarto dos quatro discursos edificantes do pensador dinamarquês. Apesar da dificuldade do texto, estamos perante um discurso apologético que nos coloca no cerne da interrogação sobre o sentido da vida, e que lida com a paciência, que o ensaio aconselha, como modo de permitir-nos procurar chegar ao limiar da tarefa sempre incompleta e imperfeita de “adquirir a alma”. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=516</link><pubDate>02-07-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“A Serra da Arrábida na Poesia Portuguesa” é uma antologia organizada pelo Centro de Estudos Bocageanos (Setúbal, 2002) que merece andar nas mãos de qualquer visitante informado da extraordinária “Serra-Mãe”. Há dias, João Bénard da Costa, nas celebrações do Dia de Portugal em Setúbal teve, aliás, oportunidade para chamar as atenções para a cidade do sal, do sol e do sul e para a sua importância cultural. Ora, nesse lugar idílico, santuário da natureza, somos desafiados intensamente pela meditação e pela poesia.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=515</link><pubDate>25-06-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Hoje falo de um livro e de um filme. A obra clássica que refiro, um livro de contos de Camillo Boito (1836-1914), foi publicada em 1883 com título “Senso e Altre Storielle Vane” (Garzanti Libri, 1990) e foi com base nela que Luchino Visconti realizou uma das suas obras-primas e uma das grandes referências da história do cinema. Quando, há tempos, num documentário sobre João Bénard da Costa me pediram para escolher um filme lembrei-me dessa extraordinária representação de Alida Valli… Filmes inesquecíveis?]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=514</link><pubDate>18-06-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Em Busca da Lisboa Árabe” da autoria de Adalberto Alves (CTT, Correios, 2007) é um roteiro que permite tomarmos contacto com as reminiscências árabes de uma cidade cuja história só pode ser compreendida pela consideração dessa influência marcante. E é muitas vezes surpreendente verificar em que medida encontramos marcas e sinais que permitem demonstrar como o “cadinho” cultural português abarca uma grande diversidade de factores e elementos, entre os quais avultam as componentes cristã, muçulmana, moçárabe e judaica. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=513</link><pubDate>11-06-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Os Vencidos da Vida” (Fronteira do Caos, 2006) é uma antologia de textos de e sobre onze personalidades marcantes da vida nacional que nos últimos doze anos do século XIX se evidenciaram na tentativa de regeneração de Portugal. Normalmente, o seu exemplo é apontado como um sinal de desalento e de impossibilidade, mas se nos ativermos aos elementos mais marcantes do grupo – Eça de Queiroz, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão – poderemos verificar que há, no essencial, uma recusa de fatalismo e de qualquer ideia de condenação inexorável e trágica do país ao atraso.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=512</link><pubDate>04-06-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Em “Valsas nobres e sentimentais” de Frederico Lourenço (Cotovia, 2007) estamos diante de uma reunião de crónicas extraordinariamente estimulantes. Com inteligência e humor, podemos usufruir de testemunhos e reflexões, desde a música ao modo de dizer, passando pela literatura e pelos escritores e, naturalmente, pela antiguidade clássica. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=511</link><pubDate>28-05-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Hoje referimo-nos a Jan Patocka (1907-1977), um dos grandes filósofos checos do século XX, cujo centenário ocorre dentro de dias, a propósito de um conjunto de doze ensaios publicados sob o título «L’Écrivain, son ‘objet’» (Presses Pocket, 1992). Nascido em Turnov, viveu a maior parte da sua vida de estudioso, como um dos mais fecundos seguidores da escola fenomenologista, na cidade de Praga, com excepção de curtos períodos em Paris, no final dos anos vinte, e em Berlim e Friburgo no início da década de trinta. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=510</link><pubDate>21-05-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Ser Professor” de Rómulo de Carvalho, organizado por Nuno Crato (Gradiva, 2006) é uma antologia de textos de pedagogia e didáctica que merece ser lida com especial atenção por todos, a começar pelos educadores. Num tempo em que há muitas dúvidas sobre o ensinar e o aprender, em virtude de haver mudanças radicais no mundo que nos cerca e nas responsabilidades das escolas, é fundamental ouvir um professor experimentado, com uma forte preocupação com o rigor e a exigência, a dizer-nos que a relação entre quem ensina e aprende apenas pode ser eficaz se houver trabalho, disciplina e clareza nos objectivos e nos métodos.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=508</link><pubDate>14-05-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Corte na Aldeia” (1619) de Francisco Rodrigues Lobo é uma obra na qual se retrata a situação vivida em Portugal durante a união pessoal com a Espanha (em ebook *). De um modo subtil mas nítido, o autor faz sentir aos leitores do seu tempo a subalternidade a que os portugueses de facto estavam votados em virtude de a independência ser, cada vez mais, apenas formal. Rodrigues Lobo era natural de Leiria, onde nasceu em data incerta, à volta de 1580, devendo ter tido ascendência judaica.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=507</link><pubDate>07-05-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Unicórnio, Etc.” foi publicado por ocasião da recente mostra documental da Biblioteca Nacional (2007) sobre as chamadas “antologias de inéditos de autores portugueses contemporâneos” organizadas por José-Augusto França entre 1951 e 1956. Era, naturalmente, uma revista, mas a necessidade de trocar as voltas à censura (“de um país não-legal”) levou o seu principal animador a usar esse subterfúgio de falar de “antologias” e de mudar de título todos os números (“por ideia macaca, de manguito às instituições”), com periodicidade aliás propositadamente irregular. O volumezinho, agora dado à estampa, recorda uma iniciativa que merece especiais atenções. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=504</link><pubDate>30-04-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Tzvetan Todorov escreveu em 2003 “Le Nouveau Désordre mondial – Réflexions d’un Européen » (Robert Laffont) onde nos apresenta um conjunto de temas da maior pertinência sobre os valores e os desafios contemporâneos para os europeus. Todorov (1939) é um filósofo e linguista búlgaro que, tendo feito a sua carreira académica em França, tem-se preocupado em pôr na ordem do dia um pensamento aprofundado sobre a “nova Europa”, depois do fim da guerra fria, da chegada à democracia das novas nações outrora na esfera do império soviético e dos recentes acontecimentos no Médio Oriente.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=503</link><pubDate>23-04-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[René Rémond (1918-2007), uma das grandes referências da historiografia francesa contemporânea, titular da cadeira número 1 da Academia Francesa, onde sucedeu a François Furet, deixou-nos. Hoje recordamo-lo através da leitura de “Introdução à História do Nosso Tempo” (3 volumes, Antigo Regime de Revolução, 1750- 1815; Século XIX, 1815-1914; Século XX, de 1914 até aos nossos dias, Seuil, 1974).]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=502</link><pubDate>16-04-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[A revista “Egoísta”, a cuja qualidade já estamos habituados, acaba de publicar um número especial dedicado a Agustina Bessa-Luís (Fevereiro de 2007). E inicia-se enigmaticamente com uma frase de “Ronda da Noite” – “Até ao fim somos amantes uns dos outros”. Como afirma Inês Pedrosa: “Agustina parece sempre ter sabido viver dentro e fora do tempo, numa espécie de observatório clínico da alma humana, captando-lhe o imortal enigma sob as mortais vestes dos dias”. De facto, a cada passo, na sua obra, rica de inesperados e fecundos exemplos de uma insistente procura de compreensão do género humano, a escritora foi-se afirmando como singular cultora de uma narrativa onde a vida e as circunstâncias em que se desenrola se entrelaçam entre o determinismo e a vontade, entre a incerteza e a condenação.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=501</link><pubDate>09-04-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Gilbert Keith Chesterton (1874-1936) escreveu em 1908 “The Man Who Was Thursday”, que constitui um exercício originalíssimo, de um género indefinido, onde a narrativa, o humor, o absurdo e a reflexão se associam e se encontram para benefício e deleite dos leitores de sucessivas gerações. Chesterton soube sempre praticar o “non-sense” e a ironia como formas de sustentar o seu realismo espiritualista.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=500</link><pubDate>02-04-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Fernand Braudel (1902-1985), um dos grandes historiadores europeus do século XX, escreveu “Gramática das Civilizações” em 1963, como relatório sobre as reformas essenciais a introduzir no programa de História no ensino secundário (edição portuguesa, tradução de Telma Costa, Teorema, 1989). O resultado imediato deste texto notável foi a introdução do estudo das grandes civilizações no currículo francês. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=499</link><pubDate>26-03-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana- Semana de 19 a 25 de Março de 2007</title><description><![CDATA[“D. Pedro V” da autoria de Maria Filomena Mónica (Círculo de Leitores, 2005) é um retrato sugestivo e estimulante de quem Ruben A. disse ter sido “o primeiro homem moderno que houve em Portugal”. O jovem rei (1837-1861) praticamente não teve tempo para exercer o seu magistério (1855-1861), e no entanto teve um dos mais interessantes e fecundos reinados, pela maturidade e inteligência invulgares de que deu provas. “Lindo, fúnebre e solitário, D. Pedro V foi um cometa que iluminou a dinastia dos Braganças” – assim começa a autora, anunciando, logo, o que a biografia vai revelar e demonstrar.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=498</link><pubDate>19-03-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“O Mundo à Minha Procura” de Ruben A. (3 volumes, Assírio e Alvim, 1992; 1ª edição, 1964, 1966, 1968) é um caso singularíssimo da literatura de memórias em Portugal no século XX. Felizmente que o autor, numa idade em que normalmente não se escreve memórias, teve essa ideia. E o resultado é surpreendente, no talento e no modo como retrata a sociedade e as pessoas, em que e com quem viveu. Infelizmente, viria a falecer num momento em que tudo se esperava ainda dele, e por isso as memórias precoces tornaram-se um documento ainda mais valioso.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=497</link><pubDate>12-03-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA- De 5 a 11 de Março de 2007</title><description><![CDATA[A biografia da autoria de José Mattoso sobre “D. Afonso Henriques” (Círculo de Leitores, 2006), na colecção “Reis de Portugal”, constitui um exemplo de rigor e de inteligência, sobretudo se tivermos em consideração que o estudo e o relato sobre a vida de uma personagem medieval exigem uma actividade intensa de extrapolação e de tratamento crítico dos sempre parcos elementos disponíveis.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=496</link><pubDate>05-03-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[A série “Reis de Portugal” do Círculo de Leitores, em que se integra a obra que referimos hoje, constitui uma iniciativa de assinalável qualidade que merece ser saudada. Falo de “D. Carlos”, da autoria de Rui Ramos (2006), onde o autor procede a uma análise da vida do monarca biografado e do período muito complexo em que viveu. Rui Ramos fez larga investigação sobre a segunda metade do século XIX e início do século XX, que se materializou, designadamente, no volume que dirigiu da “História de Portugal”, coordenada por José Mattoso ou na investigação que realizou sobre a “Vida Nova” e sobre a figura de João Franco.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=495</link><pubDate>26-02-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA - de 19 a 25 de Janeiro</title><description><![CDATA[“O Mito dos Jesuítas em Portugal, no Brasil e no Oriente” de José Eduardo Franco (2 volumes, Gradiva, 2006) é uma obra de historiografia e antropologia religiosa que se destaca pela qualidade da investigação que contém e pela grande cópia de fontes que abarca. A partir de agora, quem quiser estudar a Companhia de Jesus terá de recorrer a este estudo, que apresenta não só uma sólida fundamentação nas fontes, mas também uma análise segura e séria da problemática em questão.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=494</link><pubDate>19-02-2007  </pubDate></item><item><title>Um livro por Semana- Semana de 12 a 19 de Fevereiro de 2007</title><description><![CDATA[“Aproximações” de Agostinho da Silva (Guimarães Editores, 1960) é um livro constituído por reflexões que ilustram um momento importante na trajectória intelectual do autor, em que este evolui do racionalismo crítico seareiro para o humanismo espiritualista. E diz-nos, em dado passo: “Chegou a hora de irmos por um caminho inteiramente diferente e em que percamos muito menos tempo a discutir a teoria, embora ela deva estar continuamente presente ao nosso espírito e embora o sinal supremo dessa atitude de política, estejamos dispostos a substitui-la por outra que se nos demonstre mais verdadeira. Mas o que vai decidir tudo é a própria acção.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=491</link><pubDate>12-02-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Pela Mão de Alice – O Social e o Político na Pós-Modernidade” de Boaventura de Sousa Santos (Edições Afrontamento, 1994) é uma obra que merece atenção por representar uma tentativa de leitura da realidade sociológica contemporânea, com destaque para a transição entre o que o autor designa como perspectivas moderna e pós-moderna. Estamos perante uma análise da realidade portuguesa como “sociedade semiperiférica”, cujas especificidade e complexidade, das “condições económicas, sociais, políticas e culturais”, conduz a uma dupla exigência de acção. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=490</link><pubDate>05-02-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[José Mattoso em “A Identidade Nacional” (Gradiva, 1998) traça de um modo claro e compreensivo um quadro conceptual que nos permite lidar com naturalidade e sem dramatismos com o tema complexo da identidade. Em lugar de uma visão centrada apenas no que distingue, esquecida da complexidade e do relacionamento com outras realidades e outras culturas, o historiador assume uma perspectiva aberta sobre a identidade, com os olhos na compreensão da diferença.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=489</link><pubDate>29-01-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Spheres of Justice” de Michael Walzer (Basic Books, 1983) é uma obra referencial da moderna filosofia política (tradução portuguesa, Presença, 1999). Num tempo em que a reflexão sobre o Estado social moderno obriga à compreensão das novas realidades económicas e sociais que condicionam a construção e a consolidação da democracia, Walzer lança caminhos novos que aprofundam e completam as pistas já lançadas por outros autores como John Rawls, Habermas ou Quentin Skinner. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=488</link><pubDate>22-01-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Nas comemorações dos cinquenta anos da Fundação Calouste Gulbenkian Paula Rego pintou o tríptico “Vanitas”, a partir do conto de Almeida Faria “Vanitas – 51, Avenue d’Iéna”, agora dado à estampa em livro com introdução de Eduardo Lourenço. O conto, que começou por ser publicado na “Colóquio-Letras” e agora foi revisto e aumentado, permite-nos usufruir de um texto onde o fantasma do antigo habitante dessa casa parisiense, plena de recordações e cheia de referências artísticas, revive num monólogo singularíssimo, que Jorge Silva Melo apresentou, com muito humor e erudição no passado dia 11 de Janeiro no Centro de Arte Moderna. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=487</link><pubDate>15-01-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“A Nuvem do Não-Saber” de um autor inglês anónimo do século XIV, publicada na colecção Teofanias, dirigida por José Tolentino de Mendonça (Assírio & Alvim), é uma obra surpreendente pela limpidez e clareza que conserva, quase sete séculos depois de ter sido escrita. José Mattoso, no magnífico prefácio que assina, recorda-nos, aliás, que estamos perante o que é classificado por historiadores da mística cristã como “um dos mais belos textos místicos de todos os tempos”. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=485</link><pubDate>08-01-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Bom Ano! Em 2007 assinalar-se-á o centenário de Hergé, Georges Remi (1907-1983), o criador de Tintin. Ao abrir o ano, falo de um álbum que marcou de modo decisivo a história da “escola belga” de “banda desenhada” – “O Lótus Azul” (“Le Lotus Bleu”, 1936). Pode dizer-se que com esta obra não só o autor iniciou a fase madura da sua carreira, mas também abriu uma nova era na história da ilustração europeia. Tintin existia desde 1929, mas havia uma manifesta incipiência nas primeiras aventuras (no país dos sovietes, no Congo, na América).]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=475</link><pubDate>01-01-2007  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Neste Natal invoco um amigo que partiu, deixando toda a sua força e entusiasmo. Falo de Sidónio de Freitas Branco Paes (1925-2006), e dedico-lhe o livro desta semana, certo de que ele gostaria desta escolha, que era uma das suas – “Abel Varzim, Entre o Ideal e o Possível – Antologia de Textos – 1928 – 1964” (Multinova – Fórum Abel Varzim, 2000). O Padre Varzim era uma das referências de Sidónio Paes, cidadão comprometido e atento, para quem a ciência, a cultura, a engenharia, a música, a criação artística e o amor cristão estavam sempre intimamente ligados.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=473</link><pubDate>25-12-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Um Outro Mar” de Cláudio Magris (Asa, 1993, trad. Simonetta Neto) é um pequeno livro onde se sente o ambiente de Trieste e da próxima Gorízia, esses lugares onde se cruzam as influências do Mediterrâneo e dos Habsburgos, da Itália, da Áustria e da península balcânica. Magris (1939), autor de “Danúbio”, história erudita de um rio, exemplo maior da literatura de viagens e de lugares, invoca em “Um Outro Mar” o mito mediterrânico do périplo e do regresso, fazendo reviver a saga de Ulisses a uma nova luz. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=472</link><pubDate>18-12-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Em certo lugar da Mancha, o nome amanhã o direi, vivia não há grandes anos um fidalgo, destes velhos fidalgos de lança em armeiro, adarga antiga, pileca à manjedoira e galgo corredor. Bons três quartos do rendimento gastava-os no comer: cozido, obrigado mais vezes a vaca do que a carneiro, com o infalível empadão de sobejos à ceia, uma fritada de ovos com miúdos e toicinho aos sábados, lentilhas às sextas, e o borracho extra uns domingos por outros. O resto ia no vestir: saio de velarte e calças de veludilho com pantufos do mesmo pano nos dias santos; a cote, saragoça, embora da mais fina”. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=471</link><pubDate>11-12-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Homens em Tempos Sombrios” de Hannah Arendt (Relógio d’Água, 1991) é um repositório de interrogações sobre o pluralismo e a singularidade da sociedade humana. A tomada de consciência dos “tempos sombrios” corresponde ao século XX, no qual a barbárie tomou o lugar da civilização anunciada. E é Bertold Brecht que fala, no poema “Aos que virão a nascer”, de “desordem e de fome, dos massacres e dos assassinos, da revolta contra a injustiça e do desespero” de “quando havia injustiça e não revolta”… ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=470</link><pubDate>04-12-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[De partida para o périplo da Índia, em mais uma iniciativa do ciclo "Os Portugueses ao Encontro da Sua História", refiro-me ao pequeno volume da colecção "Que sais-je?", de Michel Boivin, "Histoire de l’Inde" (PUF, 2001). Aí encontramos um conjunto de informações úteis para o entendimento de uma história muito complexa e nem sempre fácil de compreender. A Índia é um sub-continente inesgotável com uma história fascinante.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=469</link><pubDate>27-11-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[A “Carta Aberta aos Europeus” de Denis de Rougemont é uma obra que há muito desapareceu das livrarias. Foi escrita em 1970 (Albin Michel) e merece ser relida num momento em que a memória e a história europeias têm de voltar a ser chamadas à ribalta – como este fim de semana recordou Guy Coq nos Encontros Internacionais de Sintra (da SEDES), que debateram o tema “Que Europeus para Qual Europa?”. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=468</link><pubDate>20-11-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“O Sonho Criador” de Maria Zambrano (Assírio e Alvim, tradução de Maria João Neves) é um livro acolhedor e estimulante que se interroga com grande intensidade sobre os mistérios e sobre a importância dos sonhos na sua relação com a consciência, com o tempo, com a verdade, com a liberdade e com a criação. Maria Zambrano (1904-1991) é uma das pensadoras mais marcantes e originais de Espanha no último século, representando a herança rica e complexa de dois dos seus mestres maiores, Miguel de Unamuno e Ortega y Gasset.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=467</link><pubDate>13-11-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Del Sentimento Trágico de la Vida en los hombres y en los pueblos” de Miguel de Unamuno (1864-1936) é uma obra-prima do pensamento europeu. A obra foi terminada em 1912 e quando saiu foi rodeada de incompreensões. Hoje, na distância do tempo, apresenta toda a sua força e pujança, ao lado das de Marco Aurélio, Kierkegaard ou Antero, na interrogação sobre a existência humana. Não será a consciência uma enfermidade? – pergunta o autor. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=466</link><pubDate>06-11-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“A Voz da Terra” de Miguel Real (Quidnovi) é um romance histórico que invoca o tempo de Sebastião José de Carvalho e Melo, tendo como tema central (ou pretexto) o terramoto de 1 de Novembro de 1755. Um brasileiro rico, Julinho de sua graça, ou Júlio Telles Fernandes, chega a Lisboa com duas missões, uma das quais a desempenhar junto do poderoso Ministro. Num percurso bem delineado, fácil de seguir e de leitura atraente, através da Lisboa do século XVIII, seguimos alguém provindo do Recife, portador da memória dos cristãos-novos de Pernambuco, outrora defendidos, sem êxito, pela voz do Padre António Vieira. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=465</link><pubDate>30-10-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Hannah Arendt (1906-1975), cujo primeiro centenário do nascimento ocorreu a 14 de Outubro, é autora de “La Nature du Totalitarisme”, Payot, 1990, e tem uma obra vasta e influente. Estamos diante de uma pioneira na análise do “totalitarismo”, fenómeno que vai regressando ao mundo histórico com novas e terríveis roupagens. Não se tratava de analisar ou compreender a tirania, há muito conhecida da humanidade, mas de ir ao encontro de uma realidade nova que trouxe ao século XX a presença da barbárie que poucos suspeitavam pudesse ser possível.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=464</link><pubDate>23-10-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Istanbul, Memories of a City” (Faber, 2006) de Orhan Pamuk (1952) é um livro fundamental não só para se compreender a antiga Constantinopla projectada nos dias de hoje, mas também porque é uma obra-prima da literatura contemporânea – um misto de biografia e ensaio. Pamuk acaba de ser agraciado com o Prémio Nobel da Literatura, e neste caso a atribuição do galardão representa o reconhecimento indiscutível de um grande escritor e de um cidadão para quem não pode haver separação entre a vida e a escrita.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=463</link><pubDate>16-10-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Goa ou o Guardião da Aurora” de Richard Zimler (Gótica, 2005) faz parte de uma saga, a da família Zarco, de raízes luso-judaicas, e é uma interrogação inteligente, rigorosa e muito bem escrita, sobre a memória. Fala-se de Goa, no final do século XVI, e da acção da Inquisição. Zimler nasceu em Nova Iorque (1956) e vive no Porto, onde lecciona jornalismo.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=462</link><pubDate>09-10-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Voltamos ao “Círculo do Humanismo Cristão” da Moraes, desta vez para falar, na semana em que se assinala o dia do Santo de Assis (4 de Outubro), de “Fioretti de S. Francisco e dos Seus Frades” (1960, tradução de Maria Luísa Carbonatti e Maria Isabel Tamen, revista e prefaciada por Pedro Tamen, com dez desenhos de José Escada). O livro é uma referência da história editorial portuguesa do século XX, pela qualidade literária, pelo cuidado extremo posto na edição e pelos belíssimos desenhos de Escada.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=461</link><pubDate>02-10-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Um Herói Português – Henrique de Paiva Couceiro (1861-1944)” de Vasco Pulido Valente (Aletheia Editores, 2006) constitui uma excelente oportunidade para conhecermos quase um século da vida portuguesa. Analisar a personalidade de quem teve um percurso singularíssimo de desencontros vários com a História permite tentar perceber o porquê da crise que conduziu ao fim da monarquia constitucional e às dificuldades que se seguiram.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=460</link><pubDate>25-09-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Flannery O’Connor (1925-1964) é uma das grandes escritoras norte-americanas do século XX, infelizmente pouco conhecida em Portugal. Dela acaba de ser publicado “Um Bom Homem é Difícil de Encontrar” – “A Good Man is Hard to Find” (tradução de Clara Pinto Correia, editora Cavalo de Ferro), anunciando-se as outras obras que a celebrizaram e que ainda hoje constituem um deleite para os seus leitores. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=457</link><pubDate>18-09-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA </title><description><![CDATA[Acaba de ser publicada uma nova edição de “A Cristandade ou a Europa” (e de uma selecção de fragmentos) de Novalis (1772-1801), com tradução de José Miranda Justo (Antígona). O texto, escrito em 1799, foi sempre muito controverso, a ponto de ter suscitado dúvidas e perplexidades entre alguns dos amigos do poeta, como os irmãos Schlegel e Schelling que preferiram não o inserir na revista Athenäum. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=456</link><pubDate>11-09-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA </title><description><![CDATA[“Stuart – A Rua e o Riso” de João Paulo Cotrim (Assírio & Alvim – El Corte Inglés) é uma obra imprescindível para quem queira conhecer a personalidade multifacetada de Stuart de Carvalhais (1887-1961), intérprete fidelíssimo, através do desenho, do país e da época em que viveu. O autor começa por dizer que “Stuart continua a ser uma nuvem na paisagem artística nacional”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=455</link><pubDate>04-09-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Jaime Cortesão no seu “Eça de Queiroz e a Questão Social”, conjunto de textos dados à estampa no Brasil em 1947 (Imprensa Nacional, 2001), fala-nos de Eça de Queiroz das últimas obras e do idealismo que as alimenta e recorda o contraponto entre o universalismo das origens da Escola de Coimbra e a emergência do orgulho nacional, sob os efeitos do “Ultimatum” inglês de 1890 – “todos e cada um, feridos na sua dignidade de portugueses, procuram, ainda que por modos diferentes, reabilitar a pátria e exprimi-la na sua essência”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=454</link><pubDate>28-08-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo” de Germano de Almeida é um retrato de Cabo Verde escrito com talento e humor. Na senda de nomes marcantes como Baltazar Lopes, António Aurélio Gonçalves, Jorge Barbosa e Manuel Lopes, Germano de Almeida impôs-se desde este seu primeiro romance como uma voz que deve ser ouvida. A frescura, a alegria, o apurado sentido crítico juntam-se neste bem urdido romance que nos permite olhar Cabo Verde com um afecto muito especial. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=453</link><pubDate>21-08-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Literatura Portuguesa do Século XX”, sob a coordenação de Fernando J.B. Martinho (Instituto Camões, 2004), é um precioso instrumento de trabalho ao alcance de todos, que permite um conhecimento introdutório sobre a criação literária no último século. Fernando Martinho (sobre a poesia), Fernando Pinto do Amaral (narrativa), Maria Helena Serôdio (dramaturgia) e Serafina Martins (ensaio literário) dão-nos uma panorâmica completa, clara e compreensiva.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=452</link><pubDate>14-08-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[A obra tornou-se um clássico. “Isaiah Berlin en toutes libertes – Entretiens avec Ramin Jahanbegloo” (Éditions du Félin, 1990) é um repositório excelente sobre o percurso intelectual do pensador inglês, e isso fica a dever-se ao cuidado e à qualidade do entrevistador. E nestes dias, em que Ramin continua preso por delito de consciência em Teerão, homenageamo-lo relendo o seu livro, e reencontrando uma das grandes referências do pensamento liberal contemporâneo. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=451</link><pubDate>07-08-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Visões da Política – Sobre os Métodos Históricos” de Quentin Skinner (Difel, 2005) é uma obra de grande interesse no panorama do moderno pensamento político. Skinner é professor na Universidade de Cambridge e uma das referências no estudo e na reflexão sobre a formação do republicanismo democrático até aos nossos dias. A obra, prefaciada por Diogo Ramada Curto (e traduzida por João Pedro George), é constituída por diversos ensaios sobre questões filosóficas e metodológicas levantadas pela história política.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=450</link><pubDate>31-07-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Jorge Borges de Macedo (1921-1996) escreveu “História Diplomática Portuguesa – Constantes e Linhas de Força – Estudo de Geopolítica – volume I” (Tribuna de História, 2006). A obra segue um percurso desde os primórdios dos séculos XII a XIV (“a pressão da fronteira terrestre” e a “defesa do equilíbrio”) até ao “equilíbrio contingente” na sequência da Paz de Vestefália (1648) e ao confronto de hegemonias encontrado no Congresso de Viena, passando pela alternância “entre o equilíbrio e o cerco” e “o cerco e o equilíbrio” no período crucial da segunda metade do século XVI e da primeira parte de seiscentos… ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=449</link><pubDate>24-07-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Alexandre O’Neill (1924-1986) foi entre nós um dos mais dotados artífices da escrita do último século. Quando em 1990, nas comemorações do dia 10 de Junho, António Alçada Baptista promoveu publicação da obra “Poesias Completas – 1951-1986” (Imprensa Nacional – Casa da Moeda) fê-lo com a consciência plena de que homenageava um poeta que ajudou (e muito) à introspecção do carácter português. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=448</link><pubDate>17-07-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Quando está a terminar a apresentação pública da exposição “A Aventura da Moraes” no CNC recordamos o livro “Opressão e Liberdade” de Simone Weil, publicado em 1964, pela Moraes, na colecção “Círculo do Humanismo Cristão”, com tradução de Maria de Fátima Sedas Nunes (Maria Velho da Costa). É a primeira obra de Simone Weil publicada em língua portuguesa e permite um contacto directo com a reflexão da mística, pensadora e activista política.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=447</link><pubDate>10-07-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Monique Canto-Sperber é autora de “L’Inquietude Morale et la Vie Humaine” (Presses Universitaires de France, 2002), obra onde chama a atenção, com argumentos de hoje, para a necessidade da valorização da filosofia moral. É preciso regressarmos à tarefa mais antiga da filosofia: pensar a vida humana. A singularidade, a contingência dos acontecimentos, a certeza da morte, a presença do passado e a irreversibilidade do tempo obrigam ao exame filosófico da condição humana. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=445</link><pubDate>03-07-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[No último fim-de-semana o CNC andou na peugada de Passos Manuel, com as “Viagens na Minha Terra” de Almeida Garrett (1ª edição, 1846) nas mãos. São quarenta e nove capítulos de um folhetim romântico, cuja originalidade está na linguagem comum que usa e na ligação entre o relato de uma viagem e a narrativa de uma história trágica sobre a guerra civil que dividiu o país de 1828 a 1834, e de que o autor também foi protagonista. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=444</link><pubDate>26-06-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Quem não recorda com fascínio a leitura das “Viagens” de Marco Polo? É delas que vos falo hoje, na tradução de Ana Osório de Castro, com prefácio de António Osório (Assírio & Alvim, 2006). E lembremos o que diz o início desse livro mágico: “quero que saibam que desde que Deus fez Adão nosso primeiro pai até ao dia de hoje, nem cristão nem pagão, sarraceno ou tártaro, nem nenhum homem de nenhuma geração viu, nem explorou tantas maravilhosas coisas do mundo, como fez o senhor Marco Polo”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=443</link><pubDate>19-06-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Da autoria de J.J. Gomes Canotilho acaba de ser publicada a obra «“Brancosos” e Interconstitucionalidade – Itinerários dos Discursos sobre Historicidade Constitucional» (Almedina, 2006) uma reunião de textos que nos permite interrogarmo-nos sobre os temas difíceis da legitimação política. O título só parecerá estranho aos mais distraídos, uma vez que parte da intriga de José Saramago no seu “Ensaio sobre a Lucidez”. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=442</link><pubDate>12-06-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“Religiões – História, Textos, Tradições”, coordenado cientificamente por Paulo Mendes Pinto, sob a supervisão da Estrutura de Missão para o Diálogo com as Religiões, dirigida pelo Padre Miguel Ponces de Carvalho (Paulinas, 2006) vem preencher uma importante lacuna no panorama cultural português. O projecto “Religare” visa promover um melhor conhecimento mútuo e do aprofundamento do fenómeno religioso. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=441</link><pubDate>05-06-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Maria Filomena Molder acaba de publicar “O Absoluto que pertence à Terra” (Vendaval, 2006). Estamos diante de um conjunto de ensaios sobre Hermann Broch (1886-1951), onde o autor austríaco é-nos revelado na sua inteireza e complexidade. E através do percurso difícil do autor de “Sonâmbulos” e de “A Morte de Virgílio” somos levados a compreender que “o pensamento do homem espiritual, o pensamento crítico, está votado a uma antinomia sem dialéctica resolúvel: mina, destrói os alicerces (...)”]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=439</link><pubDate>29-05-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Em Maio de 1871, há 135 anos, iniciaram-se as Conferências do Casino Lisbonense, no Largo da Abegoaria. Recordamos, assim, Antero de Quental, principal animador do evento, através das “Prosas Sócio-Políticas”, publicadas e apresentadas por Joel Serrão (Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1982). O brado deveu-se à intenção de debater ideias novas, capazes de lançar o país numa via de evolução, e progresso.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=438</link><pubDate>22-05-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Timothy Garton Ash lançou em Lisboa a tradução do seu livro “Free World – a América, a Europa e o Futuro do Ocidente” (Alêtheia, 2006). Num momento de encruzilhada e de muitas dúvidas, o professor da Universidade de Oxford, que há um pouco mais de dez anos participou entre nós nos Encontros Internacionais de Sintra, vem lançar um conjunto de pertinentes desafios a fim de que a Europa possa desempenhar um papel importante na cena internacional como factor de paz, de equilíbrio e de desenvolvimento.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=436</link><pubDate>15-05-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[A “Correspondência entre Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena – 1959-1978” (Guerra & Paz, 2006) é o roteiro de uma grande amizade, onde se revelam a traço forte duas personalidades marcantes da cultura portuguesa, tendo como pano de fundo o país dos anos sessenta e setenta, desde o fim do antigo regime à chegada do novo tempo que se seguiu a 25 de Abril de 1974.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=435</link><pubDate>08-05-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[As guerras matam e dilaceram as sociedades. Suscitam situações limite. Leão Tolstoi em “Guerra e Paz” (tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, Presença, 2005) analisa o fenómeno de um modo único. A vida e a morte coexistem em cada momento, o heroísmo e a cobardia confundem-se, o instinto de sobrevivência mistura-se com a racionalidade. Tolstoi compreendeu que apenas poderia dar uma imagem da sociedade ameaçada, num combate de vida ou de morte… ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=431</link><pubDate>01-05-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Ao falarmos da “Crónica de D. João I” de Fernão Lopes (2 volumes, Porto, Civilização, 1945, 1949), referimos um dos grandes marcos da língua portuguesa. A vida de Fernão Lopes é um mistério. Por ironia do destino, o homem através de quem conhecemos a História da geração que o precedeu, é-nos quase desconhecido como pessoa. Não sabemos quando nasceu, mas presumimos que tenha sido nos anos da crise. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=430</link><pubDate>24-04-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Corre o cinquentenário da morte de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896-1956) e o centenário de Luchino Visconti (1906-1976). Daí recordar-se “Il Gattopardo”, o romance póstumo de Lampedusa (Feltrinelli, 1958), que ficou para sempre ligado ao filme de 1963, recriação e releitura geniais de uma obra inesquecível. A epopeia do romance liga-se à decadência da antiga aristocracia siciliana e à ascensão da nova burguesia, que aproveita o “Risorgimento” para se afirmar e singrar.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=428</link><pubDate>17-04-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[António Osório dispensa apresentações. É um dos valores seguros da poesia portuguesa de hoje. “O Lugar do Amor e Décima Aurora – Obra Poética II” (Gótica, 2001) é a nossa escolha desta semana de Páscoa. Estamos diante de obras de 1981 e de 1982, antecedidas por citações de Dante e de Bashô. “E chiaro nella valle il fiume appare”. “Não sigo o caminho dos antigos: busco o que eles buscaram”. O claro rio e a busca, que sempre renasce, resumem o ofício do poeta.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=427</link><pubDate>10-04-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[A leitura de “A Pesca à Linha – Algumas Memórias” de António Alçada Baptista (Presença, 1998) é motivo para encontrarmos um excepcional contador de estórias. Poderíamos ter escolhido falar de “Os Nós e os Laços”, exemplo do que Fr. Bento Domingues tem designado como teologia narrativa, ou de “Peregrinação Interior”, obra ensaística emblemática de uma época de abertura de novos horizontes. No entanto, se falamos de “A Pesca à Linha” é para salientar a importância do culto da memória, como modo de aprender com a vida, não através das formulações grandiloquentes, mas dos pequenos pormenores.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=426</link><pubDate>03-04-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“A Torre da Barbela” de Ruben A. (1º edição, 1964; Assírio e Alvim, 1995) é uma obra-prima barroca desconcertante, no melhor sentido etimológico das palavras. O uso do verbo e do enredo é muito exigente e só um historiógrafo experimentado poderia ter lidado, como lidou, com o anacronismo com tanta inteligência e sem despropósito. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=420</link><pubDate>27-03-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Falemos da “Nova Gramática do Português Contemporâneo” de Celso Cunha e de Lindley Cintra (João Sá da Costa, Lisboa, 1984; Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1985). E por que razão? Pela necessidade de cuidarmos da língua. O bom uso da língua representa um elementar acto de cidadania e de respeito pelos outros. Devemo-nos fazer entender. Saber comunicar bem é uma exigência cultural e cívica. “Falar correcto” significa falar o que a “comunidade espera”, como diria Jespersen. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=419</link><pubDate>20-03-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“A Montanha Mágica” é um dos grandes romances europeus de sempre. Thomas Mann (1875-1955) escreveu-o, dando-nos uma extraordinária metáfora sobre o seu tempo. Filho de uma brasileira de origem portuguesa (Júlia Silva-Bruhns), natural da hanseática Lübeck, Mann dá os primeiros passos literários em Munique e publica em 1901 uma saga admirável de recorte autobiográfico – “Os Buddenbrook”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=418</link><pubDate>13-03-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Quem somos? A pergunta é de difícil resposta, mas a leitura de “O Essencial sobre os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa” de Jorge Dias (Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1985) constitui, ainda hoje, um precioso auxiliar da reflexão. O texto data de 1950, correspondendo a uma conferência proferida em Washington.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=417</link><pubDate>06-03-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[George Steiner é um “pensador itinerante”. Ao escrever “A Ideia de Europa” (Gradiva, 2005) procurou dar-nos uma visão da cultura e da vida, longe de concepções redutoras. O professor e ensaísta, abre horizontes, suscita dúvidas, cultiva a exigência. Numa palavra, obriga-nos a pensar, para o agir. Ser e agir, literatura, arte e dia a dia encontram-se.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=416</link><pubDate>27-02-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[David Lodge é autor de uma obra vasta e prolífera. Entre nós foi publicado há pouco “Autor, Autor” (Asa, 2005), onde está retratada a vida de Henry James. É proverbial o fino humor de Lodge, que o situa na linhagem de grandes autores britânicos contemporâneos como G.Greene, A.Burgess e E.Waugh. Nesta obra, encontramos o ambiente pós-vitoriano em todo o seu esplendor, cheio de fascínio. O mundo literário, teatral e artístico apresenta-nos as fronteiras ténues entre realidade e ficção.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=415</link><pubDate>20-02-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Agostinho da Silva nasceu há cem anos. Hoje recordamos a sua obra, na qual destacamos “Reflexão”, de 1958 e “As Aproximações”, de 1960 (Guimarães Editores). Para ele o melhor mestre era a vida, e a educação devia partir do concreto para o abstracto, ligando imaginação e rigor, finura e geometria.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=414</link><pubDate>13-02-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[A nova colecção “Teofanias” revela-nos um surpreendente testemunho de procura sobre o sentido da vida. “Os Imperdoáveis” (Assírio & Alvim, 2005) de Cristina Campo é uma obra fundamental. E devemos a José Tolentino Mendonça e à tradução de grande qualidade da autoria de José Colaço Barreiros este feliz encontro.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=413</link><pubDate>06-02-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“A Morte de Colombo – Metamorfose e Fim do Ocidente como Mito” de Eduardo Lourenço (Gradiva, 2005) interroga o encontro e o desencontro de culturas na América Latina. E a eleição recente do novo Presidente da Bolívia, Evo Morales, concede uma especial actualidade a este tema, ilustrando-o. Os ensaios inseridos neste volume são suculentos e muito estimulantes. ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=412</link><pubDate>30-01-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[José-Augusto França acaba de publicar uma obra que merece atenção. Falo de “Exercícios de Passamento” (Acontecimento, 2005). “Toda a gente morre de paragem do coração, mas uns morrem mais do que outros, não tanto porque da lei da morte se libertem os mais célebres, mas porque têm modos diferentes de passamento, sempre individualizados e conforme viveram, fizeram, sofreram e amaram, e também consoante a causa mortis, natural ou acidental, involuntária ou mesmo voluntária”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=411</link><pubDate>23-01-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[João Guimarães Rosa (1908-1967) é uma das grandes referências da língua portuguesa. Lembremos a sua obra-prima: “Grande Sertão: Veredas” (37ª edição, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1988). Aparentemente, estamos perante a linguagem rural dos sertanejos, que o autor maneja com mestria perturbadora. No entanto, como diz António Cândido: “tudo se transformou em significado universal graças à invenção, que subtrai o livro da matriz regional”.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=409</link><pubDate>16-01-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Temos hoje de recordar a biografia de Almeida Garrett da autoria de Francisco Gomes de Amorim, num momento muito triste como é o da demolição da última casa do autor de “Viagens na Minha Terra”. Falamos de “Garrett – Memórias Biographicas”, Imprensa Nacional, 1881 a 1884, obra esgotadíssima, mas fundamental. Ao lê-la, percebe-se ainda melhor como houve indiferença e insensibilidade em relação à memória de um dos nossos maiores.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=408</link><pubDate>09-01-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Bom Ano! Isaiah Berlin é uma companhia de eleição para o início do novo ano. “Rousseau e Outros Cinco Inimigos da Liberdade” (Gradiva, 2005) é uma obra de referência onde se reúnem as célebres conferências radiofónicas emitidas pela BBC em 1952, sobre seis autores que Berlin considera avessos à “ideia” de liberdade.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=407</link><pubDate>02-01-2006  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Em «A Construção de Jesus – Uma Leitura Narrativa de Lc. 7, 36-50» (Assírio e Alvim, 2004) de José Tolentino Mendonça, encontramos uma análise muito interessante e rica, que se projecta muito para além de um domínio estrito do saber. Está em causa o episódio do banquete em casa do fariseu, em que Jesus é ungido por uma mulher tida na cidade como pecadora.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=406</link><pubDate>26-12-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Selma Lagerlöf (1858-1940) celebrizou-se pelas sagas de inspiração romântica que encheram o imaginário de muitos leitores da primeira metade do século XX. O livro que hoje escolhemos é da sua autoria e tem como título “Histórias Maravilhosas” (Editorial Minerva, Lisboa, s.d.). Há muito que está esgotado, só se encontra nos alfarrabistas, mas representa um tempo em que o Natal era algo mais do que a corrida às lojas e aos supermercados.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=403</link><pubDate>19-12-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[“O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa” da autoria de Miguel Real (Quidnovi, 2005) acaba de ser publicado e constitui uma leitura acessível para a melhor compreensão da figura complexa de Sebastião José de Carvalho e Melo. Trata-se de um pequeno livro que contém uma interpretação da vida e obra do estadista do século XVIII (...)]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=402</link><pubDate>12-12-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Acaba de ser reeditado o livro “Repensar Portugal” (Multinova, 2005), da autoria do Padre Manuel Antunes (1918-1985), nas vésperas do Congresso Internacional, que assinala (com o apoio do CNC) a memória de uma das figuras mais marcantes da cultura portuguesa do século XX. A obra publicada originalmente em 1979 manteve, passados estes anos, uma curiosíssima jovialidade, que não é fácil de acontecer quando estamos perante ensaios políticos e sociais.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=401</link><pubDate>05-12-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Italo Calvino (1923-1985) é o autor de algumas das obras mais estimulantes da cultura contemporânea. A sua vivacidade e cultura, a capacidade de jogar com a ironia, a fina inteligência projectam o nosso tempo para além do lugar comum. Falo hoje de “Porquê Ler os Clássicos” (Milão, 1991), que José Colaço Barreiros traduziu (Teorema, 1994). ]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=400</link><pubDate>28-11-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Dietrich Schwanitz escreveu em 1999 um livro significativamente intitulado “Bildung. Alles was man wissen muss”. A obra tornou-se um sucesso e foi traduzida para português sob o título “Cultura. Tudo que é preciso saber” (Dom Quixote, 2004). Para muitos dos leitores tratar-se-ia de poder obter conhecimentos essenciais de um modo rápido e fácil. Comecemos pelo título.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=398</link><pubDate>21-11-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Quando há dias escolhi o “Codex 632” de José Rodrigues dos Santos (Gradiva, 2005) como destaque da semana cultural na Rádio Renascença (6ªs feiras, às 23 horas) houve quem se surpreendesse. Afinal, não tinha sido eu crítico severo do “Código Da Vinci”? Acontece que destaquei o livro português exactamente pelas razões opostas àquelas por que considerei o livro de Dan Brown uma fraude.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=397</link><pubDate>14-11-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Nas comemorações dos 60 anos do CNC, Graça Morais concebeu uma serigrafia intitulada “A Menina do Mar”, que invoca a obra de Sophia de Mello Breyner Andresen, cuja primeira edição foi publicada em 1958 pela Figueirinhas, com ilustrações de Luís Noronha da Costa. O livro constitui uma obra-prima. “Era uma vez uma casa branca nas dunas, voltada para o mar.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=396</link><pubDate>07-11-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Para se compreender o que representou e o que determinou o terramoto de 1 de Novembro de 1755, é indispensável ler a obra de José-Augusto França Lisboa Pombalina, cidade do Iluminismo (2ª edição, Lisboa, 1978). Aí encontramos o repositório rigoroso de como foi possível fazer de uma catástrofe a oportunidade ganha de reconstruir a cidade, tornando-a uma das mais modernas e atraentes da Europa.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=395</link><pubDate>31-10-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[Na semana em que solenemente os Ministros da Cultura do Conselho da Europa abrirão à ratificação dos Estados membros a nova Convenção-Quadro sobre o Património Cultural, aconselho a leitura e a consulta de European Cultural Heritage, Intergovernmental co-operation: Collected Texts, coordenado por José Maria Ballester, 2 volumes, Conselho da Europa, 2002.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=394</link><pubDate>24-10-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[No dia 15 de Outubro de 1905, há exactamente cem anos, Winsor McCay publicou a primeira prancha de “Little Nemo in Slumberland”. Então, a história da “Banda Desenhada” entrou numa nova fase, autonomizando-se como Arte com características próprias, a meio caminho entre a literatura e a ilustração, antecipatória do que traria o século XX.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=393</link><pubDate>17-10-2005  </pubDate></item><item><title>UM LIVRO POR SEMANA</title><description><![CDATA[A partir de hoje comentarei um livro por semana. Desde os clássicos a livros acabados de sair, do romance ao ensaio, da prosa à poesia, tratarei de reflectir a partir da leitura, num tempo em que as novas tecnologias longe de nos afastarem dos livros podem aproximar-nos deles. E oxalá este exercício constitua incentivo à leitura, procurando agitar as águas e abrir pistas de pensamento e acção.]]></description><link>http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=392</link><pubDate>10-10-2005  </pubDate></item></channel></rss>